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Campeão Mundial de Kung Fu Tradicional, Sérgio de Almeida vive um sonho e dedica vitória a Portugal
O atleta português venceu a prova de Guandao/Pudao no 10.º Campeonato do Mundo de Kung Fu Tradicional, realizado na China, e fala sobre a sua jornada de superação, orgulho e amor à modalidade.
29/10/2025 09h00
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
Imagem cedida Sergio de Almeida

“Explodi de emoção ao conquistar o ouro mundial”

 

O atleta português Sérgio de Almeida acaba de alcançar o título de Campeão Mundial na prova de Guandao/Pudao, durante o 10.º Campeonato do Mundo de Kung Fu Tradicional, realizado na China. Entre emoções intensas, superação de lesões e o orgulho de representar Portugal, Sérgio partilha connosco os bastidores desta conquista inesquecível.

Imagem cedida Sergio de Almeida

FightNews: Como se sente ao conquistar o título de Campeão Mundial na prova de Guandao/Pudao neste 10.º Campeonato do Mundo de Kung Fu Tradicional?

A conquista desta medalha de ouro foi um misto de emoções depois de ter passado por duas lesões este ano. No Europeu em Creta as coisas não me correram tão bem por receio, mas quando vi os resultados e percebi que os adversários iam caindo e que eu ficava em primeiro lugar, explodi completamente, gritando numa loucura. É mesmo de loucos a emoção que se sente depois de tanto trabalho e dedicação. Mas também representar o meu país é algo extraordinário.

Imagem cedida Sergio de Almeida

FightNews: O que passou pela sua cabeça no momento em que percebeu que tinha alcançado o 1.º lugar mundial?

A primeira sensação foi de orgulho e prazer imenso por ter dado essa medalha ao meu país, numa modalidade tão pouco divulgada e apoiada. Comecei logo a chorar e a gritar, para aliviar toda a pressão que tinha em mim. E, por último — mas não menos importante —, foi pela minha família e todos os que me apoiaram nesta aventura louca.

Imagem cedida Sergio de Almeida

FightNews: Quais foram as maiores dificuldades ou desafios que enfrentou durante esta competição na China?

O meu mental estava forte e vim com um objetivo concreto. Mas o meu maior obstáculo foi na passagem da minha primeira prova de punhos, onde errei uma parte da forma e fiquei algo abalado. Felizmente, o meu grupo ajudou-me a ultrapassar esse momento e a focar-me no mais importante: dar tudo e o meu melhor na prova de PuDao (arma) e sair satisfeito comigo mesmo.

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FightNews: De que forma avalia o desempenho global da Seleção Nacional de Kung Fu Tradicional, que alcançou resultados históricos nesta edição?

A seleção é um misto de pessoas, emoções e ligações. Conseguimos formar uma verdadeira família em pouco tempo. Tivemos complicações, tanto com os mais novos como com os mais velhos — especialmente por ser a primeira participação de alguns, o que causou nervosismo. O grande desafio foi estarmos separados em vários hotéis, o que dificultou a ligação entre todos. Mas conseguimos ultrapassar isso com vontade e desejo, e alcançámos resultados históricos.

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FightNews: Há quanto tempo pratica Kung Fu e como começou o seu percurso nas artes marciais?

Comecei a prática de Kung Fu em 2013 na Associação ACLFP (Associação de Choy Lee Fat do Porto), mas sempre aqui em Arouca. Sempre fui um grande fã de desporto, especialmente de artes marciais, por influência dos filmes de Kung Fu na minha juventude. Pratiquei várias modalidades desde novo, e quando soube que havia Kung Fu em Arouca, nem pensei duas vezes. Nunca imaginei chegar a este ponto e a este nível de competição.

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FightNews. Que significado tem para si representar Portugal num palco mundial como este?

Representar Portugal num palco mundial é um misto de emoções e sentimentos, todos bons. Conseguir levar o nome do meu país ao pódio é algo que não se consegue descrever. A minha emoção diz tudo — os tremores na voz, as lágrimas de orgulho. Poder ouvir o hino do meu país, principalmente nas competições europeias, é simplesmente fantástico.

Imagem cedida Sergio de Almeida

FightNews: Considera que esta conquista pode contribuir para dar mais visibilidade e reconhecimento ao Kung Fu Tradicional em Portugal?

O meu objetivo é dar o máximo de visibilidade a esta modalidade e incentivar o maior número possível de pessoas à minha volta — novos e mais velhos — a conhecer e entrar neste mundo fantástico, que é feito de respeito, consistência e trabalho árduo. Por isso, sim, acredito que esta conquista pode contribuir muito para dar visibilidade ao Kung Fu Tradicional em Portugal.

Imagem cedida Sergio de Almeida

FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de deixar a todos os que o apoiaram nesta jornada?

Foi uma viagem longa até aqui, com muitas horas a procurar apoios e patrocínios para conseguir concretizar esta aventura louca. Quero mesmo agradecer, do fundo do coração, todo o apoio — financeiro, moral ou técnico — que me permitiu estar focado neste lindo objetivo, que é representar o meu país. Em particular, quero agradecer à minha família, porque sem ela nunca poderia ter-me ausentado tanto tempo.