Jiu Jitsu Carlos Cobrinha
Entre o ouro e o treino: Carlos Cobrinha comenta vitória em Roma e planos para o Europeu
“A sensação de dever cumprido… mas sem tempo para festa”
18/05/2025 09h40 Atualizada há 1 ano
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
Imagem cedida Carlos Cobrinha

Entrevista exclusiva com Carlos Cobrinha, campeão do Rome Spring International Open de Jiu Jitsu 2025, fala sobre a conquista, os combates intensos e os objetivos futuros.

Cobrinha conquistou a medalha de ouro no Rome Spring International Open de Jiu Jitsu, mas mantém os pés bem assentes no chão. Numa entrevista exclusiva à Fight News Portugal, o atleta e Head Coach da equipa Carlos Cobrinha BJJ, partilhou o que sentiu após a vitória, descreveu os combates exigentes que enfrentou e revelou os seus planos para a época competitiva — com um foco claro: o Europeu em Janeiro.

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“Era uma das metas… mas agora é continuar o planeamento”

FightNews: Como te sentes depois de conquistar o ouro no Rome Spring International Open?

Carlos Cobrinha: Aquela sensação de dever cumprido, né? Porque era um dos objetivos e uma das metas que eu tinha traçado nos últimos meses. Mas não tem muito o que comemorar, não. É seguir o planeamento e ir treinando. Lógico que a gente fica feliz, dá uma pequena comemorada, mas não tenho muito tempo para festa. Aqui a malta está muito dura, a treinar. E há muitos adversários difíceis por aí.

Imagem cedida Carlos Cobrinha

Dois combates, dois testes duros

FightNews: As tuas duas lutas foram descritas como muito duras. Podes contar-nos brevemente como foi cada uma delas?

Carlos Cobrinha: Está difícil não ter uma luta difícil ultimamente. A malta do Master anda muito bem treinada. O pessoal cuida-se, faz preparação física, alimenta-se bem. Parece que hoje em dia o Master é quase profissional, com uma dedicação quase igual à do adulto.

Na primeira luta, o adversário era muito forte. Consegui dar uma queda e passar a guarda dele. Tinha muito gás, muita força, foi difícil.
Na segunda, também consegui uma queda logo no início, fiz dois pontos. Cheguei a passar a guarda, mas ele estava com um estrangulamento meio encaixado, o juiz não deu ponto por isso. Fui ganhando vantagens e acabei por administrar mais da metade para o fim. Vi que o adversário tinha ataques perigosos, então controlei bem para não me expor.

Imagem cedida Carlos Cobrinha

“Nível altíssimo. O pessoal do Master parece profissional”

FightNews: O que achaste do nível dos teus adversários em Roma e do torneio em si?

Carlos Cobrinha: Eu não gosto de pesquisar muito os adversários antes. Tento focar mais no que eu vou fazer. Mas depois costumo dar uma olhada. Vi que o meu adversário da final foi pódio no campeonato Panamericano, que é um Grand Slam da IBJJF. O outro, da primeira luta, já foi pódio no Europeu No-Gi. Ou seja, são atletas que estão sempre a lutar e a ter bons resultados. Ainda bem que desta vez consegui ser melhor, mas tenho de continuar a treinar porque é muito difícil.

Imagem cedida Carlos Cobrinha

Preparação com ciclos e foco no detalhe

FightNews: Como foi a tua preparação para esta competição? Houve algo que fizeste de forma diferente?

Carlos Cobrinha: Na verdade, estou sempre em preparação. Existem ciclos de intensidade nos treinos, mas nunca paro. Há sempre um planeamento por trás. Como esta competição já estava na minha planilha há dois meses, o ciclo de treino girou um pouco em torno disso — atingir um pico, depois dar uma pequena abrandada na reta final.

Sigo as orientações do meu coach de preparação física. Faço musculação, Jiu-Jitsu, suplementação, tento alimentar-me bem. Basicamente sigo sempre esse padrão e obedeço às indicações do meu coach Ítalo Vilardo.

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“O Europeu é o meu grande objetivo”

FightNews: Quais são os teus próximos objetivos em termos de competição para a época?

Carlos Cobrinha: Como é difícil para mim ir ao Panamericano e ao Mundial, que são nos Estados Unidos, o meu maior objetivo é sempre o Europeu, em janeiro. A minha ideia é lutar mais dois Opens da IBJJF no próximo semestre. Isso ajuda a garantir uma boa pontuação no ranking, que é importante para ter um bom posicionamento na chave do Europeu. Então, é isso: procurar dois a três campeonatos para acumular pontos. Vamos ver se consigo concretizar isso certinho.

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“A minha equipa é o meu treino diário”

FightNews: Por fim, queres deixar alguma palavra à tua equipa, alunos e admiradores?

Carlos Cobrinha: Graças à minha equipa e aos meus alunos, consigo ir bem nas competições. Eles são o meu treino diário. Não procuro treinos fora. Claro que, às vezes, recebo visitas de amigos, mas 99% do meu treino é com os meus alunos. E isso mostra que o treino na academia está duro e a funcionar.

Fico feliz por saber que estão a treinar bem e a ajudar-me. Da mesma forma que eu ensino e tento ajudá-los, eles também me ajudam. Acho que essa é a essência das academias: um ajudar o outro, mesmo sem se dar conta. Só por estares presente e dares corpo no treino, já estás a ajudar. Não importa se competes ou não. Se estás lá, és parte da equipa. E isso é um espírito muito bonito.

Apesar da vitória em Roma, o campeão mostra uma mentalidade centrada, pragmática e com olhos postos no futuro. O ouro é apenas uma etapa no caminho — e esse caminho segue firme em direção ao Campeonato Europeu.

Imagem cedida Carlos Cobrinha