A paixão pelos desportos de combate pode nascer de muitas formas, mas para Hugo Palma, treinador adjunto da Escola de Boxe de Portimão, essa ligação é parte essencial da sua vida. Com um percurso que começou no karate, passou pelo kickboxing, muay thai e culminou no boxe e no jiu jitsu, Hugo é hoje uma das figuras que contribui para o crescimento das artes marciais no Algarve, dentro e fora do ringue.
Nesta entrevista, o treinador partilha as suas origens, a importância da Escola de Boxe de Portimão no seu desenvolvimento, e a forma como procura inspirar os seus alunos com valores de respeito, humildade e fraternidade.
FightNews: Hugo, como foi o teu primeiro contacto com os desportos de combate e de que forma isso influenciou a tua vida?
Hugo Palma: Eu fiz imensos desportos durante a minha infância e juventude, mas o que me iniciou no mundo dos desportos de combate e artes marciais foi mesmo o karate shito-ryu, aos 12 anos de idade. Pratiquei-o até ao cinturão castanho (1.º Kyu), quando saí do Algarve para iniciar a faculdade em 2010.
Daí fui levado a experimentar kickboxing e muay thai em Lisboa, que pratiquei durante quatro anos.
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FightNews: O que representa para ti o boxe e as artes marciais no teu percurso pessoal e desportivo?
Hugo Palma: É difícil, se não impossível mesmo, tentar imaginar a minha vida sem a presença do desporto — nomeadamente dos desportos de combate. O boxe, especificamente, chegou à minha vida por acaso, como resposta ao Covid, mas rapidamente me apaixonei pela modalidade e pelo ambiente em que a pratiquei e pratico.
Tanto o boxe como as outras modalidades que vivi foram e são as minhas ferramentas de eleição, tanto para forjar, limpar e amenizar a mente, como para procurar evolução enquanto pessoa e atleta.
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FightNews: A Escola de Boxe de Portimão tem um papel importante na região. Que impacto teve esta escola na tua formação como atleta e treinador?
Hugo Palma: Muito importante, eu diria. Como disse anteriormente, contactei o André Reis para praticar boxe na altura em que estava a recuperar do Covid, que me deixou com a função cardiorrespiratória um pouco afetada.
Não sendo grande fã de corrida ou de fazer cardio de forma convencional em ambientes fitness, e já não treinando nada de striking há bons anos, decidi experimentar boxe para colmatar essa questão e “devolver-me o pulmão”. Mal sabia eu, na altura, que grande parte da preparação do boxe envolve corrida — o que chamam de road work (risos).
Em tom mais sério, a transição de praticante regular para integrar a equipa de competição foi muito natural. O ambiente competitivo, mas também muito positivo e fraternal, fez com que o esforço e o suor fossem sempre acompanhados de bons momentos dentro e fora das paredes da EBP.
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Já o meu contributo como treinador surgiu como um desafio do André. Tudo o que posso dizer é que, mesmo enquanto praticante e colega, eu adorava ajudar e fazer parte da evolução dos que me rodeavam. Penso que ele notou isso e decidiu oficializar a coisa, convencendo-me a tirar formação e a profissionalizar esta paixão de ensinar e partilhar.
FightNews: Que valores fundamentais aprendeste através da prática da luta e que procuras transmitir agora aos teus alunos?
Hugo Palma: Respeito, humildade e cuidado com o próximo. São do mais basilar que existe para que possamos evoluir, tanto enquanto seres humanos como praticantes da nobre arte.
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FightNews. Além de treinador adjunto da Escola de Boxe de Portimão, também és faixa preta de Jiu Jitsu. Como vês a evolução do boxe e do jiu jitsu em Portugal, especialmente fora dos grandes centros urbanos?
Hugo Palma: Tanto o boxe como o jiu jitsu têm ganho cada vez mais presença no mundo dos desportos de combate e no desporto em geral. A presença das redes sociais, apesar de todo o impacto prejudicial que pode ter na juventude, também é uma ferramenta que pode e deve ser usada para difundir as artes e fazê-las chegar mais longe, especialmente aos mais novos.
O jiu jitsu teve um boom muito grande nos últimos 10 a 15 anos, a meu ver, e cada vez mais abrem escolas em locais afastados dos centros urbanos, o que é excelente, pois dinamiza a prática desportiva local e muitas vezes cria oportunidades para jovens se desenvolverem como atletas no futuro.
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No tocante ao boxe, acho que a aposta na formação de novos treinadores, como eu, tem aberto muitas portas a novas gerações — não só para dar continuidade ao trabalho dos seus antecessores, mas também para inovar nos métodos de ensino e criar novos espaços de treino que fomentem a evolução dos praticantes.
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FightNews: Quais são os teus objetivos e expectativas ainda por cumprir no mundo da luta, tanto como atleta como treinador?
Hugo Palma: Ui, boa pergunta. Neste momento, estou deveras focado no ensino dos meus alunos e no acompanhamento dos atletas de competição. Quero ajudar o André Reis a elevar a nossa escola, tanto a nível competitivo como pedagógico. Fazer parte de novos patamares que, certamente, serão muito benéficos para todos os que decidirem entrar e fazer parte da família EBP.
Quanto a expectativas enquanto atleta, gostava de voltar a competir, mas apenas como desafio e evolução pessoal. Evoluímos bastante ao competir, e se isso me trouxer mais “bagagem” para poder partilhar com os meus alunos e colegas de treino, não posso pedir mais.
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FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar a todos os que acompanham e apoiam a tua carreira, dentro e fora do ringue e do tatami?
Hugo Palma: Primeiro, escolham melhor a quem acompanham (risos).
Segundo, já que insistem, sejam vocês próprios se forem boas pessoas. Caso sintam que não o sejam, façam escolhas que uma boa pessoa faria.
Nós, aqui na Escola de Boxe de Portimão, prezamos pelas ligações que estabelecemos porque são genuínas e derivadas da aceitação de que cada um é diferente. Mas, sendo uma boa pessoa, com os valores que pregamos, o resto é irrelevante.
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