Xicão Joly é um dos nomes mais reconhecidos da locução em eventos de desportos de combate no Brasil e além-fronteiras. Com mais de 530 eventos anunciados ao longo da sua carreira, o announcer brasileiro construiu um percurso sólido, marcado pelo profissionalismo, respeito pelos atletas e uma profunda ligação ao Muay Thai. Actualmente a residir nos Estados Unidos, continua atento ao crescimento do mercado internacional, incluindo a Europa e, em particular, Portugal. Em entrevista, Xicão Joly revisita o seu trajecto, partilha aprendizagens e fala sobre reconhecimento, responsabilidade e futuro.
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FightNews: Como começou o teu percurso como announcer e de que forma esse primeiro passo moldou a tua carreira?
Comecei a treinar na Academia Chute Boxe, em Curitiba, no estado do Paraná, em 1986, absorvendo conhecimento sobre a história do Muay Thai, facto esse suficiente para ser “convocado” a fazer o cerimonial durante uma apresentação da academia num local público, o que, a partir daí, me levou a procurar oportunidades nos eventos, inicialmente em Curitiba e depois por todo o Brasil.
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FightNews: Ao longo dos mais de 530 eventos anunciados no Brasil, quais foram os momentos que mais te marcaram profissionalmente?
Cada evento é um evento, com a sua particularidade, seja numa luta em especial, seja em situações específicas. São muitos exemplos, talvez deva citar alguns: o primeiro casamento em cima de um ringue, na cidade de Ponta Grossa – Paulão Imperador e Sandra Imperatriz Zenidin.
O primeiro evento à beira-mar, na Praia de Imbé. O primeiro evento num campo de futebol no Brasil, em Ribeirão Preto. O primeiro evento dentro de um rodeio, em Brasília.Claro que o facto de poder ter trabalhado e “dividido” o mesmo palco com Lenne Hardt quando produzi o evento Arzalet, assim como trabalhar com Mario Yamasaki, ou ainda recepcionar a embaixadora da Tailândia, Sirre Bunag, quando da sua vinda para quatro dias de seminário sobre Muay Thai, além, claro, das premiações.
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FightNews: Que aprendizagens consideras fundamentais após tantos anos ligados a grandes produções de eventos de desportos de combate?
Que “fazemos parte do show”, mas não somos o show, pois “o show são os atletas”, eles é que fazem acontecer. Além disso, a cada evento aprendemos — anunciando, produzindo, montando cards de lutas, adquirindo know-how e expertise — e, principalmente, criando o nosso próprio estilo, pois cópias são perigosas e podem levar-nos ao ridículo. Podemos ter referências, sim, mas jamais cópias.
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FightNews: Resides actualmente nos Estados Unidos. De que forma essa mudança influenciou a tua visão sobre o mercado internacional?
Essa influência já vem de há muito tempo, pois sempre me permiti acompanhar vários eventos ao redor do mundo, desde o “Vale Tudo”, Pride, entre outros, até aos dias de hoje. Essa atenção constante aos eventos deixou-me bastante à vontade em relação ao mercado internacional.
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FightNews: O que acreditas que diferencia o teu trabalho como locutor num contexto global?
Penso que a dedicação ao trabalho, procurando fazer sempre o melhor, a seriedade e, principalmente, o respeito por quem faz o show e por quem produz o show.
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FightNews: Para além de locutor, também trabalhaste na produção de eventos. De que forma essa experiência complementa o teu desempenho no palco?
É um conjunto de acções que aumenta ainda mais a responsabilidade, mas o segredo está em “delegar poderes” e saber como e porquê treinar o staff, procurando as pessoas certas e, principalmente, escolhendo que show devo fazer e quem está realmente a procurar sucesso e a apoiar. O investidor quer resultado e palco é palco, bastidor é bastidor; resta saber como vamos trabalhar com isso.
FightNews: O que significa, na prática, procurar sempre a excelência e a qualidade em cada evento?
Tentar fazer o melhor com aquilo que temos e com o que nos foi proposto, usando o conhecimento para contornar os problemas que possam surgir. Cada país tem a sua cultura e produção diferentes, mas o básico, o “feijão com arroz”, tem de ser cumprido, ou seja, menos é sempre mais.
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FightNews: Em 2025 recebeste o Prémio Personalidade Internacional da Revista Primeiro Round. Que significado teve este reconhecimento para ti?
Por mais que o tempo passe, quando somos reconhecidos, a qualquer momento, é sinal de que o nosso trabalho foi valorizado. Isso traz uma felicidade imensa e uma eterna gratidão pela lembrança, em especial da mídia especializada que, com tanto custo, segue firme no seu propósito de crescimento. Afinal, a Primeiro Round completa 20 anos em 2026.
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FightNews: A entrada no Hall da Fama da Confederação Brasileira de Muay Thai representa um ponto alto na tua carreira. Estes prémios aumentam a responsabilidade e a exigência em cada novo evento?
Ser lembrado pela dedicação às artes marciais, em especial ao Muay Thai, é algo difícil de explicar, sobretudo pelo trabalho que o GM Artur Mariano vem desenvolvendo na CBMT. Isso coloca-nos numa posição em que devemos não só honrar, mas continuar a procurar a excelência, fazendo com que possamos permanecer neste momento colaborativo.
FightNews: Por fim, onde gostarias de ver o nome Xicão Joly nos próximos anos?
Trabalhamos para atingir novos mercados, procurando mostrar o nosso trabalho e dar continuidade, inclusive colaborando na produção, mapeamento e apresentação. As metas passam por conquistar esses mercados e a Europa é um destino — em especial Portugal — que demonstra um crescimento enorme. Colocar o conhecimento à disposição é o mínimo que posso fazer.
Neste momento, quero aproveitar a oportunidade para agradecer à Fight News e aos seus colaboradores pela lembrança do meu nome e consequente divulgação a novos mercados, o que com certeza vai acontecer pela influência que vocês têm a divulgar e a fazer acontecer. O meu muito obrigado, mais uma vez.
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