Jiu Jitsu ANDRÉ MAROLA
André Marola: Do Tatame à Arbitragem, a Jornada de um Mestre do Jiu-Jitsu
O Crescimento do Jiu-Jitsu em Portugal e a Formação de Árbitros
24/03/2025 19h02 Atualizada há 1 ano
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
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Com um vasto percurso no mundo do Jiu-Jitsu, André Marola consolidou-se não só como atleta, mas também como treinador e diretor de arbitragem. Atualmente à frente da Family Marola Jiu-Jitsu e desempenhando um papel fundamental na arbitragem do desporto em Portugal, Marola partilha a sua trajetória, desafios e a sua visão sobre o futuro do Jiu-Jitsu no país.

FightNews: Como e quando começou a sua jornada no Jiu-Jitsu? O que o levou a apaixonar-se por esta arte marcial?

André Marola: Eu comecei a treinar Jiu-Jitsu com 5 anos de idade, influenciado pelo meu pai, que treinou Jiu-Jitsu na Carlson Gracie. Ele chegou à faixa azul, mas apaixonou-se pela arte marcial e colocou-me no caminho. Desde então, nunca parei de treinar e hoje com 51 anos eu continuo a viver intensamente o Jiu-Jitsu, tanto a treinar, como a dar aulas, competir e arbitrar lutas. O que me apaixonou foi a eficiência do Jiu-Jitsu, os amigos que fiz ao longo do caminho e o estilo de vida que esta modalidade proporciona.

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FightNews: Durante a sua carreira como atleta, houve algum momento ou conquista que considera mais marcante?

André Marola: Todas as conquistas foram importantes. Cada uma trouxe aprendizagem, inclusive as derrotas. Na minha infância, dos 8 aos 11 anos, perdi muitas lutas, mas isso ajudou-me a evoluir. Quando comecei a entender o Jiu-Jitsu melhor, conquistei diversos títulos. Se tiver que destacar um, o mais importante para mim foi o pódio mundial da IBJJF na faixa preta, peso médio. Mas cada conquista tem a sua relevância e importância.

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FightNews: Como surgiu a decisão de transitar da competição para a arbitragem? Foi um processo natural ou algo que sempre quis explorar?

André Marola: Sempre tive bons exemplos de arbitragem. Desde pequeno, os meus mestres estavam envolvidos com esta área. O mestre Walter, com quem treinei dos 8 aos 13 anos, e depois o mestre Wendel Del, que também tinha forte ligação com a arbitragem. Quando treinei com Dedé Pederneiras, percebi ainda mais a importância desta função. Comecei a arbitrar na faixa roxa, com cerca de 20 anos, e fui-me aperfeiçoando ao longo dos anos. A transição foi muito natural para mim.

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FightNews: Quais são os maiores desafios que um árbitro de Jiu-Jitsu enfrenta durante um evento?

André Marola: O maior desafio é a confiança. Um árbitro precisa de saber o que está a fazer e estar preparado para explicar qualquer situação que ocorra. O treinador do lado de fora apenas vê a luta do seu atleta, então é essencial que o árbitro tenha segurança nas suas decisões. Além disso, o conhecimento de Jiu-Jitsu deve ser maior do que o conhecimento da regra, para evitar equívocos. O desporto evolui constantemente, e é preciso estudar sempre para acompanhar as mudanças.

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FightNews: Desde quando está em Portugal e o que o motivou a escolher este país para viver e desenvolver a sua academia?

André Marola: Desde 2015 que venho para a Europa para arbitrar o Europeu e competir. No Brasil, entre dezembro e fevereiro, tudo para, pois é um período de festas. Em 2020, vim para Portugal e não consegui sair devido à pandemia. Depois de analisar a situação, decidi ficar com a minha esposa. Legalizámo-nos e começámos a trabalhar. Hoje, estamos em Almada, com uma academia que está em constante crescimento e diversas filiais na Europa.

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FightNews: Como avalia a evolução do Jiu-Jitsu em Portugal nos últimos anos? Acredita que o desporto está a crescer de forma sustentável?

André Marola: O Jiu-Jitsu em Portugal tem crescido de forma muito positiva. Temos atletas de alto nível e uma federação que organiza eventos de qualidade. O Europeu tem sido realizado aqui, o que demonstra a força do Jiu-Jitsu no país. Além disso, a quantidade de competições e praticantes aumentou significativamente. Acredito que este é um momento-chave para professores e organizadores trabalharem juntos para impulsionar ainda mais o desporto.

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FightNews:  Formar um staff de arbitragem qualificado é um grande desafio. Como tem sido o trabalho de desenvolver árbitros que atendam às exigências dos eventos em Portugal?

André Marola: Quando cheguei, a federação convidou-me para coordenar a arbitragem. Comecei a formar árbitros através de estágios, dando prioridade a faixas-marrons e faixas-pretas. Já temos vários árbitros portugueses a atuar em competições internacionais, como a Rafaela, Henrique e Gabriel. Continuamos a investir na qualificação e formação de novos profissionais.

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FightNews:  O que ainda falta para a arbitragem de Jiu-Jitsu em Portugal alcançar um nível de excelência comparável ao de outros países?

André Marola: Eu acho que não falta nada. O principal fator que pode melhorar é a quantidade de competições, se comparado ao EUA e Brasil. Mas com relação à qualidade, Portugal está no caminho certo, com árbitros bem preparados e qualificados. Em relação a Europa, Portugal sempre vai ser um celeiro de formação de grandes árbitros. Outras federações sempre convidam os nosso arbitros para trabalharem principalmente na França, Espanha e Inglaterra, pela aproximação lógico entre os paises, mas também pela qualificação e capacitação dos nosso árbitros. O crescimento das competições irá permitir ainda mais evolução na arbitragem e no desporto como um todo.

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FightNews: Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar para a comunidade da arte suave em Portugal, desde os praticantes iniciantes até os atletas de alto rendimento?

André Marola: Olha, eu sempre falo para as pessoas que é acreditar. Acreditar em tudo. A metodologia, a maneira, todas as coisas difíceis que vamos ter que passar para a gente chegar aonde quer. Nada é fácil, a gente sabe que é difícil. Então, a gente tem que acreditar que a gente é capaz e estar sempre cercado de pessoas que sabem como nos orientar para a gente chegar lá. Hoje a gente consegue saber através da NET quem são os professores, quem são os atletas, porque a internet está aí para isso. Então, através dela eu já sei mais ou menos quem eu tenho que procurar para saber me orientar para chegar onde eu quero, percebe? Então, você precisa acreditar em você e justamente ter pessoas ao seu lado que acreditam em você. Independente se hoje você é um faixa preta ou você é um faixa branca que está iniciando, você precisa estar cercado de boas pessoas.

A trajetória de André Marola no Jiu-Jitsu é um testemunho de dedicação, evolução e paixão pela arte marcial. Desde os primeiros passos influenciados pela família até as conquistas como atleta e, posteriormente, como árbitro e formador, sua jornada reflete um compromisso inabalável com o crescimento do desporto.

Em Portugal, Marola encontrou um novo lar e um terreno fértil para expandir a sua academia e contribuir para a profissionalização da arbitragem. O crescimento do Jiu-Jitsu no país é evidente, e seu trabalho na formação de árbitros qualificados tem sido fundamental para elevar o nível das competições locais. Com a realização de grandes eventos e o aumento do número de praticantes, Portugal se consolida cada vez mais como um polo importante na modalidade na Europa e no Mundo.

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O caminho para a excelência continua, mas com profissionais como André Marola à frente, o futuro do Jiu-Jitsu e da arbitragem em Portugal promete ser cada vez mais promissor.