
Determinada, resiliente e apaixonada pelas artes marciais, Mafalda Carmona é agora faixa preta de Jiu Jitsu, um marco importante na carreira da atleta de MMA. Com apenas 24 anos, carrega já quase uma década de dedicação ao MMA e ao BJJ, tendo iniciado a sua jornada na Reborn Fight Team aos 15 anos. Nesta entrevista, Mafalda partilha o que representa este feito, as memórias mais marcantes e deixa uma mensagem inspiradora a quem agora começa, especialmente às jovens raparigas.
FightNews: Parabéns Mafalda pela faixa preta de Jiu Jitsu e reconhecimento. O que representa para ti esta faixa, a nível pessoal e desportivo?
Muito obrigada pelo reconhecimento. Esta faixa, para mim, representa todos estes anos de trabalho, sacrifício e dedicação ao Jiu Jitsu e ao MMA. Representa todo o meu percurso, todas as dificuldades, todas as conquistas, todo o trabalho recompensado. Tanto a nível profissional como pessoal, é uma grande conquista da qual me orgulho muito.
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FightNews: Como é que começou a tua jornada nas artes marciais? Iniciaste pelo Jiu Jitsu?
A minha jornada começou diretamente no MMA. Quando tinha 15 anos, quase 16, entrei na Reborn com o objetivo de treinar e competir em MMA. Já sabia muito bem o que queria desde o início. Os meus treinadores recomendaram-me começar também nas aulas de Jiu Jitsu, para ganhar uma boa base de luta. Desde aí que treino e compito em BJJ enquanto não podia competir em MMA, e nunca mais parei.

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FightNews: De que forma evoluíste como atleta e como pessoa durante estes quase 10 anos dedicados às artes marciais?
Na verdade, eu sempre digo que a luta faz parte de mim e de quem eu sou. Quando a luta entrou na minha vida, estava numa fase de formação como ser humano. Acredito que as artes marciais moldaram-me completamente na atleta, pessoa e mulher que sou hoje. Os meus valores e princípios estão profundamente vinculados às artes marciais.
FightNews: Há alguma memória especial que guardes com carinho deste caminho até à faixa preta?
Tenho muitos momentos marcantes nesta trajetória. Desde a primeira graduação à primeira competição, são muitos momentos de superação e resiliência que guardo com muito carinho na memória e no coração. Difícil mesmo é escolher apenas um. Sou muito grata por cada momento — pelos altos e baixos. Foi um processo duro, mas valeu a pena cada segundo.
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FightNews:Qual tem sido o papel da equipa Reborn Fight na tua formação e crescimento? Como descreves o ambiente dentro da equipa?
A Reborn tem tido um papel importantíssimo na minha formação. Foi lá que comecei a minha caminhada nas artes marciais. Os meus professores acompanham o meu crescimento desde o início — entrei com 15 anos e hoje, com 24, sou uma mulher que mudou e cresceu muito.
Tenho muito orgulho em ser a primeira faixa preta feminina da Reborn, onde comecei do zero.
O ambiente da equipa é dos melhores. Vive-se superação, crescimento, mentalidade certa e trabalho duro, sempre com grande orientação dos professores, especialmente na parte competitiva com o professor Artur Lemos.

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FightNews: O que é, para ti, o verdadeiro significado de ser faixa preta?
Para mim, a faixa preta é um símbolo de muito orgulho, resiliência e superação, acompanhado de responsabilidade e pressão — mas a pressão, para mim, é um privilégio.
Ser faixa preta vem de dentro, desde os valores e compromisso enquanto pessoa e atleta. Representa o culminar de muitos anos dedicados a esta arte, de sacrifícios e abdicações, para fazer parte daquele "1%" que faz o impensável para ser exímio no que faz.
É o símbolo de toda a minha caminhada. Foi conquistada com muito trabalho, e é um grande orgulho.
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FightNews: Que mensagem deixarias a quem agora está a começar nas artes marciais, especialmente às jovens raparigas?
A minha mensagem é que usufruam do processo — cada treino, cada conquista, dia após dia — e que nunca desistam, mesmo quando as coisas ficam difíceis… porque vão ficar.
Não é um caminho fácil. Exige sacrifício, abdicar de muitas coisas e ter muita resiliência. Mas quando se aproveita o processo, tudo se torna mais fácil e gratificante.
Em especial às meninas, procurem equipas e professores com os valores certos, como respeito e compromisso. Acreditem em vocês, porque com esforço e dedicação, tudo é possível, sejam raparigas ou rapazes.
No lugar certo, com as pessoas certas, com a mentalidade certa e com um real propósito, tudo é possível.