
O MMA é hoje um dos desportos mais emocionantes e seguidos em todo o mundo, mas ainda existe a ideia errada de que se trata de um “vale-tudo”. Na verdade, por trás de cada combate existe um conjunto de regras muito bem definido que garante a segurança dos atletas e a justiça da competição.
Essas regras são conhecidas como Regras Unificadas de MMA e são aplicadas na maioria dos eventos profissionais. De forma simples, os combates costumam ter três assaltos de cinco minutos, com um minuto de descanso entre cada um, e no caso de lutas de título podem chegar a cinco assaltos. Os atletas são divididos por categorias de peso para garantir equilíbrio, e existe sempre um árbitro central que acompanha o combate de perto para proteger os lutadores e aplicar as regras quando necessário.

Imagem Instagram João Vitor Costa
A pontuação segue o sistema de dez pontos, em que o vencedor do assalto normalmente recebe 10 e o seu adversário 9 ou menos, valor varia conforme o domínio. Os juízes avaliam a efetividade dos golpes, a luta no chão, o controlo da área de combate e a agressividade em critérios muito definidos. Para além disto, há ações que são claramente proibidas, como golpes na nuca, ataques aos olhos, puxar cabelo, morder, cuspir, pontapés ou joelhadas na cabeça de um adversário que esteja em posição de chão (grounded), entre outros exemplos.

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No caso do MMA amador, regulado pela International Mixed Martial Arts Federation (IMMAF), as regras são adaptadas de acordo com a idade dos atletas para garantir maior segurança e um percurso de aprendizagem gradual. Os escalões mais jovens são conhecidos como Youth e estão divididos em categorias específicas. O escalão Youth C abrange atletas dos 12 aos 13 anos, o Youth B dos 14 aos 15 anos e o Youth A dos 16 aos 17 anos. Existe ainda o escalão Youth D, para idades inferiores, onde o contacto é ainda mais limitado, funcionando quase como uma iniciação técnica ao MMA. Nestes escalões, é proibida qualquer joelhada ou cotovelo, não é permitido golpear a cabeça e há regras muito restritivas quanto ao contato para proteger o desenvolvimento dos jovens.

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A partir dos 18 anos surgem os Juniores e Seniores, já com um regulamento mais próximo do que se encontra no profissional, mas ainda com algumas limitações, sobretudo em relação a golpes com cotovelos e joelhadas na cabeça e ainda com diferenças claras, como a obrigatoriedade do uso de proteções adicionais (caneleiras e luvas ligeiramente maiores). Este modelo progressivo da IMMAF permite que o atleta avance por etapas, adaptando-se ao contato e à complexidade técnica de forma segura, ganhando experiência internacional em competições oficiais e preparando-se para, no futuro, dar o salto para o circuito profissional.

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Em Portugal, a Federação Portuguesa de Lutas Amadoras, enquanto entidade reguladora da modalidade, segue todos os parâmetros mencionados e os promotores que atuem no território nacional estão obrigados a cumpri-los. Há promotores que fazem eventos que seguem as Regras Unificadas, e outros o formato da IMMAF e ainda há quem misture ambas. É importante que tanto os praticantes como o público compreendam estas diferenças, porque isso ajuda a perceber a dinâmica de cada gala e também a credibilidade que o desporto pode ganhar no nosso país.

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Compreender as regras do MMA é fundamental para valorizar cada combate. Só assim conseguimos apreciar que não é apenas luta, mas sim uma mistura de estratégia, técnica, disciplina e respeito. É por isso que aqui na Fightnews queremos explicar o desporto de forma clara e aproximar cada vez mais os fãs da realidade do MMA.
E agora deixamos o convite: nas próximas publicações vamos falar em detalhe sobre as diferenças entre as Regras Unificadas e as regras da IMMAF, explicar como funciona a pontuação dos juízes e analisar quais são as situações mais polémicas dentro de um combate.
Mas também queremos ouvir quem nos lê: que temas gostariam de ver explicados no próximo artigo?