
José Aleixo, mais conhecido por Zizo, divide a sua vida entre a profissão de serralheiro e a paixão pelas artes marciais. Prestes a concluir o curso de treinador de grau I, será o futuro responsável pela vertente de submissão na UDCAS Kempo, onde já inspira colegas e alunos com a sua determinação e filosofia de vida. Nesta entrevista, fala-nos sobre o seu percurso, os desafios de conciliar diferentes mundos e os valores que procura transmitir.
FightNews: Como e quando começou o seu percurso nas artes marciais?
O meu percurso nas artes marciais começou quase por acaso. Sempre tive vontade de experimentar, mas nunca tinha tido a “coragem” de tentar. Como as minhas duas filhas já faziam parte da equipa, acabei por ganhar essa coragem. Fui assistir a um campeonato de uma delas e gostei imenso do ambiente. Depois, ao assistir a um treino, recebi o convite do Mestre Nuno Grilo e resolvi sair do ginásio para experimentar. Desde 2019 que faço parte desta equipa maravilhosa.
Imagem Cedida José Aleixo
FightNews: O que o levou a escolher o Kempo como desporto de combate e, mais recentemente, a especializar-se na vertente de submissão?
O Kempo é uma arte marcial muito abrangente e engloba vários estilos, dando aos atletas várias possibilidades de escolha: defesa pessoal, combate e o tradicional. Mesmo dentro da vertente de combate existem diferentes caminhos, e isso despertou o meu interesse — a imensa variedade e a forma como a nossa federação sempre se rege pelo fair play.
A vertente de submissão sempre me despertou maior vontade, pela forma como o combatente se desenvolve. Não se trata apenas de defender e golpear, mas também de saber ler outras situações de combate, como finalizações e projeções. É uma forma diferente de combater sem bater no adversário.
Imagem cedida José Aleixo
FightNews: Que valores considera que as artes marciais lhe trouxeram ao longo dos anos?
Ajudaram-me imenso a crescer enquanto pessoa. Antes perdia facilmente a calma e a minha disciplina alimentar não era a melhor. Desde que pratico Kempo, isso foi mudando. Hoje considero-me uma pessoa mais saudável e sensata.
FightNews: Como é conciliar a vida de serralheiro com a dedicação ao Kempo e à vertente de submissão?
Não é fácil. Muitas vezes tenho de trabalhar fora da minha área de residência e treinar torna-se complicado. Mesmo assim, procuro sempre fazer algo, nem que seja corrida ou um pouco de “sombra”. Quanto à submissão, às vezes pratico com os colegas de trabalho, sempre em modo de treino.
Imagem cedida José Aleixo
FightNews: Encontra pontos de ligação ou sinergias entre o trabalho de serralheiro e o rigor do treino de artes marciais?
Sim. No meu trabalho encontro pontos em comum com as artes marciais. Muitos movimentos são semelhantes a exercícios de aquecimento. Além disso, quando tenho de me concentrar em situações de risco, como trabalhar em altura, é quase como o início de um combate: preciso de foco total naquilo que vou fazer.
FightNews: O Kempo ajuda-o de alguma forma a exercer melhor a sua profissão?
Sim, principalmente na destreza física e na concentração para analisar os perigos iminentes da profissão.
Imagem cedida José Aleixo
FightNews: Está a terminar o curso de treinador de grau I. O que significa para si dar este passo na sua carreira desportiva?
Foi importante porque a submissão era uma novidade e tínhamos bastantes atletas interessados em praticar. Com a carga horária, era difícil encaixar treinos específicos. Depois de refletir e conversar com o Mestre Nuno e a equipa técnica, decidi tirar o curso. Assim conseguimos criar uma forma de todos os interessados na submissão poderem treinar com mais conhecimento técnico.
Se o curso terá impacto na minha carreira como atleta, provavelmente sim, mas não pretendo competir por muito mais tempo.
Imagem cedida José Aleixo
FightNews: Que impacto gostaria de deixar nos atletas com quem trabalha ou vai trabalhar?
Que nunca se esqueçam do que lhes digo antes dos combates: “Acima de tudo, vai para cima do tatami e diverte-te.” E que, quando um dia a vida nos afastar, recordem “aquele rola rola” que fizemos num dos muitos treinos da nossa vida.
FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de transmitir à comunidade do Kempo, aos seus colegas, alunos e apoiantes?
A mensagem é simples: “O cinto negro de hoje é um cinto branco que nunca desistiu. E se queres ser melhor amanhã do que és hoje, treina. Não vás só ao treino.”
Imagem cedida José Aleixo