A atleta portuguesa Cris Soares, residente na Suíça, acaba de conquistar o título suíço de Boxe pela segunda vez consecutiva. Depois de vencer em 2024 na categoria -52 kg, repetiu o feito em 2025, mas agora competindo nos -57 kg — uma subida significativa que trouxe novos desafios, novas adversárias e, como partilha nesta entrevista, ainda mais motivação.
Numa conversa sincera, Cris revela como lidou com derrotas, superou limitações, equilibrou o trabalho em horário exigente com treinos intensos e o que significa para ela erguer novamente o cinturão nacional fora do seu país.
Imagem cedida Cris Soares - Foto Chance
FightNews: Como descreve o momento em que se tornou campeã suíça pela segunda vez consecutiva, agora na categoria -57 kg?
Momento muito feliz , foi também o fechar de um ciclo de 2 derrotas seguidas internacionais para me dar ainda mais ânimo e acabar bem o ano!
FightNews: Quais foram as principais diferenças entre conquistar o título em 2024 nos -52 kg e agora em 2025 nos -57 kg?
Sobretudo as adversárias, não conhecia nenhuma. O facto de serem bem mais altas, eu sabia que ao subir 2 categorias as dificuldades iriam ser maiores também!
FightNews: O que significam para si estes dois títulos nacionais na Suíça, sendo uma atleta portuguesa a competir fora do país?
Tenho muito respeito pela Suíça foi o país que me acolheu e de certa forma sou o que sou também graças a Suíça. Por isso, é um orgulho ser portuguesa e representar a sociedade portuguesa na Suíça. Sinto que é um motivo de orgulho.
FightNews: A mudança de categoria trouxe novos desafios? O que teve de adaptar na sua preparação para competir nos -57 kg?
Alimentação e o treino mais forte e pesado! Tive e tenho muito a agradecer ao meu nutricionista Filipe Matos que foi fundamental neste processo.
FightNews: Quais foram os momentos mais difíceis deste percurso até à consagração como campeã suíça?
O que é, como sempre, lidar com o facto de trabalhar a 100% e ter horários longos, na maioria das vezes das 6h às 18h, e ainda ter de treinar várias vezes, muitas vezes duas vezes por dia. Torna-se mais complicado, mas ao mesmo tempo desafiante.
FightNews: Como avalia o papel da sua equipa e treinadores nesta conquista?
Sinceramente, para mim é a minha base, e o meu treinador — só tenho um e, para mim, é o melhor e o único. Treino com ele desde sempre, foi com ele que comecei e é com ele que quero acabar. É, sem dúvida, a chave do meu sucesso e do meu processo.
FightNews: Depois de conquistar dois títulos nacionais consecutivos, quais são agora os seus próximos objetivos?
Para já, ainda há mais uma luta este ano para ganhar e, para 2026, é continuar o trabalho, poder lutar internacionalmente e depois a vida… Deus o dirá!
FightNews: Como equilibra a vida pessoal, trabalho e a rotina exigente de uma atleta de alto rendimento?
Tenho de ser muito disciplinada e não me distrair! É difícil, mas é um sacrifício que, para mim, vale a pena. Leva-me a ultrapassar os meus limites, a lutar e a ser um exemplo para quem acha que não é capaz.
FightNews: Por fim, que mensagem deixaria às jovens atletas portuguesas que sonham seguir a mesma estrada?
Sinceramente, trabalhem, trabalhem mesmo muito. Este desporto é exigente, mas é muito bom! Não vamos ganhar sempre, mas também não vamos perder sempre. Temos de saber encaixar e relativizar, aprender com as vitórias, mas sobretudo com as derrotas. Nunca baixar os braços, independentemente das adversidades — estamos sempre à prova.