Com apenas 14 anos, Maria Clara Agostinho já começa a traçar o seu caminho no competitivo universo do Jiu Jitsu. Atleta da equipa RPGC Portugal, compete na categoria infantojuvenil meio-pesado e soma já conquistas importantes, como os títulos no Winter e no Open Kids no Brasil.
Filha de um faixa-preta e ex-lutador profissional de MMA, Maria Clara cresceu rodeada pelas artes marciais, num ambiente familiar onde o Jiu Jitsu faz parte do quotidiano. Agora, depois de experimentar o sabor das primeiras vitórias, a jovem atleta portuguesa começa a definir objetivos mais ambiciosos, incluindo competir no Pan-Americano e no Mundial nos Estados Unidos.
Nesta entrevista, Maria Clara fala sobre as suas origens no desporto, a influência do pai, os valores que leva do Jiu Jitsu para a vida e os desafios que tem pela frente.
FightNews: Maria Clara, tens apenas 14 anos e já estás envolvida no Jiu-Jitsu competitivo. Como começou a tua ligação ao desporto e às artes marciais?
Eu já nasci no meio das lutas. A minha família, por parte de pai, é de lutadores. O meu pai é faixa preta e foi lutador profissional de MMA, os meus tios são faixas pretas. Resumindo, quase todos na família são do Jiu Jitsu, então foi natural. Já está no ADN
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FightNews: Sabemos que o teu pai, que é faixa preta de Jiu Jitsu e atualmente árbitro de competições, teve influência no teu início na modalidade. De que forma ele te incentivou a entrar no Jiu-Jitsu e qual foi o papel dele nesse primeiro passo?
Com certeza o meu pai teve uma forte influência no meu início. O meu pai foi lutador profissional de MMA e lutou vários campeonatos de Jiu Jitsu, entre Mundiais, Brasileiros e Pan-Americanos.
Lá em casa eu e as minhas irmãs treinamos Jiu Jitsu porque o meu pai acha muito importante aprendermos a defender-nos, e o Jiu Jitsu é indiscutivelmente a melhor e mais completa arte marcial para treinar defesa pessoal.
O meu pai sempre deu foco à defesa pessoal. A maior preocupação dele comigo e com as minhas irmãs é aprendermos a defender-nos numa situação real de rua. Então ele está sempre a cobrar disciplina para estarmos a treinar, tanto para defesa pessoal como para as competições.
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FightNews: Atualmente competes na categoria infantojuvenil meio-pesado e representas a equipa RPGC Portugal. O que significa para ti fazer parte desta equipa?
Para mim é muito importante. Eu não estou nesta equipa por acaso. O professor Lucas Julião, responsável pela RPGC, treinou com o meu pai logo quando chegou aqui a Portugal, ainda na faixa roxa, sendo graduado a faixa castanha pelo meu pai.
Hoje ele é faixa preta e um dos melhores professores que conheço, com uma didática excecional para a evolução do Jiu Jitsu. Estou a treinar com ele porque o meu pai já não está a conseguir dar aulas devido às obrigações em algumas organizações onde trabalha a coordenar.
Então o meu pai falou com o Lucas para ficar a treinar-me. Tenho muito orgulho em representar esta equipa.
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FightNews: O Jiu-Jitsu é conhecido por transmitir valores fortes dentro e fora do tatame. Que ensinamentos das artes marciais sentes que já levas contigo para a tua vida pessoal?
Respeito, disciplina, lealdade e humildade.
FightNews: Estamos no início de uma nova época desportiva. Que objetivos traçaste para 2026 dentro do Jiu-Jitsu?
Eu estou a começar praticamente agora nas competições. Lutei apenas duas competições porque sempre dei mais importância ao Jiu Jitsu como uma arte marcial para defesa pessoal. Nunca gostei muito das competições.
Porém senti o gostinho das vitórias nas duas competições em que participei. Gostei de sentir aquela adrenalina boa antes da luta. Então decidi que quero participar em mais competições a níveis internacionais.
Vou lutar alguns campeonatos regionais para me preparar para lutar o campeonato Pan-Americano e o Mundial lá nos Estados Unidos. A maior competição de Jiu Jitsu do mundo é lá na Pirâmide, na Califórnia, e eu quero e vou lutar esse campeonato.
FightNews: Há competições específicas em que gostarias de participar nos próximos meses ou que já tens em vista no teu calendário?
Eu gosto de pensar numa coisa de cada vez. Então estou a pensar primeiro nos campeonatos regionais.
O meu próximo desafio é o Campeonato Europeu da ESJJF, que será realizado em Setúbal nos dias 23 e 24 de maio.
Imagem cedida Sandro Barbosa
FightNews: O Jiu-Jitsu feminino tem crescido bastante nos últimos anos. Como te sentes por fazer parte desta nova geração de atletas?
Para mim é uma honra muito grande, até porque, como eu falei, já venho de uma família de lutadores. Quase toda a minha família treina Jiu Jitsu, então encaro isso de uma forma muito natural.
FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a todas as meninas que gostariam de experimentar o Jiu-Jitsu, mas que ainda se sentem inseguras ou com receio de dar o primeiro passo?
A primeira coisa que eu diria é: procurem uma boa escola de Jiu Jitsu, com um bom professor que siga e tenha os valores da arte marcial.
O Jiu Jitsu, como defesa pessoal, é a melhor que existe, principalmente para as mulheres. O meu pai costuma falar que o Jiu Jitsu foi feito para mulher, onde é usado 100% técnica e quase zero de força.