Sexta, 17 de Julho de 2026
18°C 23°C
Cascais, 11
Publicidade

Porque é que tantos atletas quebram no último round? A resposta pode estar na forma como treinam

Corrida melhora a base aeróbica, mas o HIIT específico aproxima o atleta das exigências reais de um combate de Kickboxing

Redação
Por: Redação Fonte: Marco Romeiro
17/07/2026 às 13h45
Porque é que tantos atletas quebram no último round? A resposta pode estar na forma como treinam
Escola do nocaute

Quem pratica Kickboxing, Boxe, MMA, Muay Thai ou qualquer modalidade de striking já ouviu, certamente, a velha máxima: "Para ter bom cardio, é preciso correr."

A corrida faz parte da rotina de praticamente todos os atletas de desportos de combate. Ajuda a desenvolver a resistência cardiovascular, melhora a recuperação e fortalece a capacidade aeróbica.

Mas há uma questão que continua a surgir dentro e fora dos ginásios: porque é que tantos atletas, mesmo correndo diariamente, continuam a perder intensidade nos últimos minutos do combate?

A resposta parece estar na especificidade do treino.

Imagem Instagram Escola do Nocaute 

O problema não é a dedicação. É a especificidade do esforço

É comum ver atletas acumularem quilómetros na estrada durante meses, construindo uma sólida base aeróbica. Ainda assim, quando chegam ao terceiro round, a velocidade diminui, os reflexos tornam-se mais lentos e a capacidade de manter o mesmo ritmo de combate desaparece.

A razão não está na falta de preparação.

O problema é que uma luta de Kickboxing ou de outra modalidade de striking dificilmente se parece com uma corrida contínua.

Enquanto uma corrida desenvolve a capacidade de manter um esforço prolongado e relativamente constante, um combate é composto por sucessivas explosões de intensidade máxima, seguidas de curtos períodos de recuperação incompleta.

É precisamente esta diferença que faz toda a diferença.

Imagem Instagram Escola do Nocaute 

Uma luta exige dois sistemas energéticos completamente diferentes

Durante um combate de Kickboxing, o atleta alterna constantemente entre momentos de máxima intensidade — combinações rápidas, deslocações explosivas, ataques e defesas — e pequenos períodos de recuperação ativa.

Estas sequências repetem-se ao longo de três ou mais rounds.

Na prática, o organismo é obrigado a responder continuamente através do sistema anaeróbico, suportando elevados níveis de intensidade quando já existe acumulação de fadiga.

Já a corrida contínua trabalha predominantemente o sistema aeróbico, preparado para esforços longos e estáveis.

São dois estímulos fisiológicos distintos.

Treinar apenas um deles significa chegar preparado apenas para parte das exigências da luta.

O HIIT aproxima o treino da realidade do combate

É precisamente aqui que entra o treino intervalado de alta intensidade (HIIT).

Ao alternar períodos curtos de esforço máximo com recuperações incompletas, o HIIT consegue reproduzir de forma muito mais fiel aquilo que acontece dentro do ringue.

Em vez de correr durante vários quilómetros a um ritmo constante, o atleta aprende a repetir explosões intensas sucessivas, mantendo elevados níveis de rendimento mesmo quando o cansaço já se faz sentir.

Esta capacidade torna-se particularmente importante nos últimos rounds, onde muitas vezes se decide o vencedor de um combate.

O que mostram os dados

Diversos estudos sobre modalidades de striking demonstram que os combates decorrem frequentemente com intensidades médias superiores a 85% do VO₂ máximo durante as fases de trocação.

Trata-se de uma intensidade que a corrida contínua raramente consegue reproduzir.

Em contrapartida, protocolos específicos de HIIT conseguem aproximar-se dessas exigências fisiológicas.

Além disso, atletas que substituíram parte do volume de corrida por treino intervalado específico conseguiram manter — ou até melhorar — o rendimento físico durante os rounds finais.

A corrida continua a ser importante

Isto não significa que a corrida deva desaparecer da preparação dos atletas.

Muito pelo contrário.

A corrida continua a desempenhar um papel importante na construção da capacidade aeróbica, na recuperação entre sessões de treino e no desenvolvimento da resistência geral.

O ponto essencial é compreender que correr, por si só, não prepara totalmente um atleta para aquilo que acontece dentro do ringue.

Para responder às exigências reais de um combate, é necessário complementar esse trabalho com métodos de treino específicos que reproduzam a intensidade, a imprevisibilidade e os padrões de esforço característicos dos desportos de combate.

Treinar para a luta, e não apenas para correr

À medida que a ciência do treino evolui, também a preparação física dos atletas de Kickboxing, Boxe, MMA e Muay Thai tem vindo a adaptar-se às verdadeiras exigências da competição.

Hoje, treinadores e preparadores físicos procuram cada vez mais aproximar o treino da realidade do combate, privilegiando métodos que desenvolvam não apenas a resistência geral, mas sobretudo a capacidade de manter potência, velocidade e lucidez até ao último segundo.

Porque, no final, vencer um combate não depende apenas de ter "gás".

Depende de preparar o corpo para responder exatamente ao tipo de esforço que o ringue vai exigir.

Por Marco Romeiro.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
Lenium - Criar site de notícias