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“O Jiu Jitsu é o meu alicerce”: a história inspiradora de Diogo da Matta
Atleta da Constrictor Team partilha a sua trajectória marcada por resiliência, família e paixão pelo Jiu Jitsu.
16/12/2025 18h17 Atualizada há 6 meses
Por: Redação Fonte: Redação Fight News

O Jiu Jitsu tem o poder de transformar vidas, e a história de Diogo da Matta é um exemplo claro disso. Atleta de atleta da Constrictor Team, engenheiro ambiental e pai dedicado, Diogo encontrou na arte suave muito mais do que um desporto: encontrou equilíbrio, superação e propósito. Nesta entrevista, partilha a sua trajectória, os desafios enfrentados, a importância da família, da equipa e os valores que carrega para a vida.

FightNews: Conte-nos um pouco sobre a sua trajectória nas artes marciais. Como começou e quais foram as principais motivações no início?

Na adolescência cheguei a treinar alguns meses de Jiu Jitsu, mas sem graduar. Depois, durante muito tempo, o meu desporto foi o ciclismo e o cicloturismo.
Após o nascimento do meu filho, há nove anos, foi um grande baque, pois ele acabou por nascer prematuro extremo, o que trouxe muitas dificuldades. Ele mostrou-me o que é garra de verdade e venceu todas as batalhas da prematuridade extrema, passando por várias cirurgias e procedimentos ainda muito pequeno.
Nessa época acabei por parar todos os desportos para me dedicar à minha família e acabei por aumentar muito de peso, chegando aos 124 kg. A minha retoma ao desporto foi precisamente através do Jiu Jitsu. Tenho um grande amigo faixa-preta que me incentivou a começar, o Wilson Pedrosa. O meu filho também me motivou, pois queria ser um exemplo para ele e poder ensinar-lhe tudo.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews:Fizeste a tua primeira luta casada no evento BSB Fight contra um faixa-preta 3.º grau, sob regras ADCC. O que te motivou a aceitar esse desafio?

Sou movido a desafios. Este ano, ao competir no ADCC Open em Brasília, eu era o único faixa-marrom, pois o ADCC tem a categoria advanced, que já inclui faixas-marrom e pretas. Lutei muito bem, perdi por dois pontos, mas vi que já estava a lutar de igual para igual.
Actualmente treino de segunda a sábado com os atletas mais duros da academia, geralmente sempre com faixas-pretas, como o Kim Ludgero, filho do mestre Ataíde, que foi número um do mundo na faixa-marrom no-gi, um atleta duríssimo; o Marceu Peixoto, também atleta de destaque nacional no Jiu Jitsu, com um jogo muito sólido.
O meu lema é: respeita todos, mas não temas ninguém. Quando surgiu a oportunidade, aceitei na hora.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews: A luta terminou empatada, com uma kimura encaixada no final. Que sentimento ficou após o combate?

Saí com um sentimento de vitória, não só pela posição encaixada, mas por ter feito frente, por ter encarado o desafio e por não ter sido colocado em nenhuma posição de risco durante a luta.
Consegui representar a minha equipa, com a minha esposa, o meu filho, os meus professores e o mestre Ataíde a assistir. O sentimento final foi de orgulho e já de prontidão para os próximos desafios.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews: Achas que este tipo de formato, “valendo apenas finalização”, expõe mais o verdadeiro jiu-jitsu do atleta?

É um formato de que gosto muito. Acho que a essência do Jiu Jitsu é a finalização e esse é, e sempre será, o meu objectivo. Lutar para ganhar por pontos não é algo que eu procure e acho que não representa os verdadeiros valores do Jiu Jitsu. Portanto, a resposta é sim, com toda a certeza.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews: A Constrictor Team é uma das academias mais tradicionais no jiu-jitsu sem kimono. O que representa a equipa e o mestre Ataíde Júnior na sua trajectória?

A Constrictor acolheu-me como uma família. Tenho muito orgulho em fazer parte e em poder representar este time nos tatames.
O mestre Ataíde é uma referência do Jiu Jitsu no mundo da luta. Somos uma linhagem directa do mestre Hélio Gracie. O mestre do Ataíde foi o mestre Armando Wriedt, um dos sete alunos privilegiados a receber a faixa vermelha directamente das mãos de Hélio Gracie, em 1991. Ele faleceu em 2019, aos 94 anos, e o mestre Ataíde deu continuidade a esse legado com a Constrictor Team.
Ser aluno do mestre Ataíde é uma grande honra e um orgulho que carrego comigo. Isso moldou o meu Jiu Jitsu, uma escola de constrição, de jogo justo e sempre com muita pressão, inspirada na serpente boa Constrictor, que mata as suas presas através da constrição.

Imagem Instagram

FightNews:Treinar numa academia que já formou atletas de UFC e que conta com nomes como Rany Yahya influencia a exigência diária nos treinos?

Com certeza. A régua na Constrictor é alta e o nível dos treinos é muito elevado. Isso inspirou-me e continua a inspirar-me a ser melhor e a mostrar nos tatames o valor do nosso Jiu Jitsu.
O Rany Yahya é um dos maiores finalizadores do UFC e do MMA. Ter tantos competidores de alto nível sempre me motivou a competir em campeonatos, e eu competi desde a faixa-branca.
A competição, para mim, é uma grande mola propulsora de evolução. Aquilo que tu eras num campeonato, voltas tão focado que muitas vezes te tornas especialista naquela posição. Como diz o professor Marceu Peixoto, um campeonato equivale a cem treinos. Quando ganhas, isso dá-te incentivo e confiança de que o trabalho está a ser bem feito. Além disso, traz ensinamentos valiosos para a vida, como lidar com pressão, agir com calma mesmo com a adrenalina alta — aspectos que têm enorme valor em todas as áreas da minha vida.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews: Para além de atleta, és engenheiro ambiental e desempenhas cargos de grande responsabilidade. Como consegues conciliar treinos, trabalho e competição?

Esse é um grande desafio, mas para mim os treinos e o Jiu Jitsu são a minha válvula de escape para que tudo funcione bem. Todos vivemos sob muita pressão e acredito que ter um desporto como válvula de escape é fundamental para manter o equilíbrio.
O treino é para mim uma prioridade e uma necessidade, tal como comer ou beber água. Faço sempre por conseguir treinar, tanto musculação como Jiu Jitsu. Sem isso, com certeza não conseguiria lidar com toda a pressão do dia-a-dia.
Treino sem deixar de lado nenhuma das minhas obrigações profissionais, nem o meu papel de pai e de marido. O meu filho treina actualmente também e sou eu que o levo três a quatro vezes por semana. Desde pequeno que o levava comigo para os treinos e hoje ele ama o Jiu Jitsu. Para ele, é uma ferramenta muito importante, pois tem autismo e TDAH. Tal como transformou a minha vida, vejo que também transforma a dele.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews: Quais os principais valores que a arte suave te ensinou e que levas para a vida?

Disciplina, resiliência, saber lidar com situações de pressão extrema, calma, paciência, respeito e honra. Hoje levo o Jiu Jitsu como uma filosofia de vida e um verdadeiro lifestyle.

FightNews: O que representa hoje o jiu-jitsu na tua vida?

O Jiu Jitsu hoje é o meu alicerce, a minha base. Representou uma transformação na minha vida, tanto física como mental, na forma de ver a vida e de lidar com os problemas. Hoje sei que o Jiu Jitsu me transformou numa pessoa melhor, mais confiante e mais calma nas decisões.

Imagem cedida Diogo da Matta

FightNews: Para finalizar, que mensagem deixas a todos que te apoiaram e admiram a tua trajectória na luta até aqui?

Agradeço imensamente à minha família, à minha esposa e ao meu filho, que estão sempre ao meu lado, aos meus pais e irmãos. Agradeço ao meu mestre Ataíde Júnior, ao Kim Ludgero, Iam Ludgero, Thor Ludgero e Kron Ludgero, filhos do Mestrão; aos professores Marceu Peixoto, Rodrigo Carranca e Breno Gusmão, todos professores da linha da frente da nossa academia.
Aos amigos, amigas e apoiadores que assistiram, torceram e torcem por mim, a minha gratidão. Continuarei a dar o meu melhor dentro dos tatames e ringues para representar a minha escola e todos vocês.
Força, honra e glória. Nunca é tarde para começar: eu comecei aos 36 anos e estou a construir a minha trajectória. Nunca desistam dos vossos sonhos.
Aos pais deixo um recado especial: sejam presentes na vida dos vossos filhos e filhas e sejam exemplo. A palavra ensina, mas o exemplo arrasta. Ser presente na vida de um filho ou filha é a melhor transformação positiva que podemos fazer para o mundo.
Muito obrigado. Oss.