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João Vitor Costa: ‘O futuro do MMA em Portugal depende de todos nós’
Árbitro internacional fala sobre a sua carreira, os desafios do MMA em Portugal e a importância da formação e da união da comunidade.
26/08/2025 10h55 Atualizada há 11 meses
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
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Entrevista | João Vitor Costa, Árbitro Internacional de MMA

 

O MMA em Portugal tem vivido uma fase de crescimento e consolidação, mas ainda enfrenta desafios estruturais e de reconhecimento. Para compreender melhor esta realidade, a Fight News conversou com João Vitor Costa, árbitro internacional de MMA, com experiência em várias modalidades de combate e presença em competições internacionais.

Com uma trajetória iniciada nas Lutas Olímpicas, João alia a paixão pelo desporto à missão de garantir justiça e segurança nos combates. Nesta entrevista, fala sobre o seu percurso, as exigências da arbitragem, o estado atual do MMA em Portugal e o que considera fundamental para o futuro da modalidade.

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FightNews: Como foi o início do seu percurso no desporto de combate e de que forma surgiu o interesse em tornar-se árbitro de MMA?

O meu percurso nas Lutas Olímpicas começou aos 12 anos. Nessa altura, procurava uma modalidade desportiva e comecei por experimentar basquetebol. No entanto, vivia uma fase marcada pelo bullying e senti necessidade de procurar algo diferente — um desporto de combate que me desse força e confiança. Foi então que descobri as Lutas Olímpicas. A partir desse momento, a luta tornou-se uma paixão e mudou a minha vida. Foi a minha verdadeira escola de disciplina, superação e resiliência.

Ao longo dos anos representei vários clubes, conquistei títulos nacionais e tive a honra de vestir as cores da Seleção Nacional. Mas percebi que podia ir além do papel de atleta. Em 2001, iniciei também a minha formação como árbitro de Lutas Olímpicas. Essa experiência deu-me uma visão privilegiada, dentro e fora do tapete.

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Quando surgiu a oportunidade de arbitrar MMA, a transição foi natural: já trazia comigo a experiência, a paixão pelo detalhe das regras e a vontade de contribuir para o crescimento de uma modalidade em forte expansão. Além disso, era mais uma disciplina a integrar a Federação Portuguesa de Lutas Amadoras, onde já tinha arbitrado Beach Wrestling, Grappling, Pankration e até a tradicional luta portuguesa, Luta Galhofa. Hoje, ser árbitro de MMA é unir a paixão pelas artes de combate à responsabilidade de garantir justiça, segurança e transparência em cada combate.

FightNews: Quais têm sido os maiores desafios no desenvolvimento da sua carreira como árbitro internacional de MMA?

Os maiores desafios são, sem dúvida, a constante exigência de atualização e a responsabilidade de representar Portugal num desporto global como o MMA. As regras evoluem, a interpretação ajusta-se, e é preciso estar sempre atento — estudar, assistir a combates, participar em formações e manter contacto com árbitros e federações internacionais.

Outro desafio é a pressão do ambiente. O árbitro é quem garante a segurança dos atletas e a justiça da competição. Muitas vezes, temos de decidir em segundos, sob a pressão do público, das equipas e até das expetativas dos próprios lutadores. É preciso frieza, confiança e experiência.

Existe também o desafio logístico e pessoal. Ser árbitro internacional de duas federações implica muitas viagens, muitas horas de dedicação e conciliar esta paixão com a vida profissional e familiar. Mas cada desafio fortalece-me, porque sei que cada combate é uma oportunidade de honrar a modalidade e o meu país.

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FightNews: Que valores retirou da luta e das artes marciais que aplica no seu dia a dia?

As Lutas Olímpicas ensinaram-me valores que levo comigo para toda a vida. O primeiro é a disciplina — sem ela não há evolução, seja no desporto ou na vida. Depois, a resiliência, porque a luta obriga-nos a levantar de cada queda, e isso aplica-se a qualquer desafio pessoal ou profissional.

Aprendi também a humildade — no tapete, no cage ou na areia ninguém é invencível. Há sempre algo a melhorar e alguém de quem aprender. E, claro, o respeito: pelo adversário, pelo árbitro, pelos treinadores e por todos os envolvidos. Esse respeito moldou também a forma como me relaciono fora do desporto.

No fundo, aplico diariamente o que a luta me ensinou: dedicação, aprender com as derrotas, viver as vitórias com humildade e nunca perder o espírito de equipa.

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FightNews: Como analisa o atual momento do MMA em Portugal?

O MMA em Portugal está em fase de crescimento evidente. Há cada vez mais praticantes, academias e público interessado. O sucesso de atletas portugueses no estrangeiro projeta a modalidade e aumenta o reconhecimento cá dentro. Temos ainda oficiais a desempenhar papéis importantes em várias funções dentro da IMMAF (Federação Internacional de MMA).

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Mas ainda estamos numa fase de consolidação. Falta maior estrutura organizativa, mais apoio institucional e formação qualificada para atletas, treinadores, árbitros e cutmans. Um grande investidor poderia dar o “salto” que precisamos.

Apesar disso, sinto que estamos no bom caminho. Há eventos, projetos e uma comunidade empenhada. O próximo passo é transformar este entusiasmo em bases sólidas, que permitam ao MMA português afirmar-se ainda mais.

FightNews: Na sua visão, o que ainda falta para que o MMA cresça mais em Portugal?

O que falta é, acima de tudo, estrutura. Precisamos de organização, de união entre as entidades que promovem a modalidade, de calendários definidos e critérios claros. Só assim atletas, treinadores e árbitros terão um percurso de progressão.

É fundamental apostar na formação, na partilha de conhecimento, em colóquios, fóruns e encontros técnicos. Apenas com treinadores capacitados, árbitros preparados e atletas acompanhados desde cedo é que conseguiremos criar um ecossistema de excelência.

Também faz falta apoio institucional e patrocínios. O MMA depende ainda muito do esforço individual das academias, dos praticantes e das promotoras. Mais visibilidade mediática e um marketing estruturado trariam promotoras internacionais e novas oportunidades.

Temos talento e paixão — agora precisamos de bases sólidas e sustentáveis. Quando isso acontecer, Portugal terá todas as condições para afirmar-se no panorama mundial do MMA.

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FightNews: Em termos de regras, considera que atletas e equipas estão bem preparados?

A evolução tem sido positiva, mas ainda há caminho a percorrer. Os atletas e as equipas estão cada vez mais atentos às regras, mas o conhecimento nem sempre é profundo ou uniforme.

O MMA é complexo, com regulamentos que variam consoante a idade, o nível e o tipo de competição. Por isso, é essencial haver mais ações de sensibilização e formação contínua, tanto para atletas como para treinadores. Isso garante não só a justiça, mas também a segurança.

Já me disponibilizei para ir a academias dar formações sobre regras, juízes e boas práticas. Nunca fui contactado, mas acredito que todos ganhamos em partilhar conhecimento — afinal, dependemos uns dos outros.

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FightNews: O que poderia ser feito para melhorar o conhecimento e a aplicação das regras?

É preciso investir em formação contínua e acessível: workshops regulares, clínicas de arbitragem para atletas e treinadores, e briefings antes de competições.

Outro aspeto essencial é a comunicação com o público. Muitas vezes os fãs não percebem certas decisões dos árbitros porque não conhecem as regras em detalhe. Explicações em redes sociais, vídeos didáticos ou transmissões com comentários técnicos fariam uma enorme diferença.

Quanto mais informação partilharmos, maior será a transparência, a confiança nas decisões e a valorização do MMA enquanto modalidade séria e profissional.

Mas nisso, em breve iremos ter novidades, numa parceria que dará essa informação e formação...

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FightNews: Que mensagem gostaria de deixar para a comunidade do MMA em Portugal?

A mensagem que deixo é de união e compromisso. O MMA em Portugal tem um potencial enorme, mas só crescerá verdadeiramente se trabalharmos em conjunto — atletas, treinadores, árbitros, dirigentes e fãs.

O futuro do MMA em Portugal depende de todos nós. Com paixão, dedicação e respeito, tenho a certeza de que continuaremos a colocar o nosso país no mapa mundial da modalidade.

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