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Matheus Toledo: do projeto social ao título mundial de Muay Thai na Tailândia

Campeão mundial Youth revela a importância da consistência, da experiência competitiva e da evolução mental

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
03/04/2026 às 15h49
Matheus Toledo: do projeto social ao título mundial de Muay Thai na Tailândia
Imagem MÍDIA BLACK BELT

Matheus Toledo é um dos mais recentes nomes a emergir no panorama internacional do Muay Thai, após conquistar o título mundial de Muay Thai Youth (16/17 anos) na Tailândia em 2026. Com um percurso que começou num projeto social e evoluiu rapidamente para os principais palcos competitivos, o jovem atleta brasileiro afirma-se como um exemplo de disciplina, resiliência e foco.

Tricampeão brasileiro e agora campeão mundial, Mateus representa uma nova geração de lutadores que alia talento natural a uma forte capacidade de adaptação mental, algo essencial num desporto exigente como o Muay Thai. A sua caminhada até ao ouro ficou marcada não só pelo desempenho dominante em ringue, mas também por desafios fora dele, incluindo uma viagem atribulada até à Tailândia e momentos de elevada pressão competitiva.

Nesta entrevista, o atleta partilha as suas origens, o impacto das artes marciais na sua vida e as ambições que já começam a desenhar o próximo capítulo da sua carreira.

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FightNews: Matheus, como é que surgiu a tua paixão pelos desportos de combate e o que é que te cativou especificamente no Muay Thai para decidires que este seria o teu caminho?

Então, surgiu quando um projeto social ali no Parque Olímpico começou, e eu, como um garoto muito agitado, sempre dava trabalho, problema, energia de sobra. Aí a minha mãe decidiu apresentar-me a esse projeto. E eu comecei lá, e destaquei-me bem rápido. Foi quando conheci também a CBMT, onde participei no primeiro Campeonato Brasileiro e na Copa Brasil.

Imagem MÍDIA BLACK BELT

FightNews:Muitos dizem que o ringue é uma escola de vida. De que forma é que a disciplina das artes marciais moldou o teu caráter e te ajudou a evoluir como pessoa fora do ringue?

O ringue é literalmente uma escola de vida para mim. Foi ali que aprendi disciplina de verdade, não só no treino, mas na minha rotina inteira. Há dias em que não tenho vontade nenhuma de treinar, estou cansado, com problemas na cabeça… mas mesmo assim vou. Isso foi moldando a minha mente para não depender só da motivação, mas da constância.

FightNews:Qual tem sido a importância da CBMT (Confederação Brasileira de Muay Thai) na tua evolução técnica e de que forma sentes que a federação te capacitou para chegares ao topo do mundo?

Eu não treino diretamente com a CBMT, mas, por causa dos eventos da CBMT, como o Campeonato Brasileiro de Muay Thai, onde sou tricampeão, e o Campeonato da Tailândia, deram-me muito apoio e experiência para chegar ao alto nível.

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FightNews: Depois da medalha de prata em 2024, o que é que sentiste ao sagrar-te Campeão Mundial Youth 16/17 anos em 2026, com uma prestação tão dominante de dois combates e dois nocautes?

Senti ainda mais vontade de continuar, porque sabia que aquilo não era o meu máximo, que conseguia mais. Não deixei isso desmotivar-me e continuei a dar o meu máximo. Em 2024, eu tinha apenas 15 anos e sentia muita pressão no ringue, não tinha ainda a frieza. Aquele frio na barriga tirava o meu foco. Trabalhei muito isso, fiz muitos sparrings, treinei com pessoas mais experientes. Hoje estou mais confiante e perdi esse medo. Foi isso que me atrapalhou na altura.

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FightNews:A tua final foi adiada três vezes devido à doença do teu oponente. Como é que geriste a ansiedade e o foco mental para manteres o peso e a forma até ao momento em que finalmente conseguiste o nocaute da vitória?

A gente vai ficando ansioso, não é? Foi muito difícil, porque nos preparamos todos os dias a pensar naquele momento. Foram três dias só de foco e ansiedade. Mas coloquei-me no lugar dele também. Foi muita correria para eu chegar ao Mundial. Aceitei isso com tranquilidade e acabei por ser campeão com honra.

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FightNews:A tua viagem para a Tailândia foi digna de um filme, com desvios devido à guerra e passagens pela neve antes de chegares ao calor de Banguecoque. De que forma é que todas essas contrariedades te deram ainda mais força para lutar pelo ouro?

Foi uma loucura. Passei por vários países que nunca pensei conhecer. Essa volta ao mundo fez-me pensar que eu não estava ali por acaso. Mesmo com cancelamentos de voos e dificuldades, consegui chegar à Tailândia. Sou um cara muito espiritual e acreditei que havia um motivo para tudo isso. Juntei isso à confiança dos outros campeonatos e pensei: se cheguei até aqui, é porque tem um propósito.

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FightNews:Sendo já tricampeão brasileiro e campeão mundial, quais são os teus próximos grandes objetivos para o resto deste ano de 2026?

Este ano quero fazer mais campeonatos de Muay Thai. Vou também participar numa seletiva de Boxe no Brasil. E a minha verdadeira intenção é ir para o MMA. Já estou a treinar com uma boa equipa, e agora é dar o meu máximo. Tenho a certeza de que vou conseguir.

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FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a todos os que te acompanham, à CBMT, tua equipa e a todos os que torceram por ti durante esta caminhada até ao título mundial?

Muito obrigado a todos que me apoiaram. O pessoal da praia que me ajudou, a minha mãe, o meu padrasto Flávio, o meu pai que está no céu, a minha avó, toda a minha família, amigos e equipa. Jonas Bilharinho, Projeto Vitória, Macarrão do Boxe, Marcelo, dono do Vitória… esse pessoal todo, estamos juntos.

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