
Criado em 2018, o podcast Atrás da Grade nasceu com o objetivo de dar espaço e voz aos atletas, desmontando preconceitos e trazendo ao público histórias até então desconhecidas. O projeto, que tem como co-fundador Helson Henriques, rapidamente deixou de se focar apenas no MMA e passou a abranger outras modalidades de combate e até diferentes áreas do desporto. Em conversa com a Fight News Portugal, Helson fala sobre o passado e futuro do projeto, analisa a realidade dos desportos de combate em Portugal e deixa uma mensagem clara à comunidade: sem união, não há crescimento.

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FightNews: O que o levou a criar o podcast Atrás da Grade e qual foi a principal motivação por detrás deste projeto?
Na altura, algures em 2018, poucas plataformas havia para dar voz aos atletas e julgávamos que seria ideal mostrar como alguns atletas sabem articular duas palavras e não são broncos. Seria bom para dar uma visão geral positiva ao desporto e atrair potenciais parceiros para a comunidade em geral.

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Daí foi-se condensando em saber mais sobre a vida dos atletas e a necessidade de ouvir histórias muitas vezes desconhecidas até mesmo para os praticantes da modalidade. O podcast começou por ser para falar do MMA, visto “atrás da grade”, mas depois surgiu a necessidade de alargar para outras modalidades de luta e agora para quase toda a vertente do desporto e conexos.

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FightNews: Como vê atualmente o momento e o futuro dos desportos de combate em Portugal?
Estamos numa boa rampa de lançamento do MMA e do jiu-jitsu.
O kickboxing, apesar de enfrentar barreiras federativas, já é muito mais maduro, mas falta mediatismo e competição internacional mais afincada de portugueses.
As outras modalidades, algumas olímpicas, vão vivendo quase só disso e para isso, e perdem um pouco o brilho diário da competição interna.

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FightNews: Quais considera serem os maiores desafios e também as maiores oportunidades para a modalidade no nosso país?
Contrariamente ao que se diz regularmente — que o problema é a falta de apoios — eu creio que a verdadeira barreira é interna. É gritante a falta de união sorrateira que existe.
Não existe um sentimento de comunidade ao ponto de se crescer e vibrar salvo se for com os colegas de equipa ou com os amigos. É uma dura realidade, mas se houvesse união, não faltariam apoios, pois há imensa gente a praticar desportos de combate em Portugal.
FightNews: Durante o percurso do podcast, houve alguma história marcante ou inesperada que mais o tenha surpreendido?
Todas as histórias são impressionantes. Se revelar as mais marcantes, vai parecer que tiro crédito a diversas outras muito boas e bem vividas também.

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FightNews: Sente que ainda falta apoio e cobertura mediática para estas modalidades, ou até mesmo das marcas e patrocinadores?
Falta, sim, mas sempre que aparece alguém de fora percebe que não existe um sentimento de comunidade e os números acabam por ser sempre medíocres.
Na ânsia de serem os melhores da rua, perdem sempre a oportunidade de fazer parte de um todo global. E os de fora voltam rapidamente para fora.

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FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de deixar à comunidade da luta em Portugal – atletas, treinadores, equipas e fãs?
Tínhamos tudo para funcionar como na economia se denominam os oligopólios, mas acabamos por ser um submundo quase anárquico.
Havendo um sentimento de pertença e união, os desportos de combate podem definir o rumo desportivo do país; ganhando um, ganham todos.
Obrigado à Fight News por ser parte dessa pertença.