Florin Vintila é uma figura marcante no universo das artes marciais em Portugal. Nascido na Roménia, encontrou no boxe, ainda muito jovem, um caminho de auto-defesa e desenvolvimento pessoal. Já em Portugal, a paixão pelo kickboxing e por outros estilos de combate transformou-se numa carreira vitoriosa dentro e fora dos ringues. Lutador, treinador, promotor de eventos e mentor de atletas que hoje continuam o seu legado, Florin partilha com o Fight News Portugal memórias, convicções e sonhos — cumpridos e por cumprir.
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FightNews: Como é que começaste o teu percurso nos desportos de combate? Lembras-te do momento em que soubeste que este seria o teu caminho?
Inicialmente comecei a treinar boxe na Roménia, ainda muito novo. Mas nunca foi com a intenção de competir — foi mais uma questão de auto-defesa. A seguir vim para Portugal e comecei a treinar kickboxing. O momento em que percebi que era mesmo isto que queria fazer foi quando participei numa competição com um atleta muito mais pesado que eu, porque nessa altura não havia muitas competições. Ganhei por nocaute. Depois fiz mais uma, e mais outra… e continuei a ganhar por nocaute, sempre contra atletas mais pesados. Aí pensei: “Afinal, sou bastante bom nisto. Por que não experimentar ir um bocadinho mais além?
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FightNews: O que te atraiu inicialmente nas artes marciais? Foi mais pela parte desportiva, pelo desafio pessoal ou por outra razão?
Inicialmente comecei a praticar artes marciais porque gostava de brigar, basicamente. Gostava de lutar, gostava de me desafiar. Foi mais por isso. Já que gostava de brigar, pensei: por que não fazer isso regularmente? E comecei a dedicar-me ao kickboxing, boxe, MMA, jiu-jitsu… e por aí além.
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FightNews: Como surgiu a tua visão de transformar a tua paixão numa carreira e, mais tarde, num projeto de vida?
Nunca pensei em me tornar profissional. Isso foi surgindo com o tempo, com as oportunidades. Comecei a combater por prazer. O nível era ainda baixo, estávamos nos amadores, então era mais fácil. Mas conforme progredi, comecei a lutar a nível profissional, contra adversários fortíssimos. Aí tive que arranjar forma de me dedicar 100% aos treinos. Comecei a dar aulas para me sustentar. Depois vendia equipamentos. Tive uma pequena loja de suplementação e equipamentos que importava da Tailândia e vendia em Portugal. Comecei a organizar combates. Fizemos o maior evento de desportos de combate em Portugal, que nasceu de eventos mais pequenos. Acabou por se tornar uma referência, com grandes nomes e equipas da China, Holanda, Inglaterra, Tailândia… de todo o mundo.
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FightNews: Que sentimento é esse de ver alunos teus a tornarem-se hoje treinadores com as suas próprias academias, sendo referências em Portugal?
É muito gratificante ver alunos meus a seguir o projeto em frente, agora que me retirei completamente dos desportos de combate. Pessoas como o Chapas, o Mike Tyson, o Briceno… continuam a levantar a bandeira da Top Team, organizam eventos, promovem atletas, competem ao mais alto nível. É muito bom ver que a história continua a ser escrita.
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FightNews: Ainda tens objetivos por cumprir dentro do mundo da luta? Há algum sonho que continues a perseguir?
Como disse, neste momento estou completamente afastado dos desportos de combate. Tem havido algumas ideias de voltar a organizar eventos, mas a minha vida profissional infelizmente não me permite dedicar-me como gostaria. Sou empresário, tenho negócios em várias áreas, e é muito difícil conseguir dedicar-me por completo como queria — especialmente se for para fazer eventos do nível que eu gostaria, como antigamente.
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FightNews: Quais os principais valores que as artes marciais te ensinaram?
As artes marciais foram um elemento muito importante no meu crescimento profissional e pessoal. Penso que me salvaram de ir para uma vida errada. Deram-me disciplina, ensinaram-me a ser bem-sucedido em tudo o que pretendo fazer, seja nos negócios, nos meus empreendimentos ou em outros projetos. Sem as artes marciais, provavelmente não teria a força de vontade e a disciplina para chegar onde cheguei hoje. Considero-me um empresário bastante bem-sucedido — e tudo isso derivou da disciplina e das aprendizagens dos tempos de artes marciais. Claro, continuo a treinar todos os dias, diariamente. Estou afastado, mas nunca deixei de praticar.
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FightNews: Por fim, que mensagem gostarias de deixar à comunidade da luta — atletas, treinadores e entusiastas — que te acompanha e te admira?
A mensagem que tenho é que “sempre é possível”. Sempre é possível um bocadinho mais. E um bocadinho mais todos os dias, no final, é muito. Nunca desistam. Sonhem. Sonhem alto. Sonhem lá para cima. Porque custa o mesmo que sonhar para baixo.
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