
A seleção brasileira alcançou um feito histórico no Campeonato do Mundo de Muay Thai, realizado entre 10 e 20 de março de 2026 em Bangkok, na Tailândia — o berço da modalidade. Com um impressionante total de 10 medalhas de ouro e 2 de prata, o Brasil reforça a sua posição como uma das maiores potências mundiais da modalidade.
Em entrevista, o Grão Mestre Artur Mariano, presidente da Confederação Brasileira de Muay Thai, faz um balanço detalhado da participação, destacando o trabalho desenvolvido ao longo dos anos, a evolução da equipa e os próximos desafios.

FightNews: O Brasil conquistou 10 medalhas de ouro e 2 de prata no Mundial de Muay Thai em Bangkok. Que balanço faz desta participação histórica?
O balanço é extremamente positivo e, acima de tudo, motivo de muito orgulho. Esse resultado não é por acaso — ele é fruto de anos de trabalho sério, disciplina e uma metodologia bem estruturada dentro do Muay Thai brasileiro. Conquistar 10 medalhas de ouro e 2 de prata num campeonato mundial realizado na Tailândia, que é o berço do Muay Thai, mostra que o Brasil atingiu um nível de excelência técnica e mental comparável aos melhores do mundo.
Mais do que as medalhas, essa participação histórica representa a consolidação de um projeto. Estamos a formar atletas completos, preparados não só fisicamente, mas também emocionalmente e estrategicamente para competir em alto nível internacional.
Esse resultado também reforça que o Brasil hoje é uma potência mundial no Muay Thai, e dá-nos ainda mais responsabilidade de continuar a evoluir, formar novos campeões e levar a nossa bandeira cada vez mais alto.
FightNews: Estes resultados estavam dentro das expectativas iniciais ou acabaram por superar aquilo que a Confederação previa?
Nós sempre trabalhamos com metas altas, então havia sim uma expectativa de um grande desempenho. Sabíamos do potencial da nossa seleção, da qualidade dos atletas e da preparação que foi feita. No entanto, conquistar 10 ouros num Mundial na Tailândia é algo que, mesmo com toda a confiança, acaba por superar qualquer previsão inicial.
Isso mostra que, quando existe organização, metodologia e comprometimento, os resultados podem ir além do que se imagina. A seleção brasileira de Muay Thai mostrou dentro do ringue não apenas técnica, mas também coragem, inteligência e espírito de campeão.
Portanto, posso dizer que estávamos preparados para fazer história — mas o que esses atletas entregaram foi ainda maior do que o esperado.
FightNews: O que mais o impressionou na prestação da seleção brasileira neste Mundial de Muay Thai?
O que mais me impressionou foi a maturidade e o controlo emocional dos atletas. Num campeonato realizado na Tailândia, com pressão da torcida local, arbitragem rigorosa e enfrentando alguns dos melhores lutadores do mundo, os nossos atletas comportaram-se como verdadeiros campeões.
Além da parte técnica, que já sabíamos que era de alto nível, o diferencial foi a inteligência tática dentro do ringue. Os nossos atletas souberam adaptar as suas estratégias durante as lutas, respeitando o estilo técnico diferente de cada país, mas impondo o jogo brasileiro com muita eficiência.
Outro ponto marcante foi o espírito de equipa. Havia uma união muito forte entre os atletas e a comissão técnica, e isso fez toda a diferença.
Essa combinação de preparo físico, técnica, mente forte e união foi, sem dúvida, o que mais me impressionou.
FightNews: Considera que este foi um dos melhores desempenhos de sempre do Brasil em competições internacionais da modalidade? Porquê?
Sim, sem dúvida foi o maior resultado do Brasil em mundiais de Muay Thai. Nunca antes o país havia conquistado um número tão expressivo de medalhas de ouro num campeonato dessa magnitude, ainda mais sendo realizado na Tailândia, que é a maior referência mundial da modalidade.
Esse desempenho destaca-se não apenas pelos números, mas pelo nível dos adversários enfrentados e pela consistência da equipa ao longo de toda a competição. O Brasil não teve apenas destaques individuais — tivemos uma atuação coletiva dominante.
Esse resultado marca um antes e um depois para o Muay Thai brasileiro.
FightNews: Qual foi o papel da Confederação Brasileira de Muay Thai na preparação e sucesso destes atletas?
A Confederação Brasileira de Muay Thai teve um papel fundamental em todo esse processo. Esse resultado é fruto de um trabalho construído ao longo de décadas, começando com o meu saudoso Grão Mestre Luiz Alves, que depois me passou essa missão que desempenho com muito amor e dedicação aos atletas e professores.
Existe uma preocupação constante em estruturar um calendário sólido, que começa nas competições nacionais, passa pelos eventos Pan-Americanos e culmina no Campeonato Mundial.
Nada foi feito de forma improvisada — é um trabalho contínuo, consistente e estratégico.
FightNews: Que tipo de trabalho tem sido desenvolvido pela CBMT para manter o Brasil como uma potência mundial no Muay Thai?
O trabalho da CBMT é baseado em pilares muito bem definidos e estratégicos. Um dos principais pontos que implementámos foi o estudo técnico aprofundado dos principais atletas do Muay Thai mundial.
Outro pilar fundamental é o calendário oficial de competições, estruturado de forma inteligente, permitindo que o atleta evolua etapa por etapa e atinja o pico de performance no momento certo.
Esse conjunto de ações é o que sustenta o Brasil no mais alto nível do Muay Thai mundial.
FightNews: Até que ponto o investimento em formação, estágios e acompanhamento técnico foi determinante para estes resultados?
Foi absolutamente determinante. Nenhum resultado desse nível acontece por acaso — é consequência direta de investimento contínuo em formação, estágios e acompanhamento técnico de qualidade.
Esse conjunto faz toda a diferença no alto rendimento. No nível mundial, todos são bons — o que separa os campeões é o cuidado nos detalhes.
FightNews: Tivemos campeões em várias categorias, desde Youth até profissional. Como avalia esta consistência transversal da equipa brasileira?
Essa consistência é um dos maiores sinais de que o trabalho está a ser feito da forma correta. Quando existem resultados expressivos em todas as categorias, isso mostra que não se trata de um pico isolado, mas sim de um sistema sólido de formação.
Já fizemos quase 50 campeões mundiais nos mundiais na Tailândia, desde Kids até ao profissional, isso é resultado.
Essa consistência transversal garante que o Brasil se mantém competitivo em todas as faixas etárias.
FightNews: O Mundial decorreu na Tailândia, berço do Muay Thai. Que significado tem conquistar estes resultados precisamente nesse palco?
Conquistar esses resultados na Tailândia tem um significado muito especial, porque estamos a falar do berço do Muay Thai.
Vencer e conquistar medalhas nesse cenário representa não apenas um resultado desportivo, mas também um reconhecimento técnico e cultural.
Sair da Tailândia com esse desempenho histórico reforça ainda mais a nossa credibilidade e coloca definitivamente o Brasil como uma potência mundial da modalidade.
FightNews: Quais são os principais objetivos da Confederação Brasileira de Muay Thai para o restante da temporada?
Neste momento, estamos totalmente focados em dois grandes eventos do calendário: a Copa do Brasil de Muay Thai, que acontece em maio, e o Campeonato Brasileiro, que será realizado em novembro.
Estamos também a investir fortemente na profissionalização das transmissões com a TV CBMT, garantindo uma cobertura completa e de alto nível das competições.
O objetivo é continuar a elevar o nível do Muay Thai no Brasil.
FightNews: Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar aos atletas, treinadores e apoiantes que contribuíram para este resultado histórico?
Primeiramente, quero deixar o meu profundo agradecimento à Fight News, ao meu querido amigo Daniel Quiroga e a todos os atletas que representaram o Brasil neste Mundial. Cada um de vocês entrou no ringue com coragem, disciplina e entrega total. Vocês não apenas competiram — vocês fizeram história e elevaram o nome do nosso país no cenário mundial do Muay Thai.
Esse resultado é coletivo. Nada disso seria possível sem o compromisso, a dedicação e o trabalho incansável de toda a comitiva brasileira: treinadores, staff, assistentes e todos os envolvidos.
Quero também deixar uma palavra de reconhecimento especial a todos os treinadores e equipas que estiveram nos bastidores.
E deixo uma mensagem final: isto é apenas o começo. O Brasil está a mostrar ao mundo a sua força no Muay Thai, e juntos vamos ainda mais longe.
Para os instrutores e professores que ainda não são filiados à CBMT, esta é uma oportunidade de fazer parte de um sistema estruturado e reconhecido.
Quero ainda agradecer a todo o nosso staff: o diretor de arbitragem Prof. Gilson Coelho, o coordenador de eventos Mestre Edson Santos, o coordenador de montagem de eventos Beto Rodrigues, a nossa secretária Bia, os nossos árbitros seniores Mestres Carlos Eduardo, Francisco Azevedo, Mariana Barcellos, Clayton Mangueira, Adriano, Didi, Lamar da Silva, professor Joca, entre outros membros.
A participação do Brasil no Mundial da Tailândia marca um momento histórico para o Muay Thai internacional. Mais do que medalhas, o resultado reflete um trabalho estruturado, consistente e ambicioso que posiciona o país entre as maiores potências da modalidade.
Sob a liderança do Grão Mestre Artur Mariano, o futuro do Muay Thai brasileiro apresenta-se sólido e promissor, com bases fortes para continuar a formar campeões e elevar o nome do país nos maiores palcos do mundo.











