Faixa-preta em Judô e Jiu-Jitsu, Elton Silva é pesquisador e escritor dedicado há mais de uma década a investigar a história das artes marciais no Brasil e no mundo.
É autor, ao lado de Eduardo Corrêa, da série de livros "Muito Antes do MMA", uma obra que revisita confrontos entre diferentes estilos de luta desde o século XIX, revelando personagens esquecidos e questionando as narrativas que moldaram o imaginário das artes marciais modernas.
Seu trabalho vai muito além do Vale Tudo: explora as origens do Jiu-Jitsu e do Judô, as influências da Capoeira e das lutas europeias, e o modo como tradições como o Bushido foram reinterpretadas ao longo do tempo.
Com um olhar crítico e baseado em documentação histórica, Elton Silva tem contribuído para desmontar mitos e reconstruir pontes entre fatos, cultura e identidade marcial.
À frente do projeto @goshinjutsukan, ele vem reacendendo o debate sobre as verdadeiras raízes das lutas mostrando que, antes do esporte, existia uma complexa teia de ideias, trocas culturais e influências globais que ajudaram a moldar o que hoje conhecemos como Jiu-Jitsu, Judô e MMA.
Série de Livros "Muito Antes do MMA" de Elton Silva e Eduardo Corrêa
FightNews: Elton, antes de falarmos dos seus livros e descobertas, conta-nos um pouco sobre o teu percurso nas artes marciais.
Como começou a tua relação com o Judô e o Jiu-Jitsu e o que te levou a transformar essa vivência em pesquisa histórica?
Elton Silva: Comecei meu caminho nas artes marciais aos 16 anos, buscando me defender dos meninos mais velhos que me ameaçavam na escola. Meu primeiro contato foi com o Karatê Shotokan. No Karatê aprendi o valor do respeito e da disciplina, pilares das artes marciais orientais. Ainda assim, eu não me sentia pronto para enfrentar aqueles que me atormentavam. Continuei treinando, fortalecendo o corpo, a confiança e, principalmente, a autoestima.
Naquela época, como muitos amigos, eu era magro, fraco e inseguro. O Karatê me ajudou a me valorizar, mas as provocações ainda me incomodavam. O lado bom é que encontrei outros jovens com as mesmas dificuldades. Formamos um grupo de apoio e troca de experiências, alguns praticavam Karatê, outros Kung Fu, Capoeira ou Judô. Com o tempo, todos evoluímos em nossas respectivas modalidades graças à união e à motivação mútua.
A verdadeira virada aconteceu em 1995, quando assisti, pela primeira vez, a uma fita VHS do UFC. Fiquei impressionado ao ver Royce Gracie, um homem visivelmente mais leve, vencer adversários muito maiores usando técnicas de Jiu-Jitsu Brasileiro. Naquele momento, percebi que era isso que eu queria fazer.
Procurei uma academia e comecei a treinar Jiu-Jitsu, e posso dizer que, depois disso, nunca mais tive problemas com os garotos da escola. Paralelamente, conheci o Judô, onde me apaixonei pela cultura japonesa e pela história das artes marciais. Foi no Judô que nasceu meu interesse pelas origens e pela filosofia dessas práticas, uma curiosidade que só cresceu ao longo dos anos.
FightNews: O que despertou em ti o desejo de investigar o passado das artes marciais e mergulhar em documentos tão antigos?
Foi alguma dúvida pessoal, uma lacuna percebida, ou uma inquietação diante das histórias “oficiais”?
Elton Silva: Acho que é um pouco de ambas as coisas. Sempre fui muito curioso e questionador desde criança, características que me acompanham até hoje. Com as artes marciais não foi diferente.
Existem muitos mitos criados ao longo do tempo, muitas vezes com o objetivo de ocultar fatos históricos por diversos motivos. Esses mitos estão presentes em praticamente todas as artes marciais, sem distinção.
Por outro lado, também há as chamadas “lacunas” históricas, pontos do passado sobre os quais pesquisadores, historiadores e praticantes têm interpretações divergentes.
Acredito que o trabalho desenvolvido por mim e pelo Eduardo Corrêia se destaca justamente por adotar um olhar mais analítico e menos apaixonado.
O fato é que a chamada “história oficial” apresenta diversas lacunas e isso é algo inquestionável para qualquer estudioso sério do tema.
FightNews: Em Muito Antes do MMA, tu e o Eduardo Corrêa revisitam confrontos de estilos desde o século XIX.
O que esses duelos revelam sobre a mentalidade da época e o que muda quando olhamos para eles com o olhar de hoje?
Elton Silva: Os duelos entre estilos de luta sempre existiram. A diferença é que, durante o século XIX, o nacionalismo passou a influenciar fortemente os sistemas marciais regionais, com cada país valorizando seu próprio estilo nacional.
No Brasil, não foi diferente. A Capoeira, mesmo perseguida em diversos momentos ao longo do século XIX, começou a ser reconhecida como uma luta genuinamente brasileira, comparável ao Savate da França, ao Boxe da Inglaterra e ao Jiu-Jitsu do Japão.
Com o tempo, essa ideia amadureceu entre militares, políticos e intelectuais, e, já no final do século XIX, a Capoeira era vista por muitos como uma expressão nacional autêntica, ainda que sua origem estivesse profundamente ligada aos negros africanos no Brasil.
Paradoxalmente, em 1890, a Capoeira foi criminalizada pelo Código Penal, permanecendo ilegal até 1940.
Pouca gente sabe, mas o Rio de Janeiro respirava Capoeira durante todo o século XIX e início do XX. A prática estava presente em todas as camadas sociais, desde os bairros populares até os círculos militares, tornando-se parte da vida cotidiana dos cariocas, mesmo sob proibição legal.
Outra influência importante sobre a Capoeira e, posteriormente, sobre o Vale-Tudo e o Jiu-Jitsu, veio do Wrestling e do Savate francês.
Essas modalidades faziam parte dos métodos ginásticos europeus que serviram de base para os exercícios físicos praticados no Brasil ao longo do século XIX, influenciando inclusive a Educação Física nacional até o fim da Segunda Guerra Mundial.
Savate Francês
Wrestling, início do séc. XX - Instagram @goshinjutsukan
Embora muitos desses eventos estejam quase esquecidos, eles desempenharam um papel essencial na formação das artes marciais brasileiras e continuam a ecoar até os dias de hoje, na identidade e no espírito de luta que moldaram o país e até mesmo eventos como o UFC.
FightNews: O Brasil sempre se apresenta como o berço do Vale Tudo e do MMA moderno. Mas nas tuas investigações, essa história parece mais complexa e global. Quais são as origens internacionais desse fenómeno?
Elton Silva: O MMA, antigo Vale Tudo, é conhecido hoje como o confronto entre diferentes estilos de artes marciais e métodos de defesa pessoal. Embora tenha se popularizado mundialmente com o UFC, criado em 1993, suas raízes são muito mais antigas.
Antes mesmo do UFC, os japoneses já haviam desenvolvido o Shooto, uma organização de artes marciais mistas fundada em 1985, quase uma década antes do evento americano. Porém, o conceito de confrontar estilos distintos de luta é ainda mais antigo e ocorreu em várias partes do mundo, em diferentes períodos históricos.
No Brasil, essas disputas ganharam força e criaram raízes, tornando-se parte da cultura nacional. Desde o século XIX, o Rio de Janeiro recebia estrangeiros que desafiavam lutadores locais em circos e teatros, em combates que reuniam estilos como o Savate francês, a Capoeira brasileira e o Wrestling europeu.
Esses encontros deram início ao choque e sincretismo entre diferentes tradições marciais, algo muito característico da cultura brasileira, onde tudo naturalmente se mistura, apesar de alguns estudiosos ainda defenderem uma “pureza” marcial ou étnica.
No início do século XX, esses confrontos se intensificaram com a chegada do Jiu-Jitsu japonês, que rapidamente conquistou o público carioca.
Durante o Governo Vargas, na década de 1930, o Vale Tudo começou a se institucionalizar, transformando-se em um verdadeiro espetáculo nacional. Em pouco tempo, as lutas se espalharam pelo país e chegaram a rivalizar em popularidade com o futebol.
Carlson Gracie x Passarito, um duelo histótico no Maracanâzinho em 1953 - Instagram @goshinjutsukan
Entretanto, a partir do fim da década de 1960, o Vale Tudo começou a perder força, tanto pela crescente violência dos eventos quanto pelo interesse do público em novas modalidades, como o Judô e as lutas olímpicas (Wrestling Greco-Romano e Estilo Livre).
Mesmo assim, a prática resistiu, especialmente no Nordeste, onde se manteve viva e autêntica.
Nos anos 1980, a Família Gracie trouxe o Vale Tudo de volta aos holofotes, enfrentando representantes de outras modalidades e dando origem ao UFC. Embora o evento tenha se tornado um marco internacional, o Vale Tudo brasileiro não foi uma invenção recente.
Sua força e longevidade se devem a diversos fatores. O Brasil, geograficamente isolado de grandes centros regulatórios, preservou tradições marciais antigas que estavam desaparecendo no restante do mundo. Além disso, o país não foi diretamente afetado pelas duas Guerras Mundiais, o que permitiu que práticas marciais como a Capoeira e o próprio Vale Tudo se mantivessem vivas.
Em contraste, países como França e Japão viram seus sistemas tradicionais, o Savate e o Jiu-Jitsu, por exemplo, enfraquecerem durante os períodos de conflito.
Assim, o Brasil se tornou um verdadeiro refúgio das artes marciais, onde antigas tradições puderam florescer, se reinventar e, mais tarde, dar origem ao fenômeno global que hoje conhecemos como MMA.
Fight News: No Japão, fala-se bastante sobre o “Bushido" na tradição samurai. Você concorda com a leitura “romântica” de que o Bushido foi uma tradição milenar ou ele é, de fato, um movimento político moderno (século XIX)?
Elton Silva: O Bushido (“caminho do guerreiro”) pode ter existido apenas como um conceito vago. Certamente havia ideias sobre honra e conduta, mas é um erro histórico comum acreditar que o Bushido tenha sido um código real seguido pelos samurais enquanto eles ainda atuavam como guerreiros profissionais, especialmente entre os séculos XV e XVI.
É possível que houvesse diferentes códigos de conduta não escritos espalhados pelo Japão, semelhantes ao que mais tarde seria chamado de Bushido, mas não há registros de um conjunto unificado de regras sob esse nome antes do desaparecimento da classe samurai. Assim, é difícil falar em um “Bushido" propriamente dito antes desse período.
Assim como o Jiu-Jitsu, a imagem dos samurais que vemos em filmes e séries modernas é uma versão romantizada. Na realidade, os samurais mudaram muito ao longo da história japonesa, e sua função, valores e comportamento variavam conforme as necessidades de cada época.
É importante lembrar que os samurais eram, antes de tudo, soldados de carreira, movidos por interesses políticos, lealdade a seus senhores e pela sobrevivência. A noção de um “código de honra” rígido, que colocava a ética acima de tudo, não condizia com a realidade brutal das guerras civis do Japão medieval.
Durante o período Sengoku Jidai (1467–1600) — uma era marcada por conflitos internos e instabilidade política — o comportamento dos samurais era regido mais por pragmatismo e poder do que por ideais morais. A ideia moderna de “honra na guerra” é algo posterior e só começou a ser moldada no final do século XIX.
Foi nessa época que Inazo Nitobe, diplomata e escritor japonês, publicou em 1899 o livro “Bushido: The Soul of Japan”. Escrito em inglês, o objetivo da obra era apresentar o Japão sob uma luz positiva ao público ocidental, numa época em que o país buscava reconhecimento internacional após o fim da era dos samurais.
Inazo Nitobe, "Bushido, The Soul of Japan" 1900 (Wikipedia)
Nitobe não descreveu um código histórico autêntico, mas sim criou uma tradição idealizada.
Inspirou-se nos códigos de cavalaria europeus e citou filósofos ocidentais para construir uma ponte cultural entre o Japão e o Ocidente. O resultado foi uma versão do Bushido que soava como um compêndio de virtudes universais, lealdade, coragem, honra, autocontrole, mais próxima da filosofia moral cristã do que da realidade dos guerreiros japoneses medievais.
Visto dentro do seu contexto, “Bushido: The Soul of Japan” foi também uma obra de propaganda cultural, que contribuiu para melhorar a imagem do Japão no exterior e solidificar um mito nacional em torno da figura do samurai.
Infelizmente, esse mito foi reapropriado pelo governo japonês durante a Segunda Guerra Mundial, quando o Bushido passou a ser usado para exaltar o espírito de sacrifício e lealdade dos soldados, incentivando-os a lutar e até morrer, em nome do imperador e da pátria.
FightNews: Até que ponto é possível separar mito de fato no campo das artes marciais?
Elton Silva: Com a digitalização de arquivos e o acesso a tecnologias antes inexistentes, a pesquisa tornou-se mais dinâmica, abrangente e confiável. A descentralização da informação permite que tenhamos contato direto com uma variedade de livros, documentos e registros históricos que antes estavam fora do alcance da maioria das pessoas.
No campo das artes marciais, esse novo cenário vem derrubando inúmeros mitos e revisando narrativas consolidadas ao longo do tempo.
Um dos mitos mais recorrentes é a crença de que grandes sistemas de luta nascem da ação de um único indivíduo. A história mostra o contrário: nada se constrói isoladamente, nem permanece imutável ao longo dos séculos.
Um bom exemplo é o Jiu-Jitsu Brasileiro, frequentemente atribuído a Carlos e Hélio Gracie e sua família. Embora tenham desempenhado um papel importante em sua difusão, o Jiu-Jitsu nacional é, na verdade, uma construção coletiva, resultado da contribuição de diversos mestres, atletas e influências ao longo do tempo. Trata-se de uma evolução compartilhada, e não da obra de uma só pessoa ou grupo.
Outro equívoco comum é a ideia de uma “pureza original” da Capoeira, como se ela tivesse nascido e permanecido imutável na Bahia, fruto exclusivo das tradições africanas trazidas ao Brasil. Na realidade, a história da Capoeira é marcada pela pluralidade e transformação.
Originada como uma prática espontânea entre negros africanos escravizados, especialmente no século XIX, a Capoeira rapidamente ultrapassou fronteiras sociais e culturais, assimilando influências de povos nativos, europeus e estrangeiros. Com o passar dos anos, consolidou-se como uma manifestação multicultural, profundamente enraizada na experiência brasileira.
FightNews: Como Portugal e a Europa aparecem nessa história?
Elton Silva: Sem dúvidas, a Europa exerceu um papel fundamental na formação das artes marciais no Brasil, seja por meio dos estilos que influenciaram diretamente modalidades hoje consideradas brasileiras, como o Jiu-Jitsu, a Luta Livre, a Capoeira e até o Muay Thai brasileiro, seja pelos métodos ginásticos europeus, especialmente o francês, que moldaram a mentalidade da Educação Física nacional.
Esses sistemas europeus foram tão influentes que, em 1921, o método francês chegou a ser oficializado como “método nacional brasileiro”, servindo de base para a formação física de civis e militares no país.
Métodos Ginásticos Europeus - Instagram @goshinjutsukan
No que diz respeito à influência portuguesa, destaca-se a tradicional esgrima com bastão, conhecida como “Jogo do Pau”, uma prática amplamente associada tanto aos fadistas lusitanos quanto às maltas de capoeiras no Brasil.
Praticantes portugueses do Jogo do Pau
Os fadistas portugueses mantinham uma relação próxima com os capoeiras do Rio de Janeiro antigo, frequentando ambientes semelhantes, como portos, zonas boêmias, prostíbulos e tabernas. Ambos pertenciam às camadas marginalizadas da sociedade, sendo, por isso, alvos frequentes da repressão policial.
Essa proximidade social e cultural resultava em interações intensas, que mesclavam camaradagem e rivalidade, refletindo a luta cotidiana pela sobrevivência em um contexto urbano marcado por tensões e solidariedades à margem da sociedade.
Apesar de ser uma prática tradicional e valorizada entre parte da população luso-brasileira, o Jogo do Pau passou a ser visto pelas autoridades como uma ameaça à ordem pública, devido à sua associação com brigas, duelos e distúrbios urbanos. Diversos episódios de ferimentos graves e mortes em exibições públicas levaram à proibição da prática em alguns contextos no final do século XIX.
O Jogo do Pau era uma expressão popular híbrida, nascida da fusão entre cultura, marginalidade e resistência social. A presença de portugueses que se destacavam na capoeiragem e o intercâmbio entre ambas as tradições contribuíram para uma rica mistura cultural de lutas populares, que influenciaria diretamente a identidade marcial brasileira.
FightNews: Ao revisitar essas histórias, inevitavelmente surgem resistências. Como é lidar com as críticas e debates, especialmente nas redes sociais?
Elton Silva: A divergência de ideias faz parte do processo histórico e é até bem-vinda. O problema surge quando a paixão substitui a razão. Mesmo assim, o tempo é um aliado e desde o lançamento da trilogia, em 2020, vejo uma abertura crescente para o diálogo e novas interpretações.
FightNews: Uma das áreas menos exploradas é a presença feminina nas lutas antigas. Encontraste registros de mulheres praticantes ou competidoras nos séculos XIX e XX?
Elton Silva: Desde meados do século XIX, já havia anúncios em jornais brasileiros sobre mulheres lutadoras se apresentando em circos itinerantes e teatros. No início do século XX, esse movimento cresceu, e cada vez mais mulheres começaram a praticar Boxe, Savate, Wrestling, Jiu-Jitsu e até Capoeira.
O Dojo de Edith Garrud onde ensinava-se Jiu-Jitsu em 1914.
Enquanto isso, na Europa, a presença feminina no Jiu-Jitsu também ganhava força, especialmente nas primeiras décadas do século XX, mostrando que, muito antes das redes sociais e do MMA moderno, as mulheres já estavam abrindo caminho nos tatames e nos ringues.
Helio Gracie ensinando defesa pessoal a uma mulher - Instagram @goshinjutsukan
FightNews: Para ti, o que é mais difícil: lutar no tatame ou lutar contra narrativas estabelecidas?
Elton Silva: O grande desafio para nós, como você bem observou, não está nos tatames ou nos ringues, mas na mudança de pensar de certos indivíduos. Quebrar paradigmas não é uma tarefa simples.
A dificuldade de muitas pessoas, especialmente historiadores e antigos mestres, em reconhecer as conexões apresentadas por mim e por Eduardo Corrêa em “Muito Antes do MMA”, decorre, em grande parte, do desconforto que surge quando certas “crenças”, ideias ou valores entram em conflito. Isso acontece porque essas novas interpretações confrontam paradigmas arraigados que já não se estabelecem à realidade apresentada.
Como não seguimos a linha tradicional da academia e adotamos um olhar mais clínico e analítico sobre certos acontecimentos históricos, é comum sermos vistos como “opositores” por alguns grupos ou indivíduos. Romper com esses paradigmas exige uma mudança gigantesca na forma de pensar, um exercício que requer humildade e mente aberta para rever certos “fatos estabelecidos”.
Ainda assim, esse processo é fundamental para que novas conexões e influências históricas possam ser reconhecidas e compreendidas com mais profundidade.
Os conflitos ideológicos em torno das origens das artes marciais sempre existiram. Contudo, esse movimento ganhou força com a descentralização da informação, especialmente durante a pandemia.
Com as restrições de circulação, o debate migrou para as redes sociais, onde encontrou terreno fértil para se expandir. O ambiente virtual aproximou pessoas que antes não se conheciam, favorecendo o intercâmbio de informações, experiências e novas ideias.
Um bom exemplo é a série televisiva “Dos Samurais ao MMA: 500 Anos de Luta”, idealizada por Marcelo Alonso, que apresentou uma nova perspectiva sobre a evolução do Jiu-Jitsu, desde a época dos samurais até os dias atuais, por meio do olhar de diversos pesquisadores.
Marcelo Alonso e Elton Silva na estreia do Documentário "Dos Samurais ao MMA, 500 anos de Luta"
Em resumo, esse processo desencadeou um novo paradigma dentro da comunidade da luta e da própria comunidade acadêmica.
FightNews: E olhando para o futuro: o que ainda falta ser revelado? Há novos projetos ou investigações a caminho?
Elton Silva: Muitas lacunas permanecem abertas, e ainda faltam diversas peças nesse vasto quebra-cabeça que, quando encontradas, certamente oferecerão um novo olhar sobre o tema.
Também acreditamos que, após “Muito Antes do MMA”, novos pesquisadores e mestres passaram a observar o passado com uma perspectiva mais analítica e menos ideológica.
Em relação aos novos projetos, estamos finalizando uma pesquisa dedicada à Capoeira, prevista para publicação no próximo ano, embora ainda sem uma data definida.Uma coisa é certa: vem muita novidade por aí.
Além disso, estamos desenvolvendo uma nova trilogia, continuação da série “Muito Antes do MMA”, na qual daremos sequência à trajetória dos eventos e personagens históricos que moldaram as artes marciais no Brasil.
Aproveito para agradecer pela oportunidade e deixar nossos contatos para quem tiver interesse em palestras, seminários ou consultorias: @goshinjutsukan e @muito_antes_do_mma