MMA Cristiano Marcello
Cristiano Marcello: entre o Jiu Jitsu, o MMA e o legado de formar campeões
Ex-atleta de Jiu Jitsu e MMA, Cristiano Marcello fala sobre o seu início nas artes marciais e a missão de formar novos talentos na CM System.
09/10/2025 15h35 Atualizada há 9 meses
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
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“O verdadeiro campeão é aquele que nunca desiste”

 

Entrevista com Cristiano Marcello, líder e treinador da CM System

Cristiano Marcello é uma das figuras mais completas e respeitadas do MMA brasileiro. Ex-lutador de Jiu Jitsu e de MMA, foi um dos raros atletas a competir nas maiores organizações do mundo — Pride, UFC e The Ultimate Fighter (TUF) — e hoje lidera a CM System, uma das equipas mais consistentes do cenário internacional.

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Em entrevista exclusiva ao FIGHT NEWS Portugal, o treinador fala sobre o início da sua jornada nas artes marciais, a convivência com Rickson Gracie e o trabalho árduo de formar campeões dentro da CM System.

FightNews: Cristiano, como começou a tua ligação com as artes marciais? O que te levou a dar os primeiros passos no Jiu Jitsu e, mais tarde, no MMA?

Cristiano Marcello: Na verdade, comecei em 1987 no Taekwondo, na academia do mestre Lee, no Méier, no Rio de Janeiro. Aos 12 anos, na minha rua, iniciei o Jiu Jitsu, onde estava o mestre César Guimarães, o Casquinha, filho do saudoso mestre Walter Guimarães, aluno de Carlson Gracie. Foi ali o meu primeiro contacto com o Jiu Jitsu, onde permaneci por dois anos.
Depois fui para a Gracie Tijuca, primeiro sob o comando de Ralph Gracie e, mais tarde, de Mestre Royler Gracie. Fui atleta da Gracie Humaitá e Tijuca. Em 1995 tive a oportunidade de ir para o Panamericano e fiquei a morar com o Mestre Rickson Gracie durante alguns anos. Voltei ao Brasil e recebi a faixa preta das mãos do Mestre Royler Gracie.

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No Jiu Jitsu, fui múltiplo vice-campeão estadual, campeão internacional, campeão californiano e subi duas vezes ao pódio no Mundial. Em 1997 fiz os meus dois primeiros vale-tudo em Mato Grosso do Sul, na minha estreia — onde também estrearam Anderson Silva e Fabrício “Morango”, meu primo. Fui campeão após duas lutas no estilo sem luvas, com cabeçadas e praticamente sem regras. Esse foi o meu primeiro contacto profissional com o vale-tudo.
Depois participei em mais um Grand Prix e, após um hiato, voltei em 2001, já com a Chute Boxe e daí carreira seguiu nesse caminho do MMA.

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FightNews: Tiveste uma relação de grande amizade e proximidade com Rockson Gracie, filho do mestre Rickson Gracie. Que recordações guardas desse período e de que forma essa relação marcou a tua trajetória pessoal e desportiva?

Cristiano Marcello: O Rockson foi o meu melhor amigo. Foi ele quem pediu aos pais para que eu fosse acolhido como um filho. Tive o privilégio de viver com ele, dormir no mesmo quarto, comer o que ele comia, treinar, sair todos os dias e acompanhá-lo nas suas primeiras competições.
Era o meu confidente, e eu o dele — um irmão mais novo, mas com uma maturidade e inteligência muito à frente do seu tempo. Tenho apenas boas recordações dele. Rockson fez muito pela minha vida e sou eternamente grato.
Viver com o Rickson foi igualmente marcante. O estilo de vida dele, a forma de pensar e agir foram o maior legado. Mais do que treinar com ele, foi conviver com ele e aprender com o seu modo de ser que me marcou profundamente.

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FightNews: Foste um dos poucos atletas a competir nas maiores organizações do mundo, como o Pride, o UFC e também no The Ultimate Fighter. O que significou para ti essa experiência e o que mais te marcou ao longo dessa caminhada?

Cristiano Marcello: Foi algo que me marcou muito. Fui o único atleta do mundo a lutar no Pride, no TUF e no UFC. E, no Brasil, também participei no MECA, o maior evento da nossa história.
Isso deu-me muita confiança para me tornar o treinador que sou hoje. Também fui o único atleta a transitar entre a família Gracie e a Chute Boxe, duas escolas lendárias. Levei o Jiu Jitsu para dentro da Chute Boxe, na sua época de ouro.
Essa experiência é algo que valorizo muito e que levo para os meus atletas. A vivência que tive com grandes mestres é algo que poucos têm, e isso faz toda a diferença no trabalho que faço hoje como treinador.

FightNews: Hoje és o responsável pela CM System, uma das principais equipas de MMA do Brasil. Quais são os maiores desafios de seres líder e treinador de uma equipa desse nível?

Cristiano Marcello: Hoje posso dizer que, em todos os eventos onde participámos, tivemos campeões — sejam mundiais, nacionais ou regionais. Isso é motivo de muito orgulho.
A CM System é reconhecida como uma das melhores academias do mundo, fruto de 15 anos de muito trabalho. Para mim, o mais importante é manter o padrão e a reputação da equipa. Um atleta da CM System tem a chancela de ser profissional, bater o peso e entregar sempre grandes lutas. É esse o compromisso: lutar entre os melhores e buscar sempre o cinturão.

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FightNews: Que projetos tens em mente neste momento, tanto para o crescimento da CM System como no desenvolvimento de novos atletas?

Cristiano Marcello: Muitas academias trabalham com atletas já formados, o que respeito, mas eu gosto de formar os meus desde o zero.
Atletas como Eliseu Capoeira, Vitor Petrino, Luan “Miau”, Santiago, Geraldo Luan Santana e Matheus — todos foram criados dentro da CM System e campeões mundiais. Hoje temos também Rafael “Miniman” e Eric Visconti, atletas que nasceram e cresceram connosco, tornando-se campeões mundiais. 
Formar o atleta do zero evita vícios e cria identidade. Pode demorar mais, mas é assim que se constrói uma verdadeira equipa.

 

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FightNews: Se tivesse de escolher, qual consideras ter sido a luta mais marcante da tua carreira? Porquê?

Cristiano Marcello: Com certeza, a luta contra Reza Amadadi, no UFC Rio. Foram 15 minutos de puro sangue e agressividade dos dois lados. Independentemente de quem ganhou ou perdeu, os dois saímos vencedores — e o público mais ainda.

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FightNews: Qual foi o adversário mais duro que já enfrentaste dentro do cage?

Cristiano Marcello: Acredito que todos foram duros. Cada luta tem a sua particularidade e o seu grau de dificuldade. Talvez algumas tenham parecido mais fáceis porque eu estava muito bem preparado, mas todos os meus adversários foram desafiantes e contribuíram para o meu crescimento.

FightNews: Para terminar, que mensagem gostarias de deixar a toda a comunidade da luta — praticantes, fãs e jovens que sonham em trilhar o caminho das artes marciais?

Cristiano Marcello: Procurem uma academia onde o professor tenha uma verdadeira história dentro da luta. Não basta ser lutador — é preciso ter formação, ser faixa preta de alguém digno.
Hoje é fácil tornar-se faixa preta, mas é importante conhecer a linhagem e o legado do mestre que vos guia.
Nunca deixem que a vontade dos outros seja maior do que a vossa de vencer. A vossa tem de ser sempre a mais forte.
O verdadeiro campeão é aquele que nunca desiste. Perseverem no vosso caminho e nada vos vai impedir.

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