Taekwondo ATGAIA
A visão dos árbitros da ATGAIA sobre desafios, reconhecimento e futuro da modalidade
O diretor de arbitragem da ATGAIA e jovens árbitros partilham experiências, responsabilidades e desafios da função.
21/08/2025 13h11 Atualizada há 10 meses
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
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Entrevista com os árbitros da ATGAIA Taekwondo

 

A arbitragem é parte essencial de qualquer modalidade desportiva, e no Taekwondo não é diferente. A escola ATGAIA tem investido na formação e valorização dos seus árbitros, promovendo não só a qualidade das competições, mas também o crescimento pessoal e técnico dos praticantes. Em entrevista, o diretor de arbitragem, Rodolfo Cardoso, e outros árbitros da escola partilham os seus pontos de vista sobre o presente e futuro da arbitragem em Portugal.

Rodolfo Cardoso – Diretor de Arbitragem da ATGAIA

FightNews: Como tem sido liderar o quadro de arbitragem da ATGAIA?

Eu diria que é uma tarefa de relativa exigência, pois tenho de ter em consideração a experiência e disponibilidade dos meus árbitros, para fazer uma seleção de quem corresponde aos requisitos da prova em questão.

FightNews: Quais são as maiores preocupações na formação e coordenação de árbitros?

Sem dúvida, manter todos os árbitros atualizados para as regras mais recentes, de forma a que todos possam arbitrar mediante a mesma linha de pensamento, assim como termos árbitros suficientes para provas. Embora o nível da arbitragem esteja a subir não só em qualidade, mas em quantidade, ainda é baixo, o que torna difícil haver certo número de árbitros para algumas provas. Por exemplo, aqui na PTN, várias vezes pedimos apoio à PTC/SI.

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FightNews: Que papel a ATGAIA tem desempenhado no desenvolvimento de árbitros jovens?

A ATGAIA tem tentado incutir mais a arbitragem nos cintos negros já existentes e nos mais recentes. Se uma pessoa quer evoluir como cinto negro, não é só ver o lado do atleta ou treinador que será suficiente. Poder ver e experienciar o lado do árbitro pode mostrar um outro ponto de vista mais imparcial, já que terá de arbitrar várias situações em que possa estar contra o próprio clube.

FightNews: Qual foi o campeonato mais desafiante em que participaste como árbitro?

Eu diria que um dos campeonatos mais desafiantes foi o último regional de combates no Norte, em que fiquei como chefe de uma área na qual houve combates em que me debati entre usar o meu lado mais humano ou lado mais árbitro para poder julgar certos momentos bastante complicados.

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FightNews: Que mensagem deixas a outros praticantes ou profissionais do desporto que gostariam de se qualificar e desempenhar a função de árbitro?

Como o ditado diz, “Quem corre por gosto, não cansa!”. Eu concordo plenamente! Pois quando tomei o gosto pela arbitragem, adorei e quero continuar. Mas a mensagem que quero deixar é que ser árbitro é ser alguém que irá receber muita responsabilidade, pois pode definir quem irá representar Portugal nos Europeus ou noutras provas importantes. Ser árbitro não é um papel fácil, como muita gente diz. Melhor do que falar, é experimentar!

A palavra dos árbitros da ATGAIA

FightNews: Como surgiu o teu interesse pela arbitragem no Taekwondo?

Na ATGAIA, um cinto negro é sempre aconselhado a realizar formação de arbitragem, quer na vertente técnica quer no combate. Inicialmente fiz a formação mas sem grande interesse em exercer o papel de árbitro. Contudo, após realizar algumas provas, principalmente para infantis, ganhei gosto pela área. Não me vejo como um árbitro principal ou a seguir uma carreira muito longa, mas, de momento, considero essas experiências positivas no meu caminho no Taekwondo.
(Diogo Cardoso)

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FightNews: Qual consideras ser a maior responsabilidade de um árbitro num evento competitivo?

Acredito que a maior responsabilidade de um árbitro de Taekwondo num evento competitivo de combates é garantir que o combate decorra de forma justa e segura, aplicando corretamente as regras e mantendo o controlo do ambiente. Por outro lado, se estivermos a falar de arbitrar uma prova de poomsae, diria que o mais importante é ser imparcial e ter rigor técnico.
(Mery Sequeira)

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FightNews: Que qualidades achas essenciais para um bom árbitro de Taekwondo?

Penso que um bom árbitro de Taekwondo deve, acima de tudo, ter um bom conhecimento das regras e ser justo. É essencial ter atenção ao detalhe e reflexos rápidos, visto que acontece tudo muito rápido. Além do mais, é relevante saber trabalhar em conjunto com a restante equipa de arbitragem, comunicar de forma direta, objetiva e respeitosa, e manter a calma mesmo sob pressão. Creio que estas qualidades asseguram a justiça nas competições, assim como a segurança e o respeito de todos os envolvidos.
(Beatriz Gaspar)

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FightNews: Sentes que há um crescente reconhecimento do trabalho dos árbitros nas competições?

Na minha experiência como árbitro de Taekwondo, sobretudo em competições regionais e nacionais ao longo de vários anos, não sinto que exista um reconhecimento crescente do nosso papel. Pelo contrário, muitas vezes temos uma presença quase invisível — a não ser quando há protestos ou decisões controversas.

O relacionamento com a organização das provas até é funcional, tratam da logística, alimentação e pagamentos. No entanto, quem realmente deveria zelar pelo nosso reconhecimento e valorização é a estrutura responsável pela arbitragem, e aí sinto uma grande lacuna. O apoio, o feedback e as oportunidades de crescimento são muito limitados.

Além disso, o público e até alguns agentes desportivos tendem a ver o árbitro como alguém que “atrapalha”, e não como uma peça essencial para garantir a justiça e o respeito dentro do tatami. Já presenciei situações de desrespeito nas bancadas e, apesar de manter sempre uma postura profissional, não deixa de ser sinal de um problema maior: a falta de educação e valorização do papel do árbitro.

Tem-se falado muito em dar mais atenção à arbitragem, mas na prática pouco ou nada muda. Nunca vi ações concretas de valorização ou reconhecimento formal do nosso trabalho. E, enquanto isso não for encarado como prioridade, continuaremos a ter um papel secundário dentro da modalidade — o que é uma pena, porque sem árbitros não há competição.
(Bernardo Lopes)

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FightNews: Que impacto tem a arbitragem na tua forma de ver o desporto, enquanto praticante ou espectador?

Um dos grandes pilares da arbitragem é, sem dúvida, a promoção da justiça entre os atletas. No entanto, a arbitragem vai muito além disso e oferece variados benefícios. Enquanto praticante e árbitra, tive a oportunidade de experienciar ambas as vertentes e reconheço que a arbitragem contribui para o desenvolvimento da autocorreção e autoconsciência. Isto ajuda-nos a ser melhores atletas, pois permite-nos identificar os nossos erros e aprender com eles, superando dificuldades e evoluindo como praticantes.

Para além disso, a arbitragem também promove a empatia, pois recorda-nos de que já estivemos naquela posição e faz-nos refletir sobre o impacto que as decisões têm para cada atleta que se encontra à nossa frente.
(Eduarda Alves)

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FightNews: Como avalias o nível atual da arbitragem em Portugal?

O nível atual da arbitragem de poomsae está a precisar de mais árbitros, de evoluir e ter a capacidade de atrair mais pessoas para a carreira, que infelizmente ainda não existe.

Os incentivos e apoios que existem muitas das vezes não cobrem as despesas de deslocação. As formações e informações disponíveis também não existem em número suficiente para que se possa evoluir e para que todos estejam com a mesma informação.
(José Marinho)