
A Academia Unlimited está pronta para mais um ciclo desportivo. Com um legado crescente nas modalidades de combate, o head coach Luis Barneto traça os objetivos da nova época e partilha o que esperar de um dos polos mais ativos de desenvolvimento desportivo em Portugal. Desde a formação à alta competição, passando pelo impacto social, a Unlimited mantém-se firme na sua missão.

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FightNews: Luís, quais são os principais objetivos da Academia Unlimited para esta nova época que se avizinha?
Os objetivos gerais são sempre os mesmos: desenvolvimento (pessoal e coletivo), a todos os níveis, fortalecendo áreas e modalidades que estão menos desenvolvidas na nossa academia, simultaneamente garantindo que continuamos a ser a referência que somos noutras áreas e modalidades.
Especificamente, pretendemos que esta época reafirme a nossa vertente formativa de crianças e jovens, com as modalidades já existentes (Capoeira, Jiu Jitsu, Kickboxing, Kung Do), e com a implementação do MMA Youth.
Ao nível comunitário e social, queremos lançar um projeto social com o MMA, numa primeira instância localmente, mas com o objetivo de abrangência nacional. Queremos continuar a contribuir para a sociedade e as instituições, seja através do combate ao bullying, seja através da continuidade e fortalecimento da oferta que disponibilizamos, por exemplo, às forças policiais e militares, com os nossos programas de combate corpo a corpo e defesa pessoal.
Continuaremos também a apoiar, com cedência de instalações e equipamentos, o projeto social escolar do nosso professor das classes mais jovens, o Pedro Silva, o “Jiu Jitsu para todos”.
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Em termos competitivos, queremos dar continuidade aos excelentes resultados obtidos no Kickboxing, Wrestling, Kung Do e MMA, fortalecendo a vertente competitiva do Boxe e do Jiu Jitsu.
FightNews: Há algum foco especial para esta temporada, seja a nível nacional ou internacional?
Na verdade, a Academia Unlimited nunca pára, pelo que as temporadas são consecutivos momentos de trabalho, por isso fica mais fácil falar do foco para os próximos meses.
Ao nível do MMA, temos em mãos a preparação dos nossos atletas amadores e profissionais para os desafios que se aproximam. Temos dois atletas na seleção nacional que disputará o Campeonato do Mundo de Seniores na Geórgia, e todos os nossos atletas estão a preparar-se para as oportunidades que possam surgir com promotores nacionais e estrangeiros, nestes meses que faltam até ao final do ano.
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Nas últimas duas semanas de agosto, realizaremos de novo o nosso training camp, com treinos bidiários e três principais objetivos:
- Permitir aos nossos atletas e aos restantes elementos selecionados para representar Portugal no campeonato referido, que acontece no final de setembro, um “arranque de época” intenso e de qualidade, dando assim uma ajuda à sua preparação. Treinarão com o Zé Machado. Além da inspiração óbvia de treinar com o nosso campeão do mundo, o Zé será de novo um dos treinadores da seleção. É ótimo conhecerem-se e trabalharem juntos.
- Pretendemos também ter, em algum momento, o treinador principal da Seleção Nacional, Luciano Moura, presente nos trabalhos.
- E claro, contaremos com a gestão do training camp por parte do ex-treinador da seleção, Luís Barneto.
Queremos receber na academia atletas vindos de vários pontos de Portugal e de diversos países, assim os mesmos queiram aproveitar a oportunidade, e expor todos, os nossos e os outros, a treino de alta performance.
Este ano o training camp terá uma oferta de alojamento super competitiva e adequada aos objetivos – é uma das grandes novidades – e ainda contamos ter treinadores convidados.
Mais para a frente na temporada, pretendemos tentar juntar às duas medalhas de bronze que os atletas da Academia Unlimited alcançaram no Campeonato Europeu de fevereiro passado, bons resultados – talvez medalhas – no Campeonato do Mundo.
Estamos também a preparar o início de carreira profissional do Alexandre Rita, o regresso à cage do Milton Mateus e do Douglas, a ascensão do Zé Machado aos maiores eventos europeus e mundiais, rumo ao objetivo de curto/médio prazo, que é a entrada no UFC, e de médio/longo prazo, que é ser campeão no UFC. Sem descurarmos a evolução das novas promessas da nossa equipa, que são felizmente muitas e boas.
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FightNews: Quais considera que serão os maiores desafios para a equipa neste novo ciclo competitivo?
Falando especificamente da equipa de MMA: a conciliação do trabalho ao mais alto nível dos nossos atletas que estão dedicados exclusivamente ao MMA com o dos atletas amadores que querem seguir uma via profissional mas têm de estudar ou trabalhar – ou seja, querem profissionalizar-se mas não conseguem ainda – é sempre um enorme desafio.
A gestão de lesões, impedimentos pessoais e profissionais é, a par da falta de apoios financeiros e logísticos, o quebra-cabeças de qualquer equipa que se dedique a um desporto sem apoios estatais relevantes e com pouca aceitação na sociedade.
No entanto, estamos focados em transformar cada desafio numa oportunidade, exatamente como as artes marciais nos ensinam a fazer. Com o apoio das nossas outras modalidades, esses atletas encontrarão sempre um horário para treinar algo relevante para o seu percurso no MMA. Por exemplo, com o Jiu Jitsu, que é comandado pelo cofundador da academia, o Rui Silva, excelentemente apoiado pelo Álvaro Correia, o Pedro Silva, e agora também o Pedro Portinha e o Rui Carvalho; ou com o Boxe e o Daniel Mendes, o Kickboxing e o Rui Batista – enfim, todos com um objetivo comum e uma missão bem definida.
FighTNews: Como está a planear evoluir o trabalho da equipa, tanto com atletas experientes como com os mais jovens?
A equipa de MMA tem vindo a crescer em número de praticantes e em número de competidores. É só natural que tentemos aumentar a equipa técnica também.
De uma forma geral, os praticantes mais avançados colaboram na preparação dos mais iniciados, e temos os treinos separados exatamente assim: treinos mais básicos e treinos mais avançados. A entrada do André Lopes para a equipa técnica, desde meados do ano passado, e a partir do próximo setembro do Rui Morgado – este último com foco nos atletas sub-18 – serão dois motores fundamentais dessa evolução.
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FightNews: Pode partilhar connosco quais são as próximas competições onde os atletas da MMA Unlimited vão estar presentes?
Enviámos a nossa lista de atletas para as competições nacionais que se avizinham, das diversas promotoras privadas, neste momento ainda sem confirmação de lutas.
No imediato, temos o Campeonato do Mundo de MMA, onde competirão o Rui Morgado e o Afonso Rouxinol, com o Zé Machado envolvido como treinador a auxiliar o Luciano Moura. E temos um combate “apalavrado” para o Zé Machado no WOW.
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FightNews: Que balanço faz da época passada e o que espera alcançar agora?
Entrámos em 2024 conscientes de que seria difícil superar o ano de 2023. Um Vice-Campeão do Mundo (o Alexandre Rita, no Campeonato do Mundo de 2022 que se disputou no início de 2023), e um Campeão do Mundo (o Zé Machado, na Albânia), tornavam difícil fazer melhor.
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No entanto, foi um ano diferente, muito consistente. Disputámos 36 combates de MMA, nacional e internacionalmente, profissionais e amadores. No panorama nacional, estivemos com atletas em 7 dos 9 eventos de MMA que se disputaram em Portugal. O balanço final, ao nível nacional, foi de 21 vitórias e 9 derrotas.
Lançámos vários atletas, crescemos como equipa. Agora, como já referi, alcançaremos mais evolução humana dos nossos Unlimited, nas diversas modalidades, em todas as idades – seja na formação, manutenção ou competição. Inclusive alta competição. É um processo inevitável, porque somos honestos, empenhados, humildes e trabalhadores.
Pessoalmente, quero e acredito que 2026 seja o ano em que o Zé Machado entra no UFC. Isso, por si só, mudará todo o jogo – também para todos na academia.
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FightNews: Por fim, que mensagem gostaria de deixar a todos os praticantes, treinadores e fãs das modalidades de combate em Portugal?
Aos fãs: que continuem a apoiar os seus favoritos, mas percebam que o desporto precisa de todos os intervenientes e, portanto, façam por estender esse apoio a tudo e todos. Sem a paixão dos fãs, é tudo muito mais difícil.
Aos praticantes e treinadores: que arrisquem, que procurem competir muito, que vejam a competição interna como treino. Não se preocupem com resultados, somente com evolução. E que colaborem entre equipas, porque só assim podemos ser competitivos lá fora.