Daniel Ferreira responsável pela Ximpact revela: ‘A proteção dentária certa pode melhorar a performance do atleta’
No mundo dos desportos de combate, cada detalhe conta. Um equipamento mal ajustado pode significar mais do que desconforto: pode comprometer a performance e até colocar a saúde do atleta em risco.
A Ximpact surgiu para mudar o jogo no segmento das proteções dentárias, oferecendo modelos feitos à medida, com tecnologia, conforto e personalização.
Escolhida por alguns dos melhores e maiores atletas de desporto de combate portugueses, a marca prova o seu valor nas competições de mais alto nível, onde cada segundo e cada golpe importam.
A Fight News conversou com Daniel Ferreira, responsável pela marca, para entender como uma boa proteção dentária pode ser um aliado fundamental na prevenção de lesões e no aumento do rendimento e por que os genéricos não chegam perto da eficiência dos personalizados.
Fight News: Como nasceu a Ximpact e qual foi a principal motivação para criar uma marca especializada em proteções dentárias?
Daniel Ferreira: Primeiro, a Ximpact nasceu porque sentimos a necessidade de criar uma proteção que realmente fizesse a diferença: que fosse construída em pormenor para a boca de cada atleta. Não aquelas que se metiam na água quente e se moldavam à nossa boca, porque não nos deixavam respirar, nem falar, provocavam vómitos e não conferiam a proteção que desejávamos. Esse foi o principal motivo para criar a Ximpact: criar proteções que ficassem realmente bem ajustadas na boca, ajudassem a proteger ao máximo, potenciassem a performance dos atletas e que lhes permitisse respirar, que não fosse muito grossa e que mesmo assim proporcionasse a proteção necessária.
Também quisemos criar algo que pudesse ser totalmente personalizado para cada atleta.
Imagem Instagram
Fight News: Nos desportos de combate, a proteção dentária vai muito além da prevenção de fraturas dentárias. Quais os outros benefícios que uma proteção pode oferecer ao atleta.
Daniel Ferreira: O principal intuito de uma proteção dentária é realmente proteger contra traumas e lesões. Não consegue evitar todos, mas, garantidamente, consegue diminuir muito o grau da lesão ou de um trauma.
Mas há outros benefícios. Hoje em dia, percebemos que as proteções também podem influenciar a performance dos atletas. Há muitos estudos por realizar, muita investigação a ser feita, mas já percebemos que algo nas proteções feitas à medida consegue proporcionar melhoria na performance, seja em termos de equilíbrio, seja em termos de força, seja ainda em termos da eficiência no salto. No entanto, e como frisei, é preciso continuar a investigar para perceber exatamente como isso acontece.
Para além disso, uma proteção feita à medida, por ficar bem ajustada na boca e não estar sempre a cair, garante ao atleta confiança na proteção.
Como não precisa de pensar nela ou de manter a boca fechada para ela não cair, o atleta já está a ganhar no rendimento. Ele não está constantemente a pensar na sua proteção, nem a trincar os dentes para evitar que ela salte da boca. Logo aí, vai respirar melhor e, como a proteção está bem ajustada e quanto mais fina for, melhores benefícios oferece.
Imagem Instagram
Fight News: Existe diferença real entre uma proteção genérica e uma proteção customizada, no rendimento do atleta?
Daniel Ferreira: Sim, existe uma grande diferença entre uma proteção que nós compramos nas lojas de desporto e uma proteção feita à medida. No caso das feitas à medida, por estar super adaptada à boca, elimina a preocupação de cair durante o treino ou a luta. Isso é uma vantagem psicológica enorme.
Esta possibilidade de ser construída especificamente para a boca do atleta, garante o ajuste perfeito, menor volume e melhor capacidade respiratória. Já existem estudos que apontam melhorias significativas na performance em várias áreas. Por outro lado, a proteção contra os impactos também é superior devido aos materiais e camadas utilizados.
Há também estudos que indicam que pode haver uma melhoria significativa no desempenho do atleta em vários campos. Portanto, há grandes vantagens nas proteções feitas à medida, além de serem muito melhores a proteger contra o trauma graças às camadas e materiais com que são construídos. Já os genéricos, vendidos em lojas de desporto, não conseguem oferecer todas essas vantagens.
Imagem Instagram
Fight News: Há modalidades de combate que exigem características específicas nas proteções?
Daniel Ferreira: Sim, cada desporto tem características próprias, e as proteções devem ser adaptadas ao tipo de impacto esperado. Há desportos de combate e há desportos que têm equipamentos, como o hóquei no gelo ou o hóquei que jogamos aqui em Portugal.
Portanto, quando construímos uma proteção, é preciso considerar vários aspetos, desde a agressividade dos impactos que os atletas vão receber, seja para combate, seja em campo. No hóquei, por exemplo, a pancada de um stick pode causar grandes danos. Assim, as proteções devem ser construídas consoante o desporto que será praticado pelo atleta.
Pode-se pensar na espessura, nas camadas necessárias para dar uma maior proteção, em como vai ser construída, se precisa de cobrir todos os dentes e todas as estruturas da boca. Realmente, há uma grande especificidade consoante o desporto que se vai praticar.
Há proteções para impacto e há proteções que também são destinadas a desportos sem impacto direto, ou seja, basicamente para quando os atletas fazem compressão ou mordem, tal como no halterofilismo, no crossfit ou na canoagem. Aqui. Igualmebte com o objetivo de evitar danos nos dentes e proporcionar melhorias de performance.
Imagem Instagram
Fight News: Que tipo de materiais e tecnologias a Ximpact utiliza para garantir resistência, conforto e personalização?
Daniel Ferreira: Utilizamos EVA, um material com alta capacidade de absorção do impacto e com eficácia comprovada em testes e estudos científicos. Também contamos com máquinas de pressão e de vácuo no nosso laboratório, que nos permitem garantir o encaixe perfeito e a oclusão correta, proporcionando maior conforto e proteção.
Basicamente, nós utilizamos alguns materiais e técnicas para conseguir garantir proteção aos atletas. Como disse, o material que usamos é o EVA, amplamente utilizado no mundo inteiro, já com provas dadas, com bastantes testes e estudos científicos. Este tipo de material permite-nos assegurar que as nossas proteções, durante um ano, se forem bem cuidadas e bem utilizadas, mantenham todas as características para as quais foram desenhadas.
Claro que, como sempre dizemos: se a proteção for bem cuidada, se os atletas tiverem alguns cuidados com ela, temos proteções que duram mais de um ano. No entanto, recomendamos sempre uma avaliacao e uma aventual troca depois desse período, porque um atleta profissional usa as nossas proteções muitos dias por semana ao treinar, e elas naturalmente desgastam-se. É como ter umas luvas de boxe, umas chuteiras ou uma camisola, que normalmente são trocadas de ano a ano. A lógica é a mesma.
Os nossos materiais, para mim, têm de ter a garantia de que vão proteger e resistir em boca, um meio onde há saliva e outros elementos, garantindo que a proteção se mantém eficaz durante todo o período de uso.
Temos várias máquinas no nosso laboratório que nos permitem ir mais além. Com as nossas máquinas de pressão e de vácuo, conseguimos ainda uma outra vantagem: garantir a oclusão dos atletas. Basicamente, quando o atleta fecha a boca, está protegido tanto em cima como em baixo, usando apenas uma proteção na parte superior.
Claro que há atletas que podem necessitar de duas proteções, mas são casos muito específicos. Em alguns casos, em vez de precisarem da proteção na parte superior, podem precisar na inferior. Nesta situação específica quando a mandíbula é mais avançada do que a maxila. Tudo isto valida a necessidade de o atleta ser sempre avaliado por um médico dentista para determinar, de entre outras coisas, a melhor forma de construir a sua proteção.
Imagem Instagram
Fight News: Já desenvolveram modelos em colaboração direta com lutadores profissionais?
Daniel Ferreira: Sim, nós muitas vezes colaboramos com atletas para conseguir construir as proteções à maneira que eles querem. Não só na personalização, que hoje em dia é a parte mais fácil, mas também para oferecer proteções mais finas, que mantenham a capacidade de proteger, ou proteções mais grossas, para atletas que se sintam mais confortáveis dessa forma, mas que não inibam a respiração, nem causem vómito ou reflexo de vómito e não interfiram na sua performance.
O objetivo é permitir que o atleta tenha o máximo rendimento, sem que a proteção seja um impeditivo de alcancar esse rendimento. Trabalhamos com vários atletas profissionais, como já tinha referido, desde Jacqueline Cavalcanti, André Fialho, Diogo Calado, Manel Bonneville, Mafalda Carmona, Yorgan de Castro, entre outros, que nos ajudam, cada vez mais, a melhorar e a testar o nosso produto nas mais altas competições do mundo.
Dessa forma, conseguimos perceber e avaliar como podemos melhorar e oferecer melhores condições nas nossas proteções a este tipo de atletas.
Imagem Instagram
Imagem Instagram
Fight News: Quais são os erros mais comuns que os atletas cometem na escolha ou uso da proteção dentária?
Daniel Ferreira: O erro mais comum que os atletas cometem quando escolhem uma proteção é não se direcionarem ou não procurarem especialista na área da medicina dentária desportiva para os poder aconselhar e informar. Normalmente os dentistas são as pessoas mais indicadas, pois têm este tipo de conhecimento sobre os diferentes tipos de proteções existentes.
Também observamos que os treinadores são as pessoas mais próximas dos atletas e, muitas vezes, são eles que têm alguma informação que os pode encaminhar para quem possui esse conhecimento, sejam clínicas dentárias, médicos dentistas ou até técnicos de prótese dentária especializados em proteções dentárias.
O maior erro na escolha da proteção é não ser selecionada com base nas especificidades de cada desporto, mas sim ir a uma loja e, a olho, decidir o que parece ser um bom protetor. Existem vários tipos: standard, boiling bite e as feitas à medida. A escolha deve ser feita com consciência do risco e do que pode ocorrer se não forem utilizados corretamente.
Portanto, a escolha da proteção, para mim, é o principal erro e o mais comum que os atletas cometem quando não pedem auxílio aos profissionais que realmente constroem as proteções feitas à medida.
Imagem Instagram
Fight News: Qual é a importância de uma adaptação feita por profissionais de prótese dentária?
Daniel Ferreira: As proteções feitas à medida, produzidas por laboratórios de prótese dentária ou por médicos dentistas, são muito importantes na adaptação. Como já disse várias vezes, uma das principais razões é que ajudam não interferindo na respiração do atleta, têm um encaixe mais perfeito e não são tão grossas ou massudas, permitindo que haja mais espaço na cavidade oral para a entrada de ar, especialmente quando o atleta se cansa. Isto, por si só, já representa um ganho de performance: quem consegue respirar melhor, consegue ter um vantagem no desporto que pratica relativamente ao seu adversário que não usa proteção feita à medida.
Mas realmente também existem outras valências, como a construção da proteção em si e as camadas necessárias para cada tipo de desporto, evitando que sejam demasiado grossas ou demasiado compridas, para não provocar reflexo de vómito, entre outros fatores. Outro ponto importante é ter a parte oclusal na proteção. Ou seja, quando o atleta fecha a boca, a sua proteção apresenta a oclusão correta para maior conforto, melhor anatomia e para não provocar contactos prematuros. Além disso, garante que a carga do impacto não esteja concentrada apenas em alguns pontos dos dentes ou nas cúspides que tocam na proteção.
Por isso é que as proteções feitas à medida com a parte oclusal são bastante melhores do que as que não têm, exatamente porque a parte oclusal distribui o impacto de forma equilibrada, fazendo com que, quando há um impacto, a força seja distribuída por toda a arcada e não apenas por alguns dentes.
Imagem Instagram
Imagem Instagram
Fight News: As proteções dentárias também são usados como expressão de identidade. Como é que Ximpact vê essa ligação entre proteção e branding pessoal?
Daniel Ferreira: Realmente, desde o início, nós percebemos que as proteções, para além de tudo o que queremos e queríamos que elas fizessem para proteger dos traumas e das lesões, têm um cunho muito pessoal. Nós sabemos que os atletas gostam de ter as suas coisas personalizadas, os fatos, as camisolas, as luvas, tudo. E a proteção não deixa de ser mais uma parte do equipamento dos atletas.
Quando conseguimos individualizar ao máximo esse tipo de protetor, o atleta sente que é algo seu, que é uma marca pessoal, um cunho próprio. Há quem nos diga até que as proteções podem desconcentrar o adversário ou fazer com que ele desvie a atenção. Por isso é que muitos atletas gostam de cores garridas e padrões invulgares, não só como um meio de distrair o adversário, mas também como afirmação de identidade.
A parte de individualização e personalização é algo a que damos muita atenção, exatamente porque é um cunho que cada atleta gosta de ter, e que qualquer pessoa, no geral, gosta de ter na sua vida. Isso faz parte do dia a dia de hoje. Quando individualizamos, as pessoas reconhecem que esta é a nossa marca, como a marca do CR7, através de uma proteção dentária com a nossa personalização e identidade vincadas.
Por isso, considero que é uma parte muito interessante e muito importante para os atletas que querem afirmar-se como tal.
Imagem Instagram
Fight News: Quais são os próximos passos da Ximpact para se consolidar como referência nos desportos de combate?
Daniel Ferreira: O nosso caminho tem sido sempre o de partilhar informação, partilhar conhecimento e oferecer o melhor produto possível a todos os atletas que necessitem de uma proteção. O nosso percurso nos desportos de combate passa, basicamente, por ajudar todos os atletas a terem uma proteção realmente feita à medida, com as características necessárias para garantir segurança, permitir uma melhor respiração, não cair constantemente, não provocar vómitos e ter um custo que o atleta perceba não ser algo inalcançável, mas sim uma parte fundamental do equipamento, muito importante no seu dia a dia e que não custa assim tanto e que acima de tudo não prejudica a sua performance. Pelo contrário.
Por isso, o que queremos é estar cada vez mais presentes dentro das escolas de combate e em todas as modalidades desportivas existentes, para transmitir esta informação e este conhecimento, mostrando que toda a gente pode e deve ter uma proteção feita à medida. Sim, deve ter uma proteção, porque a prevenção, acima de tudo, é algo que deve ser considerado. É muito mais fácil prevenir do que remediar lesões e, quando estas acontecem, podem ser lesões que demoram muito tempo a serem tratadas e algumas delas podem ser necessários tratamentos durante anos e ee elevado custo.
Queremos estar próximos dos atletas, cada vez mais junto das escolas, em eventos, e é por isso que fazemos parcerias, participamos em congressos e damos formações. Este é o nosso passo para estarmos presentes no mundo dos desportos de combate.
Também estaremos, e gostamos de estar, presentes em eventos de combate com a nossa marca, para mostrar os nossos produtos e até para que as pessoas possam fazer, logo na hora, as suas impressões, facilitando o acesso às proteções dentárias feitas à medida.
Imagem Instagram
Fight News: Alguma novidade ou linha especial prevista para lançamento este ano?
Daniel Ferreira: Sim, nós temos feito algumas investigações e pesquisas relativamente aos protetores. Hoje em dia, as protecoes já passaram da fase de serem apenas um item de proteção. Nós estamos já a desenvolver protetores que são impressos totalmente de forma digital. Basicamente, é feito um scanner à boca e, depois, o protetor é impresso por uma impressora 3D.
Também estamos a realizar algumas pesquisas com proteções que já incorporam um chip, permitindo fazer medições de alguns parâmetros através da boca, seja do impacto, da força exercida ou de outros parâmetros de cardiologia, como o ritmo cardíaco. Portanto, estas são as áreas que estamos a investigar para perceber como podem ser integradas nas nossas proteções.
Esperamos que, até ao final do ano, já hajam algumas novidades neste campo, incluindo novos materiais que estão a surgir, com capacidade de absorção ainda maior. Assim, poderemos oferecer aos nossos atletas ainda mais proteção, bem como ferramentas para avaliação da sua performance e muito mais.
Imagem Instagram