Com um percurso que começou quase por curiosidade, Raquel Borges tornou-se uma das atletas da CrossPunch que melhor representa o espírito de superação e união feminina no Boxe português. Nesta entrevista, conta-nos como entrou no desporto, de que forma mudou a sua vida e porque acredita que mais mulheres devem experimentar a modalidade.
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FightNews:Como chegaste ao boxe?
Raquel Borges: Em Janeiro de 2017 comecei a treinar no CrossPunch. Inicialmente apenas realizava treinos de crosstraining, mas no ano seguinte lá me aventurei a experimentar aulas de boxe. O gosto e a paixão por este desporto foram crescendo em mim, gradualmente, e nunca mais parei de praticar boxe.
FightNews: O boxe mudou alguma coisa na tua vida? Se sim, o quê?
Raquel Borges: Creio que a prática regular de desporto muda sempre a vida de uma pessoa, para melhor, tendo em conta o aumento do nível de atividade física e melhoria geral da saúde.
O boxe é um desporto exigente a nível mental (não só a nível físico) portanto, tendo bastante estratégia associada, deixa a nossa saúde mental em dia. A meu ver, isso é muito importante.
O boxe ainda nos permite construir amizades muito valiosas e duradouras, pelo menos no meu caso, desde treinadores, a colegas de equipa e até mesmo a outros atletas.
Imagem cedida Miriam Rautenberg
FightNews: Como te sentes a treinar no teu ginásio, onde há várias mulheres?
Raquel Borges: Super bem. Não podia desejar melhor ambiente do que o que se sente no CrossPunch, porque é e sempre foi bastante familiar. Ter várias mulheres a treinar boxe incentiva outras a juntarem-se a nós, o que é excelente.
FightNews: Acreditas que ter muitas mulheres na equipa faz diferença?
Raquel Borges: Sim, há sempre diferença. Principalmente porque é possível treinar com mais mulheres (e não só com homens) e ter alguma rotatividade sem termos que treinar com pessoas de fora.
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FightNews: Isso ajuda na motivação e melhoria no treino diário?
Raquel Borges: Sim, sem dúvida. Quanto mais variedade de colegas de equipa melhor.
FightNews:Há mais espírito de apoio ou rivalidade entre vocês?
Raquel Borges: Espirito de apoio e de equipa.
No nosso caso não creio haver qualquer tipo de competição entre nós.
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FightNews: Porque decidiste competir em boxe?
Raquel Borges: Sinceramente acho na altura que foi mais um incentivo/sugestão do meu treinador, do que propriamente uma decisão minha. Mas claro que aceitei o desafio e não me arrependo minimamente.
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FightNews: O que acreditas que mudou em ti desde que começaste a competir?
Raquel Borges: Talvez a real valorização dos treinos, o reconhecimento da excelente equipa de treinadores e também a importância da constância, acima de tudo.
FightNews:Ainda há poucas mulheres no boxe em Portugal. O que poderia mudar isso?
Raquel Borges: Inicialmente, tem que se (tentar) desmistificar que o boxe é um desporto demasiado agressivo e, principalmente, perigoso. Como mencionado antes, é muito estratégico e — principalmente o boxe feminino — bastante seguro.
Já se tenta combater essas ideias, claro, mas penso que precisávamos de mais informação. Mais incentivos e eventos também, de forma a chegar a mais pessoas.
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FightNews: É importante trazer mais mulheres para o boxe? Porquê?
Raquel Borges: Sim, claro. Quanto mais mulheres treinarem, mais mulheres ficarão a conhecer o desporto e mais começarão eventualmente a praticar boxe.
O crescimento e o reconhecimento do boxe feminino a nível nacional são grandes objetivos.
FightNews: Que medidas ajudariam a aumentar o número de praticantes femininas?
Raquel Borges: Mais investimento no boxe em geral será sempre necessário.
Mas distribuir apoios financeiros, tanto por novas atletas como por atletas vencedoras de competições regionais e nacionais, por exemplo, seria uma medida que sem dúvida ajudaria a aumentar o número de praticantes femininas.
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FightNews: Imaginaste-te no futuro como treinadora, árbitra ou líder de clube?
Raquel Borges: Sim, sem dúvida. Creio que o boxe acaba por nos apresentar um mundo, onde tudo e todas as funções/profissões associadas são apelativas, pelo menos para mim.
FightNews: O que pensas sobre haver poucas mulheres nessas funções?
Raquel Borges: Desejo sempre que haja mais mulheres e que sejamos melhor representadas, mas sou otimista e creio que já é algo que está a ser melhorado, mesmo que lentamente.
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FightNews: Como isso poderia ser fortalecido?
Raquel Borges: No caso de treinadores e árbitros, com uma maior e melhor oferta de cursos. E, posteriormente, de oportunidades para pôr em prática o que foi aprendido e ser possível de facto realizar essa profissão.
FightNews: Gostarias de continuar no boxe numa função de liderança após a carreira de atleta?
Raquel Borges: Até ao momento, não é algo que me tenha despertado interesse.
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FightNews: Que mensagem deixarias a uma rapariga ou mulher que nunca experimentou boxe?
Raquel Borges: Vem experimentar! Quase de certeza que não é nada do que pensas ser! Vem treinar connosco que não te vais arrepender!
FightNews: Maiores vantagens de praticar boxe?
Raquel Borges:Ser ativa e saudável, saber de certa forma defender-me (caso seja necessário) e, principalmente, sair constantemente da minha zona de conforto.
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