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Portugal no Ringue da Inovação com o BHOUT Bag
Desenvolvido no país, o BHOUT Bag une desporto de combate, gaming e tecnologia numa experiência que está a conquistar adeptos no mundo.
02/04/2025 10h43 Atualizada há 1 ano
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
Imagem cedida: Bhout

Portugal tem vindo a afirmar-se, de forma consistente, como um centro criativo no universo da tecnologia. E nos desportos de combate, o país regista um crescimento notável, com cada vez mais praticantes e entusiastas a descobrirem estas modalidades. E quando esses dois mundos se misturam com um resultado brilhante e inovador, ganhando reconhecimento mundial? É exatamente aí que entra a BHOUT.

A startup nacional é responsável por uma das inovações mais impressionantes no mundo do fitness e dos desportos de combate: o BHOUT Bag — o primeiro saco de boxe inteligente do mundo. Nascido de uma paixão profunda pelas artes marciais e impulsionado por uma abordagem tecnológica arrojada, o projeto rapidamente ganhou destaque internacional, com direito a reconhecimento pela revista TIME como uma das 200 melhores invenções do ano. 

O BHOUT Bag transforma o treino numa experiência interativa, quase como se estivéssemos a jogar um videojogo — mas com suor real. Os utilizadores são desafiados a bater metas, acumular pontos, melhorar tempos de reação e precisão de golpes, tudo isto com feedback imediato, tornando o treino mais envolvente e motivador. Para muitos, é também uma porta de entrada para o universo dos desportos de combate — como o boxe, o kickboxing ou o Muay Thai —, tornando estas modalidades mais acessíveis, menos intimidantes e divertidas. Por outro lado, para atletas já experientes, representa uma ferramenta poderosa de análise e aperfeiçoamento técnico. É realmente incrível o conceito de um saco de boxe capaz de analisar cada movimento do utilizador em tempo real. Esta precisão tecnológica, que até há pouco tempo era mais comum em modalidades como a Fórmula 1 ou no ciclismo de alto rendimento — onde sensores e telemetria são usados para ajustar estratégias ao segundo —, agora chega aos desportos de combate com uma proposta inovadora. A BHOUT trouxe para o ringue o que antes era exclusivo de laboratórios e grandes equipas técnicas. E isso tem o potencial de ajudar muito os atletas profissionais e de alto rendimento.

Nesta entrevista exclusiva à Fight News, o CEO e cofundador da BHOUT, Mauro Frota, conta-nos como tudo começou — e para onde se dirige esta verdadeira revolução no treino de combate.

Imagem cedida: Bhout

FightNews: A BHOUT nasceu de uma visão inovadora e já está a conquistar reconhecimento internacional. Mas antes disso, como começou a sua jornada?

Mauro Frota: A BHOUT começou literalmente numa garagem, em 2019, onde fizemos os primeiros testes de I&D para desenvolver um conceito que combinasse tecnologia, gamificação e exercício físico. A nossa missão sempre foi transformar a forma como as pessoas se relacionam com o fitness, tornando-o envolvente e viciante como um videojogo. Inspirámo-nos na indústria do gaming, onde os jogadores passam horas imersos em experiências interativas, e quisemos trazer essa lógica para o mundo do desporto. Antes do BHOUT Club, como o conhecemos hoje, iniciei este empreendimento com projetos piloto, inseridos em outros ginásios, com vista a testar e provar o conceito.

FightNews: Tem ou teve experiência com desportos de combate? Como essa vivência influenciou a criação do BHOUT AI e do BHOUT Club?

Mauro Frota: Pode-se dizer que desde cedo que sou apaixonado pelas artes marciais, com mais de 30 anos de experiência neste tipo de desporto e mais de 20 anos na área do fitness. Academicamente, o meu percurso incidiu continuamente no mundo do desporto, dei aulas de Ciências do Desporto, e várias disciplinas como a de Retenção de Clientes em Ginásios e Health Clubs na Faculdade de Motricidade Humana da Universidade de Lisboa e na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, e a de Satisfação dos Clientes, na MANZ. Profissionalmente, penso que esta carreira demonstra a minha grande vontade de aprender e desenvolver certas capacidades, e de espalhar o meu conhecimento e fornecê-lo a outros. Neste sentido, surgiu a BHOUT, que alia tudo o que aprendi em termos teóricos à praticidade do exercício. 

Imagem cedida: Bhout

FightNews: O BHOUT AI é o primeiro saco de boxe inteligente do mundo e nasceu aqui, em Portugal. Como surgiu a ideia de criar um equipamento tão inovador e quais foram os maiores desafios para transformar este conceito em realidade?

Mauro Frota: A ideia do BHOUT Bag nasceu da vontade de reinventar o treino de boxe, tornando-o mais envolvente e interativo. Sempre vi o boxe como uma ferramenta poderosa para melhorar a forma física e a saúde mental, mas reparei que muita gente sentia barreiras para experimentar – seja pela falta de conhecimento técnico, receio de lesões ou até pelo estigma associado ao desporto.

Olhando para outras indústrias, percebemos que a gamificação e a inteligência artificial estavam a transformar a forma como as pessoas interagem com o fitness. Então, surgiu a questão: e se conseguíssemos criar um saco de boxe que aprendesse com cada utilizador, ajustasse o treino automaticamente e ainda tornasse a experiência divertida, como num videojogo?

A partir daí, começaram os desafios. Construir um produto como o BHOUT Bag exigiu combinar hardware avançado com software de inteligência artificial e visão computacional 3D – tudo num equipamento que tinha de resistir a pancadas intensas diariamente. Tivemos de criar sensores de alta precisão, desenvolver algoritmos que analisassem o desempenho em tempo real e garantir que toda a tecnologia funcionava sem comprometer a experiência do utilizador.

O processo foi longo, exigiu testes constantes e muito feedback dos primeiros utilizadores. Mas o que começou como um conceito inovador em Portugal rapidamente ganhou atenção internacional, levando-nos a expandir para outros mercados e a consolidar o BHOUT Bag como referência na interseção entre fitness, gaming e tecnologia.

FightNews: O BHOUT AI combina sensores e visão computacional para analisar cada movimento do utilizador. Como é que esta tecnologia portuguesa consegue adaptar-se a diferentes estilos de luta e ajudar tanto atletas profissionais como iniciantes?

Mauro Frota: O BHOUT Bag é um saco de boxe inteligente que combina sensores avançados e visão computacional 3D para monitorizar e analisar cada movimento do utilizador em tempo real. Esta tecnologia adapta-se a diferentes estilos de luta e níveis de habilidade, desde iniciantes a atletas profissionais, proporcionando uma experiência de treino personalizada e eficaz. Os sensores e a visão computacional do BHOUT Bag permitem reconhecer e interpretar uma ampla variedade de movimentos e técnicas de combate. Isto significa que o equipamento pode ajustar-se a diferentes modalidades e estilos de luta, oferecendo feedback específico e relevante para cada utilizador. Atletas experientes podem utilizar o BHOUT Bag para aprimorar técnicas específicas, monitorizar o desempenho e identificar áreas de melhoria, beneficiando de dados precisos e detalhados que auxiliam na otimização do treino. Para os iniciantes, o BHOUT Bag oferece orientações claras e feedback imediato, ajudando-os a aprender e a corrigir técnicas de forma eficaz. A gamificação do treino torna a experiência mais envolvente e motivadora, facilitando a aprendizagem e a progressão.

Ao integrar tecnologia avançada com princípios fundamentais dos desportos de combate, o BHOUT Bag proporciona uma plataforma versátil que se adapta às necessidades individuais de cada utilizador, promovendo um treino mais inteligente e eficaz.

FightNews: Portugal tem um histórico forte em inovação tecnológica, mas raramente vemos esse nível de inovação aplicado aos desportos de combate. Como foi o processo de transformar uma ideia tão disruptiva num negócio viável e global?

Mauro Frota: Os primeiros trials do “saco de boxe inteligente” aconteceram no ginásio Clube VII, onde testámos a nossa tecnologia com utilizadores reais. Em agosto de 2021, lançámos oficialmente a BHOUT com a abertura do nosso primeiro clube em Lisboa, e os resultados superaram todas as expectativas. Conseguimos um NPS (Net Promoter Score) de 97%, uma retenção anual de 80% e uma conversão de 90% entre quem experimenta. Desde então, a nossa comunidade cresceu exponencialmente, provando que é possível revolucionar o fitness com inovação e tecnologia.

FightNews: O BHOUT Club não é apenas um ginásio, mas uma experiência imersiva que combina desportos de combate, HIIT, treino funcional e até meditação. Como surgiu esta abordagem única e o que a torna tão diferente das academias tradicionais?

Mauro Frota: Na fronteira entre um equipamento de fitness e uma consola de jogo, o saco BHOUT recolhe dados dos treinos e analisa-os através de inteligência artificial para dar orientações de como melhorar a técnica. Tudo isto é possível através de uma câmara e de sensores que calculam, com elevada precisão, a força e a localização de cada golpe, atribuindo pontos com base na performance, num sistema de gaming exclusivo. A complementar a tecnologia do BHOUT Bag, a música e a luz são parte integrante da performance, trazendo as evidências da musicoterapia e do lightemotion à evolução e cadência de cada momento do treino. O conceito foi sempre pensado para proporcionar exercícios de força e cardio - terminando sempre com meditação – através de boxe, kickboxing ou Muay Thai, entre outras técnicas, em que o utilizador não só aprende cada modalidade de forma acurada, como vive uma experiência motivadora e objetiva, conquistando pontos e protagonizando um verdadeiro jogo de consola live, que converte em saúde, em bem-estar.

Imagem cedida: Bhout

FightNews: Com a crescente popularidade do fitness gamificado, de que forma a BHOUT pretende continuar a inovar e a manter-se como referência no setor?

Mauro Frota: A BHOUT é algo único no mundo. Somos o único saco de boxe com inteligência artificil e construimos o primeiro clube no mundo onde a tecnologia, a psicologia e o gaming se unem. Os resultados estão à vista: temos um lifetime de cliente de 24 meses, que contrasta brutalmente com a média da indústria, que é de 4 meses.

O segredo está na melhoria contínua desta fórmula que já se provou vencedora. O BHOUT Bag é uma tecnologia sempre em evolução, mas é já altamente distintivo.

Imagem cedida: Bhout

FightNews: A BHOUT já está a expandir-se para além das fronteiras portuguesas, com o BHOUT AI a ser adotado por ginásios, hotéis e academias de elite em vários países. Que tipo de feedback têm recebido e quais são os próximos mercados que pretendem alcançar?

Mauro Frota: A BHOUT já chega a vários cantos do mundo sempre com feedback positivo. Neste momento estamos com os olhos no mercado espanhol e esse será o nosso grande foco para 2025, onde pretendemos abrir um primeiro clube em Madrid, e certamente outros se seguirão numa lógica de clubes próprios e de franchisados. 

FightNews: Além do BHOUT AI e do BHOUT Club, há novos produtos ou serviços a serem desenvolvidos? Podemos esperar mais inovações em breve?

Mauro Frota: Este ano estamos focados em expandir a nossa rede de clubes a nível nacional e internacional.

Assim que essa expansão esteja consolidada, estaremos prontos para dar os próximos passos: a oferta da experiência BHOUT em casa e outros espaços para além dos nossos clubs, como empresas, ginásios, e health centers.

FightNews: Para as pessoas que ainda não conhecem o BHOUT AI ou o BHOUT Club, que mensagem deixaria sobre esta inovação 100% nacional que está a redefinir o treino e os desportos de combate?

Mauro Frota: A BHOUT revoluciona a forma como as pessoas se relacionam com a prática da atividade física. O nosso foco é, sem dúvida, no bem-estar físico e mental de cada um dos nossos bhouters mas é, também, a entrega de uma experiência de comunidade divertida, desafiante e entusiasmante. 

Queremos entregar esta experiência mais vezes e chegar mais longe: estamos a chegar.