A atleta portuguesa Maria Carvalho brilhou no recente Campeonato da Europa de Kempo, conquistando a medalha de ouro em Weapon Kata e a prata em Kata. Em entrevista, a atleta partilha as emoções vividas, o significado das conquistas e a importância da união da seleção nacional portuguesa, liderada por Ricardo Oliveira.
FightNews: Maria, parabéns pelas tuas conquistas! Que significado tem para ti conquistar a medalha de ouro em Weapon Kata e a de prata em Kata neste Campeonato da Europa de Kempo?
Para mim, estes resultados acabam por ser uma validação do meu trabalho.
Porque, querendo ou não, apesar de os resultados não dizerem tudo, nem definirem o nosso trabalho enquanto atletas, é claro que é sempre bom vermos o nosso esforço reconhecido de uma forma tão positiva.
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FightNews: Disseste que este campeonato teve “um sabor diferente”. O que tornou esta experiência especial em relação às anteriores?
Este campeonato diferenciou-se dos restantes em vários pontos.
A nossa seleção estava mais unida do que nunca, trabalhámos de forma concisa e apoiámo-nos uns aos outros como nunca, porque, tal como o nosso selecionador nacional, Ricardo Oliveira, nos disse durante esta semana: quando um de nós está a combater no tatami, estamos todos a combater com ele, de fora.
Para além disto, teve um sabor diferente para mim, porque, pela primeira vez, enquanto atleta da seleção nacional portuguesa, consegui alcançar o primeiro lugar — a medalha de ouro.
FightNews: Como descreves o momento em que subiste ao pódio e ouviste o nome de Portugal associado à tua vitória?
Foi um momento muito emocionante para mim, com um mix de emoções incrível e com as lágrimas de felicidade mais genuínas e incontroláveis — não vou mentir — que alguma vez tive.
Ver o meu sucesso ligado ao nosso país trouxe-me uma sensação de orgulho enorme e senti que o meu dever enquanto atleta portuguesa estava a ser cumprido.
Imagem cedida Maria Carvalho
FightNews: Foram meses de muito esforço e cansaço. Que tipo de preparação física e mental realizaste para chegares a este nível?
A preparação mental, claramente, foi mais difícil de concretizar e de manter de forma consistente. O cansaço físico era enorme, com treinos bidiários e, por vezes, até tridiários, mas era aqui que a preparação mental tinha de entrar em ação e lembrar-me de que tudo aquilo ia fazer sentido — todo o cansaço tinha um propósito.
Foi também difícil conciliar o cansaço, o nervosismo e a ansiedade que, naturalmente, um campeonato traz — ainda mais um campeonato em representação do nosso país, que acarreta um peso ainda maior —, mas isto foi algo que tenho vindo a trabalhar e a superar com o acumular de anos de competição, apesar de ainda não ter, de longe, aperfeiçoado este campo.
FightNews: Representar a Seleção Nacional de Kempo é um marco importante. O que sentes ao defender as cores de Portugal numa competição internacional?
Defender as cores de Portugal é um orgulho imenso. Representar o meu país numa competição internacional é o culminar de muito trabalho, dedicação e sacrifício. Quando entro no tatami com a bandeira portuguesa ao ombro, sinto uma responsabilidade enorme, mas também uma motivação extra para dar o meu melhor. É um momento em que todo o esforço vale a pena e em que percebo que não estou apenas a lutar por mim, mas por todos os que acreditaram em mim e pelo nome de Portugal.
Imagem cedida Maria Carvalho
FightNew: Que balanço fazes da tua prestação global no campeonato? Ficaste satisfeita com os resultados?
Faço um balanço global positivo. Claro que ainda há melhorias a fazer e correções técnicas a efetuar, mas, no geral, fiquei bastante satisfeita com os meus resultados e com a minha prestação.
FightNews: Quais são agora os teus próximos objetivos — há novas metas ou competições internacionais no horizonte?
Sendo um defeito meu ou não, nunca fico 100 por cento satisfeita — quero sempre mais, quero sempre melhor.
E, por isso, continuarei a trabalhar e a corrigir, para ter a certeza de que a evolução se mantém e que o meu desempenho é continuamente melhor.
O próximo palco internacional é o Campeonato do Mundo e, até lá, como disse, planeio continuar o meu trabalho, corrigir as arestas e tornar-me melhor a cada dia que passa.
Imagem cedida Maria Carvalho
FightNeww: Por fim, que mensagem deixas aos teus treinadores, colegas de equipa e à tua família que te apoiaram durante esta jornada?
Quero deixar uma mensagem de profunda gratidão a todos.
Aos meus treinadores, por toda a dedicação, paciência e exigência — sem eles, nada disto seria possível. São eles que me acompanham e me fazem evoluir todos os dias, desde o dia 1.
Aos meus colegas de equipa, que tornaram cada treino mais desafiante e, ao mesmo tempo, mais motivador — obrigada pelo espírito de união e pela força que me deram em cada momento.
E, claro, à minha família, o meu maior pilar, que esteve sempre presente, nos bons e nos maus momentos, a apoiar-me incondicionalmente.
Esta conquista é tão minha quanto vossa.
Obrigada por acreditarem sempre em mim, mesmo quando os resultados não foram os melhores.
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