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Marcelo Woo é finalista dos World Sports Photography Awards

Fotógrafo brasileiro é finalista com quatro imagens na categoria de desportos de combate da mais prestigiada distinção mundial da fotografia desportiva.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
27/12/2025 às 13h51 Atualizada em 03/01/2026 às 15h09
Marcelo Woo é finalista dos World Sports Photography Awards
Imagem Marcelo Woo

Marcelo Woo está a representar o Brasil como finalista do World Sports Photography Awards, a maior e mais prestigiada premiação de fotografia desportiva do mundo. Com quatro fotografias apuradas para a final na categoria de desportos de combate, o fotógrafo brasileiro coloca o seu país em destaque no panorama global da fotografia desportiva. Nesta entrevista, Marcelo Woo fala sobre este reconhecimento internacional, o seu percurso, a paixão pelas modalidades de combate e os desafios da profissão.

FightNews: Marcelo, estás entre os finalistas do World Sports Photography Awards, uma das mais prestigiadas distinções da fotografia desportiva mundial. O que representa para ti este reconhecimento internacional e para a fotografia brasileira?

Sinto-me muito privilegiado por ter o meu trabalho como finalista numa competição tão acirrada.

No total, participaram mais de 23.000 imagens, de 4.100 fotógrafos, provenientes de 123 países, na sétima edição do World’s Sports Photography Awards.

Muitos fotógrafos ambicionam estar nesta posição e poder representar o Brasil no meio de tantos outros profissionais talentosos é, para mim, uma grande honra.

Imagem Marcelo Woo

FightNews: Com quatro fotografias finalistas na categoria de desportos de combate, como avalias o impacto desta nomeação não só na tua carreira, mas também na projecção do Brasil no panorama global da fotografia desportiva?

Acredito que a exposição proveniente de ser finalista irá gerar muitas oportunidades na minha carreira.

O Brasil conta com uma gama de fotógrafos super talentosos, que trabalham arduamente para sustentar as suas famílias através da fotografia. Infelizmente, assim como acontece com outras profissões não tradicionais, a fotografia não é valorizada da forma que deveria no Brasil.

Espero que isso mude no futuro e que seja mais breve do que imagino.

FightNews:Como começou o teu percurso na fotografia? Foi inicialmente um hobby que, com o tempo, se transformou numa carreira profissional?

Quando morava no Brasil, sempre me interessei por fotografia. Porém, devido ao altíssimo investimento necessário e aos riscos envolvidos, nunca tive coragem de seguir essa carreira no Brasil.

Sempre estudei muito sobre o assunto e, assim que me mudei para o Canadá, investi no meu primeiro equipamento para colocar a teoria em prática.

Imagem Marcelo Woo

FightNews: Em que momento sentiste que a fotografia poderia deixar de ser apenas uma paixão e passar a ser o teu principal meio de vida?

No Brasil, eu trabalhava como analista financeiro num dos principais bancos da América Latina.

Apesar de ter uma carreira estável e um emprego considerado bom, eu não sentia prazer na actividade que estava a desempenhar.

Quando me mudei para o Canadá, decidi que jamais voltaria a trabalhar num banco e que, se fosse investir em algo, seria naquilo que amo.

FightNews: Os desportos de combate ocupam um lugar central no teu trabalho. O que representam estas modalidades como fonte de inspiração para a tua fotografia?

Sempre fui fã de desportos de combate, principalmente jiu-jitsu e MMA.
Passava a madrugada acordado para assistir às maiores lendas do UFC na televisão.
Para mim, não existe fonte de inspiração maior do que trabalhar com aquilo que se ama.

Imagem Marcelo Woo

FightNews: Que elementos procuras captar quando fotografas uma luta — técnica, emoção, tensão, narrativa — e como trabalhas o timing para congelar o momento certo?

Muitas pessoas fazem-me exatamente essa pergunta e a minha resposta é sempre a mesma.
O objetivo por trás da minha fotografia é trazer algum tipo de sentimento e emoção aos visualizadores.
Uma boa foto não é necessariamente a foto mais nítida ou com a composição perfeita.
Uma boa foto é aquela que te faz sentir.

FightNews: Ao longo da tua carreira, há algum trabalho, evento ou imagem que te tenha marcado de forma especial, seja pelo contexto, pela dificuldade ou pelo significado pessoal?

Com toda a certeza, um evento que vai ficar marcado para sempre e que eu jamais vou esquecer foi o UFC 317 (Topuria vs. Oliveira).
Esse foi o primeiro evento em que o UFC me concedeu acesso para fotografar do Octógono, e receber a credencial nas minhas mãos foi uma sensação indescritível.

FightNews: Como é fotografar modalidades onde tudo acontece em fracções de segundo e onde a leitura do combate é tão determinante quanto a técnica fotográfica?

Fotografar MMA não é tarefa fácil.
Por ser um desporto extremamente rápido, qualquer descuido faz com que se perca o momento.
Tive o privilégio de ser mentorado por um dos maiores neste meio: Leandro Bernardes, um dos fundadores da PX.IMAGES.
Lembro-me até hoje de todas as suas dicas, e a mais importante delas:
Se viste o golpe pelo visor da câmara, perdeste o momento.
Ou seja, neste desporto, é preciso antecipar as ações e começar os cliques antes do golpe em si.

Imagem Marcelo Woo

FightNews:Que desafios sentes que a fotografia desportiva, em especial a de combate, ainda enfrenta a nível de valorização e reconhecimento profissional?

Acredito que, como toda profissão não tradicional, a fotografia de desportos não é valorizada como deveria, principalmente em países emergentes.
São pouquíssimos os fotógrafos que conseguem viver inteiramente deste meio e dedicar-se 100% a isso.

FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a todos os fotógrafos emergentes que veem na fotografia desportiva uma forma de contar histórias e elevar o desporto a outro nível?

A minha principal mensagem é a mesma que a minha mãe me transmitia quando eu era criança: estuda muito para seres alguém na vida.
Busca expandir o teu repertório cultural com outras formas de manifestações artísticas.
Acredito piamente que ter uma extensa bagagem cultural influencia muito a qualidade final do trabalho.
Inspiro-me muito nas obras de Caravaggio e utilizo elementos presentes nas suas pinturas nas minhas fotos.

Imagem Marcelo Woo

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