Sábado, 25 de Julho de 2026
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FPLA projeta futuro de excelência: mais atletas, mais clubes e maior presença internacional

Rui Manuel Marta reforça a importância do esforço coletivo de atletas, treinadores, árbitros e clubes

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
30/09/2025 às 13h59 Atualizada em 30/09/2025 às 20h55
FPLA projeta futuro de excelência: mais atletas, mais clubes e maior presença internacional
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Um desporto em crescimento, mas ainda com desafios pela frente.

 

A Luta é uma das modalidades mais antigas do mundo e, em Portugal, celebra este ano um marco histórico: o centenário da sua federação. Em entrevista a Fight News Portugal, Rui Manuel Marta, presidente da Federação Portuguesa de Lutas Amadoras (FPLA), fala sobre o momento atual, os desafios e a visão de futuro para a modalidade, que procura afirmar-se cada vez mais no panorama nacional e internacional.

FightNews: Como avalia o momento atual das lutas amadoras em Portugal?

Rui Manuel Marta: Atravessamos um momento de consolidação e de crescimento, com mais praticantes, treinadores, clubes e autarquias envolvidas, bem como maior presença em competições nacionais. Inclusivamente, já ultrapassámos o número de filiados, comparando com o ano passado. Destacam-se ainda os progressos na formação de atletas, treinadores e árbitros, embora persistam desafios como o reforço dos apoios financeiros, a visibilidade mediática e as condições de treino. Globalmente, vivemos uma fase de afirmação, assente numa base sólida que aponta para um futuro de maior internacionalização e reconhecimento.

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FightNews: Quais têm sido os principais desafios da modalidade nos últimos anos?

Rui Manuel Marta: Nos últimos anos, as Lutas em Portugal têm enfrentado vários desafios estruturais e operacionais que condicionam o seu crescimento e consolidação. Entre os principais, destaco:

- Captação e fidelização de praticantes - Apesar de se verificar uma maior abertura da sociedade às modalidades de combate, continua a ser um desafio atrair novos atletas, sobretudo jovens, e garantir a sua permanência ao longo das diferentes etapas da formação desportivas.

- Formação e qualificação de treinadores e árbitros -  A necessidade de assegurar quadros técnicos devidamente qualificados e atualizados é central para a qualidade da prática desportiva e para o alinhamento com os regulamentos internacionais da United World Wrestling (UWW) e da International Mixed Martial Arts Federation (IMMAF).

- Escassez de infraestruturas especializadas - A falta de espaços devidamente equipados para a prática da modalidade continua a ser uma limitação, obrigando muitas vezes a partilha com outras artes marciais ou modalidades de combate.

- Financiamento e sustentabilidade - A obtenção de apoios financeiros consistentes, tanto públicos como privados, é um desafio recorrente, essencial para garantir a participação em competições internacionais, a organização de eventos nacionais e o apoio aos clubes.

- Visibilidade mediática reduzida - Enfrentamos um défice de projeção mediática, o que dificulta o reconhecimento público e a atração de patrocinadores. O aumento da presença digital e a dinamização de eventos têm sido esforços importantes, mas há ainda caminho a percorrer.

- Competitividade internacional elevada - Apesar do empenho dos atletas e clubes, o nível competitivo internacional é elevado, exigindo programas estruturados de preparação e maior acesso a estágios e torneios fora de Portugal.

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FightNews: Que objetivos estratégicos a federação definiu para o desenvolvimento da luta em Portugal no curto e médio prazo?

Rui Manuel Marta: Posso afirmar que os objetivos estratégicos definidos, no curto e médio prazo (2025-2028), assentam em seis áreas prioritárias - tanto internas como nucleares - que estruturam o nosso crescimento.

1.  Desenvolvimento Desportivo
a. Aumentar o número de praticantes e clubes, sobretudo nos escalões de formação.
b. Criar programas de iniciação em colaboração com escolas e associações
c. Melhorar a formação de treinadores e árbitros.
d. Reforçar a competitividade e a estrutura das competições nacionais
e. Expandir a modalidade para territórios de baixa densidade populacional

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2. Seleções Nacionais e Alto Rendimento
a.  Garantir a evolução e competitividade das seleções, assegurando preparação para Europeus, Mundiais e Jogos Olímpicos.
b.  Aumentar a participação internacional e criar ciclos de preparação a longo prazo
c.  Disponibilizar acompanhamento psicossocial e monitorização do bem-estar dos atletas de elite.

3. Formação de Recursos Humanos
a.  Desenvolver e reter agentes desportivos qualificados (treinadores, árbitros, dirigentes).
b.  Criar planos de formação contínua com certificação e progressão de carreira
c.  Utilizar plataformas digitais para capacitação e atualização de competências.

4. Eventos Internacionais
a.  Atrair para Portugal pelo menos um evento internacional de grande dimensão até 2028.
b.  Melhorar a capacidade organizativa e logística dos eventos.
c.  Maximizar o impacto económico, turístico e mediático através da promoção e comunicação.

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5. Responsabilidade Social
a.  Reduzir desigualdades de acesso ao desporto, promovendo a igualdade de género
b.  Criar programas de inclusão de jovens, mulheres, pessoas com deficiência e grupos vulneráveis.
c.  Consolidar o “desporto para todos” como eixo central da intervenção social.

6. Áreas Internas (Gestão e Sustentabilidade)
a.  Garantir a sustentabilidade financeira da federação através da diversificação de fontes de financiamento (patrocínios, fundos europeus, merchandising).
b.  Modernizar infraestruturas e digitalizar processos
c.  Reforçar a comunicação e a visibilidade da modalidade nos meios de comunicação e redes sociais

Na prática, e no curto prazo, o foco está no alargamento da base de praticantes, reforçar a estrutura federativa e modernizar a gestão; no médio prazo, em consolidar a presença internacional, na organização de grandes eventos desportivos, garantir a igualdade de acesso e alcançar resultados desportivos de excelência.

FightNews: Que impacto espera que as próximas competições nacionais e internacionais tenham na evolução dos nossos atletas?

Rui Manuel Marta: As competições nacionais e internacionais assumem-se como momentos fundamentais no processo de afirmação e de evolução dos nossos atletas.
No plano nacional, estas competições permitirão consolidar a base da pirâmide desportiva, reforçando a preparação técnica e física dos nossos jovens praticantes, promovendo a deteção de talentos e assegurando a sua progressiva integração nos programas de alto rendimento. Através de um calendário competitivo estruturado, conseguiremos aumentar a qualidade do treino, a motivação e a retenção de atletas nos escalões de formação.

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No plano internacional, cada participação constitui não apenas um desafio competitivo, mas também uma valiosa oportunidade de crescimento e projeção. A experiência adquirida em contextos de elevada exigência é insubstituível e assume um papel decisivo na elevação dos níveis de performance dos atletas de elite. Com uma meta clara definida para 2028, Portugal ambiciona integrar o grupo dos oito melhores países da Europa e do Mundo em diversos escalões. Um exemplo concreto desse caminho é a atual presença no Campeonato do Mundo de MMA, a decorrer na Geórgia, que representa mais um passo na afirmação internacional da modalidade.
Naturalmente, a dignificação de Portugal permanece como objetivo central, na medida em que o desporto se assume como uma poderosa ferramenta de promoção da imagem e do prestígio do nosso país no cenário global.

FightNews: Portugal vai disputar o Campeonato do Mundo de Beach Wrestling U17 na Grécia. Quais são as expectativas?

Rui Manuel Marta: Esta competição acaba por ser estratégica para o futuro da Beach Wrestling e igualmente para Portugal, uma vez que permite consolidar o trabalho realizado nos escalões de formação e projetar jovens talentos para o alto rendimento. Temos como objetivo a conquista de classificações de relevo no top-10 mundial, bem como a aquisição de experiência internacional essencial para acelerar a evolução técnica, física e psicológica dos atletas.

Imagem Youtube Beach Wrestling World Series

A participação portuguesa neste campeonato assume igualmente grande importância simbólica e estratégica, pois procede ao reforço da afirmação de Portugal no panorama internacional da luta, particularmente numa disciplina emergente como o Beach Wrestling; promove a valorização do percurso da juventude desportiva nacional, mostrando que há condições para competir ao mais alto nível e contribui para a visibilidade da modalidade no país, incentivando o envolvimento de clubes, treinadores e novos praticantes.

Este campeonato tem também uma forte ligação com os Jogos Olímpicos da Juventude Dakar 2026 (Senegal), onde o Beach Wrestling assumirá papel de destaque no programa competitivo. Para a FPLA, estes Jogos são de enorme relevância igualmente para o movimento olímpico, uma vez que promovem a inovação e aproximam o desporto da juventude, reforçando valores de inclusão, diversidade e universalidade.
Assim, a participação de Portugal no Mundial U17 de Beach Wrestling é não só uma preparação desportiva de elevado nível, mas também um passo fundamental para garantir presença e competitividade nos Jogos Olímpicos da Juventude, projetando a luta portuguesa para o cenário global e acompanhando a evolução estratégica do movimento olímpico.

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FightNews: Qual é a sua visão de futuro para as lutas amadoras em Portugal e o legado que gostaria de deixar como presidente?

Rui Manuel Marta: A visão de futuro e o legado que eu e os órgãos sociais da federação, gostaríamos de deixar, assentam nos princípios essenciais que constam no Plano de Desenvolvimento 2025-2028.
Como Visão de Futuro, ambicionamos como afirmação de uma federação moderna, transparente e sustentável, reconhecida pela excelência organizativa, mérito desportivo, inclusão e desenvolvimento sustentável. Queremos ser uma referência nacional e internacional, promovendo o crescimento desportivo, formativo e social das lutas amadoras em todas as suas dimensões.

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O Legado que desejamos deixar é o de ter contribuído para a afirmação da Luta como modalidade respeitada e com expressão crescente em Portugal, comparável a outras artes marciais e desportos de combate mais mediáticos; conseguir uma federação sólida e sustentável, com finanças equilibradas, processos modernos e comunicação eficaz; na criação de uma cultura de excelência e inclusão, onde todos os agentes desportivos se sintam que têm um papel ativo e reconhecido; garantir que a Luta Portuguesa, sem embargo da sua tradição histórica, passe a ter um futuro desportivo, com impacto no panorama olímpico e mundial.

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FightNews: Que mensagem gostaria de deixar aos atletas, treinadores e clubes?

Rui Manuel Marta: A Luta, em Portugal, é herdeira de um legado centenário, símbolo de tradição e identidade desportiva, que neste ano celebra o centenário da sua federação. Este marco histórico constitui não apenas um motivo de orgulho, mas também um compromisso renovado com o futuro, que dependerá sempre da dedicação e do esforço coletivo de todos os que integram esta comunidade desportiva.

Paralelamente, o MMA afirma-se como uma modalidade emergente e estratégica, que vem fortalecer o ecossistema das disciplinas de combate e contribuir para o prestígio nacional no panorama internacional. Juntas, a Luta e o MMA representam tradição e modernidade, formando uma base sólida para projetar Portugal a novos patamares de reconhecimento e excelência.

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Os Atletas são a razão de ser da nossa federação. O vosso esforço diário, dentro e fora dos tapetes e das cages, é a verdadeira força motriz da modalidade. Que nunca vos falte a coragem, a disciplina e a ambição de representar o vosso clube e o vosso país ao mais alto nível.

Os Treinadores são os pilares da formação e da excelência técnica. Cabe-vos transmitir valores, conhecimento e motivação às novas gerações, ajudando a construir campeões, não apenas no desporto, mas também na vida.

Os Árbitros desempenham uma função essencial para a verdade desportiva e para a credibilidade das nossas competições. A vossa imparcialidade, rigor e dedicação são fundamentais para que a Luta e o MMA sejam respeitados e para que cada combate decorra em condições de justiça e segurança.

Os Clubes são a base da pirâmide que sustenta toda a modalidade. Sem o vosso trabalho persistente, o nosso crescimento não seria possível. A FPLA está empenhada em apoiar-vos com formação, recursos, visibilidade e condições para que possam crescer e formar cada vez mais praticantes.

A todos, deixo uma mensagem de confiança e de união: juntos, seremos capazes de afirmar a Luta e o MMA como modalidades respeitadas, inclusivas, modernas e com expressão crescente em Portugal e no estrangeiro. Este é o nosso desafio e, deste modo, a nossa oportunidade.

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