
Ailton Monteiro é um jovem atleta de Boxe que começou a sua carreira em Cabo Verde, inspirado pelo irmão mais velho, Kleber. Ao longo dos anos, o seu percurso foi marcado por desafios, aprendizagem e evolução constante. Atualmente em Portugal, treina na Associação de Boxe Paulo Seco e já se destaca nos ringues com objetivos ambiciosos, incluindo a qualificação para os Jogos Olímpicos de 2028. Nesta entrevista, Ailton partilha o seu percurso, as experiências que o moldaram e os planos para o futuro.
FightNews: Começaste no Boxe muito jovem. Que papel teve o teu irmão Kleber na tua entrada e permanência na modalidade?
O meu irmão foi basicamente a referência e o exemplo mais próximo de um atleta focado, dedicado e disciplinado que eu tive e que ainda tenho. Isso ajudou-me a ver que eu também poderia ser tudo isso se seguisse no desporto igual a ele. Ele também sempre me mostrou que havia um lado bom em fazer todos os sacrifícios que tinha de fazer.
Imagem cedida Ailton Monteiro
FightNews: Na primeira fase acabaste por te afastar dos treinos. O que mudou em ti para regressares ao Boxe com mais foco e determinação?
A idade e o vício em treinar. Quando voltei a treinar, com 16 anos, a minha forma de pensar era outra e, com o tempo a treinar, comecei a viciar-me nos treinos e em aprender coisas novas. Viciei-me em melhorar, a ponto de chegar a ir treinar 2 horas antes do treino começar, só pela vontade de fazer aquilo.
FightNews: Fizeste cerca de 25 combates em Cabo Verde. Que balanço fazes dessa fase da tua carreira?
Foi uma fase muito importante na minha carreira porque, nesta fase, comecei a entender como funcionam as coisas em relação aos campeonatos, corte de peso, fairplay, combates… coisas importantes para um atleta saber. Foi também nesta fase que desenvolvi muitos comportamentos bons que até hoje me ajudam a ser um atleta melhor.
Imagem cedida Ailton Monteiro
FightNews: O combate contra o teu próprio irmão no Campeonato Nacional marcou-te bastante. Porque dizes que essa derrota foi a melhor coisa que te aconteceu no Boxe?
Foi muito importante e talvez a coisa mais importante que me aconteceu no meu percurso de combates em Cabo Verde. Com aquela derrota, comecei a perceber realmente que no ringue há mais coisas que podem determinar um combate. Vi que, mesmo sendo um bom atleta, posso perder por não ter experiência em combates.
Imagem cedida Ailton Monteiro
FightNews: Como surgiu a oportunidade de vires para Portugal através do Boxe e que diferenças sentiste entre o Boxe praticado em Cabo Verde e o Boxe em Portugal?
Na verdade, vim para Portugal para estudar, mas encontrei algumas dificuldades que não me permitiram prosseguir. Então decidi trabalhar e fazer o Boxe depois do trabalho. A diferença é enorme: em Cabo Verde há menos condições financeiras para organizar eventos grandes anualmente, e consequentemente há menos eventos de Boxe, quer sejam galas ou campeonatos. Mesmo que eu lutasse durante um ano inteiro, o número de combates seria muito menor do que o que faço aqui em Portugal. A qualidade dos eventos realizados aqui é, sem dúvida, muito maior, e o número de campeonatos e galas que podem ser feitos em Portugal num ano é bem superior ao de Cabo Verde.
Imagem cedida Ailton Monteiro
FightNews:Treinas há um ano na Associação de Boxe Paulo Seco. O que torna esta equipa tão importante para a tua carreira?
A importância desta equipa para a minha carreira vem do facto de ter atletas de várias nacionalidades e com diferentes níveis de experiência. Assim, sempre tenho um campo de treino diversificado, em vez de apenas treinos regulares. Também acompanho de perto o treinador Paulo Seco, que é o melhor treinador de Portugal, sem dúvidas. Isso permite-me ter um nível de condicionamento físico e técnico bastante elevado.
FightNews:Quais são os teus principais objetivos a curto e médio prazo no Boxe?
A curto prazo, quero fazer o meu nome aqui em Portugal. Para 2026, pretendo fazer mais combates e ganhar ainda mais experiência. A médio prazo, quero qualificar-me para os Jogos Olímpicos de 2028 em Los Angeles (EUA) e lá fazer o melhor possível, deixando a minha marca no Boxe cabo-verdiano.
Imagem cedida Ailton Monteiro
FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar a quem te acompanha e acredita no teu trabalho?
Queria agradecer a todos. Muito obrigado por estarem a acompanhar e a apoiar, com palavras que me dão força e motivam a trabalhar. Em breve as coisas irão melhorar, e vamos poder ir mais longe e fazer ainda mais do que temos feito.