
Com uma vida dedicada às artes marciais desde os 7 anos, André Lopes, treinador da equipa Unlimited, fala sobre o percurso que o trouxe ao mundo do MMA, os valores que considera fundamentais dentro e fora do tatame, e a evolução da modalidade em Portugal. Em entrevista, o técnico revela também os desafios para o futuro e partilha os focos da sua equipa para os próximos meses.

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FightNews: Como e quando começou a sua jornada nos desportos de combate?
Comecei nos desportos de combate quando tinha 7 anos, no Karate, no estilo de Goju-Ryu (o mesmo que George Saint Pierre).
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FightNews: Que valores as artes marciais lhe transmitiram e de que forma procura passá-los aos seus alunos?
Com a sua influência japonesa, valores como o Respeito, pelos colegas e pelo mestre, e a Obediência, eram sobretudo importantes.
Além disso, a Disciplina, de não chegar atrasado, e o de ser Consistente nos treinos (não faltar) eram também aspetos centrais.
Outros aspetos, como a capacidade de atingir a perfeição através da repetição e o de conseguir lidar com a frustração quando ainda estamos a aprender uma determinada técnica ou tática.
O gosto pelo trabalho, pelo esforço e pela capacidade de nos superarmos a nós mesmos.Hoje em dia, procuramos passar esses mesmos valores aos atletas e isso é visível quando treinam uns com os outros. Regras básicas de fazermos a saudação ao entrar ou sair de um tatame, o de nunca pisar o tatame calçado, sair sempre usando calçado apropriado, cumprimentar os colegas estão sempre presentes. É através destas interações básicas que incutimos esses valores, que vão ser fundamentais ao longo da sua vida, dentro e fora do tatame.
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FightNews: Na sua perspetiva, qual é o maior impacto que a prática das artes marciais pode ter na vida de uma pessoa, dentro e fora do tatame/cage?
Sobretudo a Resiliência. Perceber que a vida não se trata de ganhar mas sim de nunca desistir.
FightNews. Como vê atualmente o panorama das artes marciais em Portugal, sobretudo o crescimento do MMA?
Com o sucesso português nos maiores palcos internacionais, estamos a ter cada vez mais jovens a querer conhecer e experimentar o MMA.
Além disso, hoje em dia, um jovem pode olhar para o MMA e ver um futuro. Pode olhar para o MMA e pensar em fazer carreira dele. Hoje em dia, essas portas já estão abertas.
O MMA em Portugal continua a crescer, ano após ano, com cada vez mais eventos a nível nacional – estágios, campos de treinos, campeonatos, competições e seminários.
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FightNews:Quais considera serem os maiores desafios e oportunidades para o desenvolvimento da modalidade no país?
Em termos de Desafios para o MMA em Portugal passa por aumentar a competitividade em Portugal. Precisamos de fazer com que os atletas queiram cá ficar e construir a sua carreira.
A longo prazo, será também importante promover o MMA junto das escolas.
A curto e médio prazo a formação de treinadores e o uniformizar estratégias e métodos de ensino.
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Quanto a Oportunidades, vai-nos ser possível melhorar a qualidade de ensino, aplicando uma metodologia e uma estrutura do treino até porque, muitas vezes, as academias focam-se apenas num aspeto único do MMA, acabando por esquecer a ligação entre as várias componentes que compõem a modalidade (como seja a ligação entre o strike e o grappling).
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FightNews: E no que toca à equipa Unlimited, quais os grandes focos para os próximos meses em termos de evolução e competições?
A seu devido tempo, as novidades serão lançadas para todos.
Mas, para já, estamos com uma excelente equipa técnica e conseguimos cobrir as diversas variáveis que um atleta precisa de se preocupar (técnica, tática, física, nutrição, psicológico).
Em termos de competições, teremos atletas a competir agora no Mundial da IMMAF, na Geórgia, no Rise, aqui em Portugal, e temos ainda algumas lutas por fechar ainda este ano, com o nosso atleta Zé Machado.
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FightNews. Por fim, que mensagem gostaria de deixar a todos os fãs de MMA em Portugal que acompanham o seu trabalho e da sua equipa?
Primeiro de tudo, agradecer a todos os que nos têm apoiado nesta caminhada.
Estou confiante em dizer que o trabalho que estamos a desenvolver tem a capacidade de mudar a vida de um jovem (enquanto pessoa e atleta) e não há nada mais satisfatório do que isso.
Cabe também a nós responsabilidade de educar e transformar a próxima geração de jovens.
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