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Treino x Ciclo menstrual: o que a ciência já sabe e o que ainda está em aberto
Pesquisas recentes começam a revelar como as fases do ciclo influenciam energia, foco, força e tempo de reação e desmontam mitos
22/11/2025 13h18
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
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Durante décadas, o treino esportivo foi estruturado a partir de um modelo padrão: o corpo masculino, com níveis hormonais relativamente estáveis ao longo do mês. As mulheres é que tiveram de se adaptar.
Agora, a ciência finalmente começa a investigar com mais profundidade uma questão essencial: o ciclo menstrual influencia a performance, o risco de lesão e a resposta ao treino? Vale a pena treinar de maneira diferente em cada fase?

A resposta curta: sim, o ciclo importa mas não de forma simplista ou linear.

O que dizem os estudos mais recentes sobre performance

Uma das análises científicas mais citadas é uma meta-análise de 2020 que reuniu 78 estudos com mulheres com ciclos naturais. Os pesquisadores concluíram que a performance pode estar ligeiramente reduzida na fase folicular inicial, quando estrogênio e progesterona estão mais baixos. Mas, na prática, a diferença foi classificada como “trivial”.

Revisões mais recentes reforçam: as flutuações hormonais existem, mas os efeitos sobre força, potência e rendimento variam muito de mulher para mulher. Um artigo de 2023, por exemplo, não encontrou diferenças consistentes na força máxima ou nos ganhos de treinamento entre as fases do ciclo.

Uma revisão publicada em 2025 destaca que muitos estudos ainda têm amostras pequenas, métodos de identificação de fase inconsistentes e pouco controle sobre variáveis como sono, alimentação e estresse. Ou seja: ainda faltam dados robustos.

O que se sabe até aqui:

As fases do ciclo, de forma simples

Embora a duração varie, um ciclo típico pode ser dividido em:

Performance, velocidade e cognição: o destaque da ovulação

Um estudo de 2025 identificou que mulheres apresentaram tempos de reação mais rápidos e menos erros no dia da ovulação, com efeito ainda mais claro em atletas.

Para esportes de combate, isso importa:

Mas isso não significa que as outras fases sejam ruins. Apenas que existe uma janela de performance especialmente favorável.

Risco de lesão: o tema mais debatido

A influência do ciclo no risco de lesão — especialmente no joelho — é um dos pontos mais controversos.

Uma revisão de 2023 concluiu que alterações hormonais poderiam estar associadas a maior laxidez articular durante a ovulação, quando o estrogênio atinge o pico.

O que é laxidez articular?

É quando uma articulação fica mais “solta”, menos estável.
Isso acontece porque os ligamentos, responsáveis por manter os ossos posicionados e firmes, ficam mais flexíveis sob efeito de hormônios como estrogênio e relaxina.

Em termos práticos:

No joelho, crítico para esportes com impacto, quedas, chutes e mudanças rápidas de direção — essa frouxidão temporária pode contribuir para lesões como as do LCA (ligamento cruzado anterior).

A controvérsia

Apesar dessas hipóteses, não existe consenso. Pesquisadores ligados à UEFA reforçam que não há evidência suficiente para afirmar que o ciclo, sozinho, explique o maior número de lesões em atletas mulheres outros fatores como:

podem pesar muito mais.

A FIFA financia atualmente estudos para investigar com maior rigor a relação entre hormônios, laxidez ligamentar e risco de lesão.

O cenário atual indica que:

E mulheres com anticoncepcionais, SOP, endometriose ou ciclos irregulares?

Grande parte dos estudos envolve mulheres com ciclos naturais regulares. Por isso, atletas que usam contraceptivos, têm SOP, endometriose ou amenorreia podem responder de forma diferente.
Esses casos exigem acompanhamento médico individualizado.

Vale a pena “periodizar” o treino pelo ciclo?

Essa ideia tem ganhado força, mas a ciência ainda não comprova que periodizar cargas estritamente pelas fases seja superior a um treino bem planejado de forma tradicional.

Pesquisas em andamento — como o projeto IMPACT — devem trazer respostas mais robustas nos próximos anos.

Por enquanto, especialistas concordam:

O mais importante é combinar ciência com autoconhecimento.
Não existe um ciclo “universal”; existe o seu.