
Com o arranque de mais uma época desportiva, a Seleção Nacional de Karaté prepara-se para enfrentar um calendário exigente e cheio de desafios. Em entrevista, Jorge Peixeiro, selecionador nacional feminino disciplina Kata, revela os objetivos, os obstáculos previstos e a sua visão sobre o crescimento da disciplina em Portugal.

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FightNews: Daqui a pouco estamos no arranque de mais uma época desportiva. Quais são as tuas principais expectativas para esta nova fase à frente da Seleção Nacional de Karaté?
Teremos uma época muito exigente pela frente, com um calendário extremamente preenchido que colocará à prova a resiliência de todos os agentes envolvidos neste processo: atletas, treinadores pessoais, clubes, associações e a própria federação — tanto a nível dirigente como técnico. A expectativa é que, juntos, consigamos manter o compromisso e a qualidade que têm vindo a caracterizar o trabalho da Seleção Nacional.
FightNews: Quais são os grandes objetivos definidos para esta época, tanto a nível coletivo como individual, dentro da disciplina de Kata?
O grande objetivo para esta época é manter a imagem de qualidade que Portugal tem deixado nas competições internacionais. Pretendemos continuar competitivos nos escalões onde tivemos sucesso na época passada e melhorar naqueles onde os resultados não foram tão positivos. Ambicionamos ainda apresentar equipas fortes nos escalões de Seniores Masculinos e de Cadetes/Juniores Femininos — áreas em que não tivemos representação internacional na época anterior.
FightNews: Quais consideras que serão os principais desafios e obstáculos que a Seleção Nacional poderá enfrentar nesta temporada?
O principal desafio será manter um grupo forte, coeso e competitivo. Para isso, contamos com os momentos de concentração da Seleção (que, por mais que se façam, parecem sempre poucos), bem como com o esforço contínuo das associações, clubes e atletas, que participam ativamente nos circuitos internacionais. Este investimento contribui de forma crucial para uma preparação mais sólida. A motivação para trabalhar com base nos conceitos da Seleção será também determinante para garantir um grupo homogéneo e competitivo a nível internacional.
FightNews: Quais são as competições mais importantes no calendário deste novo ciclo? E como está a ser feito o planeamento para as disputas dessas competições?
Antes do final do ano teremos aquela que considero a prova mais importante da época: o Campeonato do Mundo Individual Sénior. Pela primeira vez com participação limitada ao apuramento definido pela WKF, Portugal já garantiu as suas vagas em Kata, cumprindo assim um dos principais objetivos da época passada. A Ana Cruz obteve a sua vaga através do Ranking de Apuramento (2.º critério), que contempla 8 vagas para as melhores atletas do ranking, e o Artur Neto através da quota afeta ao campeonato continental (3.º critério de apuramento), que contempla 3 vagas para os melhores classificados que não tenham sido apurados pelo 2.º critério. Será uma competição de altíssimo nível, reunindo os 32 melhores atletas do mundo.
Em termos de preparação, contamos com os habituais momentos de concentração da Seleção, o trabalho desenvolvido pelos clubes e centros de alto rendimento, e a possibilidade de participação num estágio internacional direcionado aos atletas que estarão presentes nesta grande prova.
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FightNews: Como avalias o atual estado da disciplina de Kata em Portugal e o seu crescimento nos últimos anos?
Portugal tem alcançado resultados de relevo, o que confirma o crescimento e a afirmação da disciplina. No entanto, mais do que os resultados, valorizo a consistência da qualidade apresentada — esse é o verdadeiro indicador de evolução. Este progresso é possível graças a uma Equipa Técnica Nacional motivada, com uma visão clara de sucesso e atenta à constante evolução da modalidade. Destaco ainda o papel fundamental de todos os agentes envolvidos, cujo investimento em competições internacionais tem tornado Portugal mais competitivo e preparado para enfrentar os desafios colocados pelas provas da EKF e da WKF.
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FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar a todos os atletas, treinadores, clubes e praticantes que fazem parte da comunidade do karaté em Portugal?
O sucesso não surge de um dia para o outro. Tudo o que tem sido construído pelas Seleções Nacionais é fruto de muita resiliência e, diria até, de uma certa “teimosia”. É essencial que todos trabalhemos em prol da modalidade, reconhecendo e valorizando as conquistas alcançadas. Uma comunidade unida faz uma federação mais forte — e isso traduz-se em melhores condições para desenvolver a vertente desportiva.
Sabemos que esta é apenas uma das muitas dimensões do Karaté, mas é, sem dúvida, uma das razões de existir da nossa federação. Se todos contribuirmos para o seu crescimento, Portugal será, seguramente, ainda mais forte.
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