
Dividida entre a paixão pelo desporto e a dedicação à educação, Carolina Fonseca é treinadora de Kempo da UDCAS e também educadora no ensino básico. O seu percurso mostra como duas áreas aparentemente distintas podem caminhar lado a lado, partilhando valores como disciplina, respeito e superação.
Em entrevista, Carolina fala sobre os desafios e aprendizagens da sua jornada, a ligação entre o tatami e a sala de aula e deixa uma mensagem de motivação para os jovens que procuram equilibrar os estudos com o desporto.

Imagem cedida Carolina Fonseca
FightNews: O que a motivou a seguir simultaneamente o caminho da educação e o do Kempo?
A minha vida sempre passou pelo desporto no geral. Inicialmente iria tirar Desporto por ser uma área que também me cativa imenso. Por outro lado, sempre gostei imenso de crianças e, no início desta jornada no Kempo, comecei com a turma dos Kids e percebi que poderia juntar as duas coisas e tirar formação na área de Técnica de Ação Educativa.
FightNews: Como foi o processo de conciliar os estudos no curso de Técnica de Ação Educativa com a prática e o treino de Kempo?
Bem, o primeiro ano do curso não foi fácil porque também estava a trabalhar. Apenas tinha aulas de manhã, saía às 14h e ia trabalhar. Sempre tentei, nos dias de treino, estar de folga, e em contrapartida tinha que trabalhar aos fins de semana. Infelizmente, o 2.º e 3.º ano do curso foram em plena pandemia. Tive aulas em casa, deixei o trabalho onde estava para me focar mais no curso e nos treinos, visto que eram online, e o desafio era muito maior.
Imagem cedida Carolina Fonseca
FightNews: Trabalhou em creche, berçário e também com crianças do 1.º ciclo. Que diferenças mais a marcaram entre estas faixas etárias?
Berçário foi fascinante. São as primeiras evoluções, tanto na comida, como na capacidade motora, o sentar, etc. A cada dia parece que já fazem uma coisa nova. Na parte de creche, sem dúvida que é o descobrir, o explorar, começar a querer falar e o desfralde, que é uma coisa super importante. 1.º Ciclo é totalmente diferente. Tem os seus desafios e, na minha opinião, temos que os cativar e encaminhá-los sempre pelo melhor caminho. Já sabem o que é estar na escola e, para muitos deles que são finalistas, a etapa que se segue é muito importante.
Imagem cedida Carolina Fonseca
FightNews: O que mais a fascina no trabalho com crianças em idade escolar?
Fascina-me ver a evolução deles principalmente ao longo do ano. Muitos entram no 1.º Ano e nem uma palavra dizem e, no fim do ano, brincam, interagem, comunicam connosco que estamos diariamente com estas crianças. Todas elas são diferentes e muitos têm uma personalidade muito vincada.
FightNews: Considera que existem pontos de interseção entre o papel de treinadora de Kempo e o de educadora? Quais?
Sim, sem dúvida. O facto de trabalhar diariamente com crianças traz-nos uma bagagem muito grande. A comunicação é um ponto crucial, quer no papel como treinadora, quer no trabalho do dia a dia.
Imagem cedida Carolina Fonseca
FightNews: De que forma a disciplina, os valores e o espírito do Kempo a ajudam no dia a dia com as crianças na escola?
A disciplina, os valores e o espírito desportivo são pilares fundamentais que impactam positivamente o dia a dia das crianças na escola em múltiplas dimensões. Autoestima, resiliência e espírito competitivo saudável são pontos que ajudam imenso no âmbito escolar.
FightNews: E ao contrário: há algo que aprendeu no trabalho com crianças que transporta para o tatami enquanto treinadora?
Sim. Como já mencionei, todas as crianças são diferentes e temos sempre algo a aprender com elas também! Na escola tenho cerca de 200 alunos e temos de perceber que não são todos iguais. No Kempo é igual: não aprendem todos ao mesmo ritmo, não são todos bons naquela disciplina, e por aí fora.
Imagem cedida Carolina Fonseca
FightNews: Quais têm sido os maiores desafios enquanto treinadora da equipa da UDCAS?
Depende sempre da faixa etária a que dou aulas, mas de uma maneira geral o maior desafio é sentir que foi produtivo, que consegui cativá-los e, principalmente, que eles saíram satisfeitos.
FightNews: Que valores considera fundamentais transmitir aos seus atletas dentro e fora do tatami?
Um dos principais valores é o respeito pelo outro, o fair-play tanto nas competições como nos treinos. Contudo, acho fundamental a amizade, o espírito de entreajuda e o autocontrolo.
Imagem cedida Carolina Fonseca
FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de deixar à comunidade do Kempo, especialmente a atletas mais jovens que também conciliam estudos com o desporto?
Gostaria de dizer que tudo é possível quando realmente gostamos daquilo que fazemos. Saber gerir o tempo que temos é fundamental.