
Pedro Carvalho é hoje um dos principais nomes do MMA português no mundo, um atleta reconhecido mundialmente e um ícone do desporto nacional. No entanto, sua trajetória não foi fácil. Como muitos outros lutadores, ele iniciou sua carreira enfrentando dificuldades, desafios financeiros e falta de estrutura. Com dedicação e perseverança, conseguiu superar os obstáculos e se tornar um dos grandes nomes do MMA, brilhando tanto em Portugal quanto nas principais organizações internacionais onde competiu.
Nesta entrevista exclusiva, o atleta partilha a sua trajetória, os desafios enfrentados e as suas perspetivas para o futuro.

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FightNews: Como foi o teu percurso até te tornares um dos principais nomes do MMA em Portugal?
Pedro Carvalho: O meu percurso acabou por ser um percurso natural, acho eu. Comecei por lutar em eventos pequenos, em Portugal, até que, ali em 2016, decidi ir para a Irlanda para tentar a minha sorte e dar o salto que eu achava que era preciso para a minha carreira. As coisas foram acontecendo até que, após ganhar duas lutas – ganhei até um título, o título do Cage Legacy – recebi uma proposta para lutar em Londres, no Bellator 200. E pronto, como se costuma dizer, o resto é história. Fui conquistando vitórias até cimentar o meu nome no MMA português e internacional. De maneira geral, as coisas aconteceram de uma forma natural.
FightNews: Quais foram as maiores dificuldades que enfrentaste ao longo da tua carreira para te profissionalizares no MMA?
Pedro Carvalho: As dificuldades que encontrei são as mesmas que, infelizmente, toda a gente encontra – e que ainda hoje existem. O maior desafio é o financeiro. É muito difícil fazer do MMA uma profissão até conseguir um bom contrato com uma grande organização. Mesmo depois de assinar um contrato, ainda há um período de luta para alcançar a estabilidade financeira. Lá fora existem melhores infraestruturas, apoios e incentivos para os atletas, mas para quem está a começar, em qualquer lugar, é sempre um caminho difícil.
FightNews: O mercado das lutas em Portugal ainda tem limitações. Como conseguiste ultrapassar essas barreiras e tornar-te um atleta reconhecido internacionalmente?
Pedro Carvalho: Foquei-me naquilo que estava ao meu alcance: treinar muito e acreditar no meu trabalho. Para além disso, tentei fazer as escolhas certas fora do ringue. Quando decidi ir para a Irlanda, arrisquei tudo. Aceitar as lutas certas também foi fundamental. O principal foi estar sempre preparado para qualquer oportunidade que surgisse, seja com dois meses de antecedência ou com dois dias. Trabalhar e melhorar constantemente foi o meu foco.

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FightNews: O que achas do atual momento do MMA em Portugal? Acreditas que o desporto tem evoluído e está a ganhar mais reconhecimento?
Pedro Carvalho: Acho que o panorama nacional está cada vez melhor e mais promissor. Nem há comparação com o que existia na minha altura. Antes, não havia sequer um circuito amador. Quem quisesse lutar tinha que se atirar aos leões. Hoje, já vemos vários atletas promissores a fazer a transição para o profissionalismo. Acredito que nos próximos três ou quatro anos teremos mais portugueses a fazer barulho internacionalmente.

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FightNews: O que é preciso para que mais atletas portugueses tenham sucesso internacional no MMA? Falta mais investimento, eventos ou outro tipo de apoio?
Pedro Carvalho: Sem dúvida que falta investimento. Mas isso não é exclusivo do MMA – é uma realidade em todos os desportos em Portugal, à exceção do futebol. Contudo, não vale a pena vitimizar-nos. O país já demonstrou que consegue formar campeões mundiais em várias modalidades, mesmo com poucos recursos. É uma bola de neve: à medida que mais atletas portugueses conseguirem sucesso internacional, isso trará mais atenção e investimento para o desporto. Uma coisa vai levar a outra.

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FightNews: Quais foram as tuas lutas mais difíceis ou os adversários mais duros que já enfrentaste?
Pedro Carvalho: Vou destacar duas lutas. A primeira foi em Portugal, contra o Txola, no evento Invictus. Foi um combate muito difícil, três rounds de guerra. Depois, já nos grandes palcos, a luta mais dura foi contra o Daniel Weichel, um veterano com mais de 60 combates. Apesar de eu estar no meu pico de forma, e olha que tenho um cardio ótimo, senti a experiência dele. Foi uma luta muito difícil e, por isso mesmo, uma das vitórias das quais mais me orgulho na minha carreira.

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FightNews: Quais são os teus principais objetivos para as próximas épocas?
Pedro Carvalho: Neste momento, prefiro pensar a curto prazo. Quero voltar ao ativo e lutar. O meu objetivo para este ano é fazer duas lutas, ter duas boas performances e depois pensar nos próximos passos. Depois da época passada, em que tive dois combates muito injustos, quero voltar às vitórias e preparar um grande 2026.

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FightNews: Que conselho darias aos jovens atletas portugueses que se inspiram em ti e querem seguir uma carreira no MMA?
Pedro Carvalho: O caminho é muito duro, só para quem quer realmente. A mentalidade tem que ser forte, é preciso estar pronto para sacrificar muita coisa – desde tempo com amigos e família até conforto e estabilidade. Se alguém quer ser lutador de MMA, tem que traçar as suas prioridades e trabalhar muito duro. Depois disso, o mais importante é acreditar. Quem trabalha duro e acredita, eventualmente, consegue.

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Pedro Carvalho continua a ser uma das grandes referências do MMA português, inspirando novos atletas e elevando o nome de Portugal nos palcos internacionais. O seu percurso de determinação e sacrifício reflete a realidade de muitos lutadores e reforça a importância do trabalho árduo para alcançar o sucesso.