Treinar Muay Thai numa ilha com poucos recursos e sem estrutura dedicada não é tarefa fácil. Mas para "Jamaica", atleta açoriano, residente na Ilha Graciosa e membro da equipa Azores Muay Thai da Ilha de São Miguel, a distância nunca foi um obstáculo suficientemente grande para travar a sua evolução. Entre treinos solitários, viagens constantes e muita disciplina, ele tem construído o seu caminho na modalidade com determinação e ambição. Nesta entrevista, fala sobre o início da sua paixão, os desafios diários e os objetivos para o futuro.
Imagem cedida "Jamaica"
FightNews: Como é que o teu percurso no Muay Thai começou e o que te levou a transformar esta modalidade numa paixão tão forte?
Comecei no Muay Thai como uma forma de melhorar a minha condição física e ganhar disciplina. Mas com o tempo percebi que era muito mais do que isso. A modalidade ensinou-me valores, deu-me foco e ajudou-me a superar limites que eu nem sabia que tinha. Identifiquei-me com a cultura, com a mentalidade e com a forma como o Muay Thai molda o carácter. Hoje faz parte de quem eu sou.
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FightNews: Viver na Ilha Graciosa, um local remoto e sem estruturas de Muay Thai, traz desafios enormes. Como geres essa limitação no teu dia a dia como atleta?
Não é fácil, mas aprendi a adaptar-me. Sempre que estou na Graciosa sigo treinos que o meu treinador prepara especificamente para mim. Tenho um conjunto de treinos prontos, estruturados e planeados por ele, que me permitem continuar a evoluir mesmo sem ter um ginásio ou treinador por perto. Além disso, complemento com corrida, treinos funcionais e trabalho técnico individual. A distância obriga-me a ser disciplinado e acho que isso acabou por me fortalecer.
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FightNews: Tens de viajar frequentemente para São Miguel para treinar com a equipa Azores Muay Thai. Como concilias estas deslocações com a tua vida pessoal e profissional?
É um desafio, porque envolve tempo, custos e organização, mas faz parte do meu compromisso com o desporto. Quando vou a São Miguel aproveito ao máximo cada treino. Planeio a minha rotina pessoal e profissional de forma a não prejudicar a minha preparação. Sei que estas viagens são essenciais para a minha evolução, por isso encaro-as como investimento no meu crescimento como atleta.
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FightNews: Que tipo de treinos consegues realizar quando estás na Graciosa e como te manténs em forma sem acesso a um ginásio ou treinador de Muay Thai?
Na Graciosa mantenho uma rotina consistente: sigo os treinos que o meu treinador me passa, faço shadow boxing, condicionamento físico, mobilidade e corrida. Aproveito qualquer espaço disponível para treinar e procuro manter sempre a técnica fresca, mesmo sozinho. A chave tem sido não perder o ritmo e manter-me focado até voltar a São Miguel para treinar com a equipa.
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FightNews: Já pensaste na possibilidade de abrir, no futuro, um pequeno grupo ou espaço de treino na Graciosa para ajudar outros jovens interessados na modalidade?
Sim, já pensei nisso e gostava muito que acontecesse no futuro. Sinto que o Muay Thai pode transformar vidas como transformou a minha. Seria incrível poder criar um espaço onde os jovens da Graciosa pudessem treinar e conhecer a modalidade. Seria uma forma de devolver algo à minha ilha e fazer crescer o desporto cá.
FightNews: De que forma a equipa Azores Muay Thai te tem ajudado na tua evolução como atleta e que importância têm tido no teu percurso?
A equipa Azores Muay Thai tem sido fundamental na minha evolução. Sempre que estou com eles sinto que dou vários passos em frente: recebo correções, aprendo detalhes técnicos, ganho ritmo e motivação. Eles acreditam no meu potencial e isso dá-me força. É uma equipa que me apoiou desde o início e tem sido uma parte muito importante do meu caminho.
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FightNews: Que objetivos tens para o futuro no Muay Thai?
Quero competir ao mais alto nível possível, ganhar experiência e construir uma carreira sólida como atleta. A curto prazo, focar-me nas minhas primeiras competições oficiais. A longo prazo, quero representar a minha região e mostrar que, mesmo vindo de uma ilha pequena, é possível chegar longe com dedicação.
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FightNews: Como vês o crescimento do Muay Thai nos Açores e o papel que o arquipélago pode vir a desempenhar no cenário nacional da modalidade?
Vejo um potencial enorme. Cada vez há mais interesse e mais atletas com vontade de aprender. Com o apoio certo e com mais visibilidade, os Açores podem tornar-se uma referência no Muay Thai nacional. Temos talento, temos garra e temos espírito de luta, falta apenas mais estrutura e apoio para crescer ainda mais.
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FightNews: Por fim, qual é a mensagem que gostarias de deixar a outros atletas que, como tu, vivem em locais com poucos recursos mas têm grandes sonhos no desporto?
A mensagem que deixo é simples: não deixem que a falta de condições vos faça desistir. Muitas vezes o que importa não é onde estamos, mas o quanto queremos evoluir. Com disciplina, criatividade e consistência é possível ir longe. Cada limitação pode ser transformada em força. Se acreditarem no vosso sonho e trabalharem todos os dias, as oportunidades acabam por aparecer.