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Bruno Carvalho: Do Treino à Glória, Criando Campeões para o Mundo

O treinador do Privilégio Boxing Club fala sobre os desafios, conquistas em Paris 2024 e ambições para o futuro.

Redação
Por: Redação Fonte: Redação Fight News
14/02/2025 às 14h49 Atualizada em 18/02/2025 às 18h26
Bruno Carvalho: Do Treino à Glória, Criando Campeões para o Mundo
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Bruno Carvalho é uma das maiores referências do boxe nacional português . Como treinador do Privilégio Boxing Club, teve um ano de 2024 repleto de desafios e conquistas, incluindo a qualificação de dois atletas para os Jogos Olímpicos e a conquista de uma medalha em Paris 2024. Em entrevista, Bruno fala sobre as dificuldades enfrentadas, a importância da estrutura para a preparação dos atletas e as expectativas para 2025.

FightNews: Como avalia a temporada de 2024 para o Privilégio Boxing Club e para si pessoalmente como treinador?

Bruno Carvalho: A avaliação que eu faço desta época, da época de 2024, foi uma época brilhante para o nosso clube. Tivemos cinco atletas a fazer os apuramentos mundiais para os Jogos Olímpicos e, desses cinco, dois conseguiram qualificar-se. O David Pina, por Cabo Verde, diretamente, e a Marine Fatou, do Mali, pelo wildcard. Para mim, foi também a concretização de um grande sonho: ir aos Jogos Olímpicos e ainda sair de lá com uma medalha. Foi um ano de muito trabalho, sacrifício e perseverança, mas tanto os atletas como o clube estão orgulhosos de tudo o que foi feito.

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FightNews: Quais foram os maiores desafios enfrentados ao longo de 2024, tanto a nível de equipa como na preparação dos seus atletas?

Bruno Carvalho: Muitos desafios. Nós tínhamos cinco atletas no clube, três de Portugal, um do Mali e outro de Cabo Verde a fazer os apuramentos olímpicos. Então, é muito difícil garantir desafios financeiros, porque todos eles trabalham ou estudam, mas quase todos são trabalhadores. Tiveram de tirar férias e abdicaram de receber dinheiro para se dedicarem à preparação e ao acompanhamento para os Jogos Olímpicos.

Para além disso, eu também tive de criar, em 2023, uma equipa multidisciplinar no clube para dar suporte a estes atletas, para que fizessem alto rendimento a sério e não de brincadeira. E também tive um investimento muito forte. Por isso, foi um ano que, financeiramente, foi duro para todos nós.

Dos cinco termos tido dois, acho que foi fascinante. Acho que foi o culminar de muito trabalho. Nós temos enfrentado os maiores desafios, mas eles são sempre financeiros, porque é quase incompatível darmos tudo o que temos e ainda termos de pagar para poder representar os nossos países.

E, como tal, ter de pagar, não receber nada e continuar a treinar duro, com tantas adversidades, não é nada fácil. E isso ainda tornou mais saborosa a nossa vitória.

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FightNews: Como foi gerir o trabalho com diferentes atletas de alto nível ao longo da temporada? Que estratégias utiliza para manter os seus atletas motivados e preparados para competições de grande nível?

Bruno Carvalho: Como eu disse, a gestão dos atletas não é fácil, mas a verdade é que eu trabalho com atletas profissionais. São atletas de topo, tanto a nível técnico-tático como fora do treino. São atletas quase todos licenciados, todos com uma cultura muito boa, muito inteligentes, e isso facilita bastante o nosso trabalho, porque treinamos entre 12 a 13 vezes por semana.

Isso requer uma dedicação brutal, mas, para se vencer combates lá fora, não basta uma boa preparação. Os atletas têm de ter realmente muitas condições e uma mentalidade super forte e super focada. Estamos a falar de um país que não tem cultura de boxe ou, melhor, dos três países que estão comigo no ginásio, nenhum tem essa cultura.

Como tal, estamos sempre a combater contra grandes potências. Potências cujos atletas, por norma, são profissionalizados, mesmo no boxe olímpico. Todos eles recebem para treinar e competir, dedicando-se exclusivamente ao boxe, e isso causa-nos alguma discrepância.

Mas nós tentámos reduzir as desvantagens, criando uma equipa multidisciplinar e apostando na dedicação dos atletas. E a verdade é que conseguimos estar ao nível e colocar dois nos Jogos. Foi fascinante. E mesmo a performance de todos, não é? Tivemos uma performance brutal dos cinco atletas nos apuramentos e estou super satisfeito e orgulhoso do trabalho de todos.

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FightNews: Como foi a experiência de participar nos Jogos Olímpicos de Paris 2024 como treinador da equipa de Cabo Verde?

Bruno Carvalho:  Acho que foi a maior experiência desportiva da minha vida. Acho que o que todo atleta e técnico sonha é estar neste palco, onde estão os maiores atletas e os melhores técnicos. É o culminar do desportivismo, do desporto olímpico, do olimpismo.

Fiquei imensamente feliz por conseguir qualificar o atleta e por termos conquistado a medalha de bronze. Acho que foi fabuloso. A verdade é que os Jogos Olímpicos são o culminar de quatro anos de trabalho em cada ciclo, e é isso que fazemos no nosso clube e que as seleções também fazem. Os atletas sabem que o maior palco acontece de quatro em quatro anos, e este foi o culminar desse percurso.

O David Pina acabou por ir aos Jogos pela segunda vez, pois já tinha estado em Tóquio. Quando saiu de lá, após perder no primeiro combate, enviou-me uma mensagem a dizer que queria vir para cá, treinar no meu clube, treinar comigo e preparar-se para Paris aqui em Portugal. E assim foi.

A verdade é que representei Cabo Verde, mas foi através do David Pina, que era bolseiro olímpico. Desde 2021, entrámos em contacto com o Comité Olímpico, ele e eu, e os governantes de Cabo Verde decidiram que eu poderia acompanhar o David no ciclo olímpico até 2024. Fiz o mesmo com o Mali, com a Marine Camará, acompanhando-os durante três anos neste ciclo.

Deu resultado e sinto-me bastante satisfeito. A verdade é que estive nos Jogos Olímpicos com dois atletas, um de Cabo Verde e outro do Mali, mas ambos representam o nosso clube, o Privilégio Boxing Club, e nós somos todos portugueses. Isso é uma felicidade imensa também. Claro que os atletas representam os países deles, mas fizeram a preparação em Portugal, e temos de estar orgulhosos de já termos atletas a este nível.

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FightNews: O que representou para si e para o boxe cabo-verdiano a conquista da medalha olímpica por David Pina?

Bruno Carvalho: Para mim, representa um orgulho imenso o atleta ter conseguido alcançar este objetivo com uma preparação individual. Ou seja, acredito que Cabo Verde, com o apoio que deu, principalmente a única ajuda, que foi uma bolsa olímpica gerida pelo Comité Olímpico de Cabo Verde, mas fornecida pelo Comité Olímpico Internacional, foi a única contribuição real de Cabo Verde para o Pina nestes últimos três anos. A maior ajuda veio de quem o acompanhou durante este período e dele próprio, pelo investimento pessoal que fez.

A verdade é que o Pina venceu a primeira medalha olímpica para Cabo Verde, e realmente houve uma grande festa no país. No entanto, tudo o que nos disseram que fariam para ajudar o Pina – dar-lhe um ordenado, apoiá-lo na sua carreira e garantir-lhe melhores condições – até agora não se concretizou. Já passaram cerca de seis meses, já estamos em fevereiro. Em agosto, estivemos em Cabo Verde, onde o ministro do Desporto falou connosco, apertou-nos a mão e garantiu-nos que iriam ajudar o Pina, mas até agora nada aconteceu.

Ou seja, o Pina deu mais a Cabo Verde do que Cabo Verde deu ao Pina. Mas esse é um assunto que, sinceramente, não me diz respeito diretamente, pois não sou cabo-verdiano. Apenas lamento que o país não valorize devidamente o único atleta que conquistou uma medalha olímpica. No entanto, são diferentes culturas, e pouco tenho a ver com isso.

Acredito que esta medalha deveria significar muito para Cabo Verde, e o país deveria apoiar este atleta até ao fim da sua vida, pois ele fez um marco histórico, não só para si próprio, mas para toda a nação.

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Em relação ao Mali, a Marine Camará também foi a primeira atleta feminina a representar o país nos Jogos Olímpicos. No entanto, Mali também não lhe deu grande apoio, muito semelhante ao caso do Pina. O nosso clube foi quem mais ajudou a Marine. Atualmente, ela está no Mali, onde foi galardoada como Atleta do Ano e homenageada pela sua participação olímpica.

Mas, tal como acontece em Portugal, parece-me que muitos países se aproveitam do que os atletas conquistam, sem realmente os ajudar a alcançar esses feitos. Em Portugal, infelizmente, vemos o mesmo cenário. Enquanto os atletas estão na luta pelo seu objetivo, o apoio é escasso, mas quando já alcançaram as suas conquistas, surgem as palmadinhas nas costas.

Se não houver um verdadeiro apoio para os atletas desde o início, o desporto continuará a ser frágil. Isso acontece nos países africanos, mas também no nosso, porque, no fundo, Portugal só tem olhos para o futebol.

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FightNews: Quais são os principais objetivos para 2025?

Bruno Carvalho: Os principais objetivos para 2025 estão focados na qualificação olímpica. Tenho trabalhado com a Seleção Nacional há cerca de um ano. No momento em que fui convidado, já tinha um contrato com os Comitês Olímpicos de Cabo Verde e do Mali e não quis abandonar os atletas a meio do ciclo. Conversei com a Federação, que compreendeu a situação, e trabalhei em conjunto com a Federação Portuguesa de Boxe e com os Comitês Olímpicos de Cabo Verde e do Mali, acompanhando os dois atletas já mencionados.

Fizemos toda a preparação para Portugal, participámos nos Jogos Europeus e em duas qualificações mundiais, mas, infelizmente, nenhum atleta português conseguiu a qualificação. A Rita Soares esteve muito perto, chegando ao combate decisivo nos Jogos Europeus, mas acabou por perder e não conseguiu a vaga.

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Agora iniciamos um novo ciclo. Terminámos o ciclo anterior sem a qualificação desejada, mas o grande objetivo da Federação e da equipa técnica para os próximos quatro anos é conseguir, pela primeira vez, qualificar um atleta português para os Jogos Olímpicos.

O ano de 2025 será o ponto de arranque para todas as seleções nesse caminho. A estratégia delineada pela estrutura da Federação para este ano passa por observar e avaliar o maior número possível de atletas. Para isso, já realizámos três estágios nacionais de captação e visualização de talentos que possam representar Portugal.

O nosso objetivo para 2025 é proporcionar o maior número possível de competições a esses atletas, para que possamos, ao longo dos próximos dois anos, selecionar um grupo que estará na luta direta pela qualificação olímpica. Vamos trabalhar intensamente com eles, acompanhá-los de perto e garantir que tenham oportunidades para evoluir e competir ao mais alto nível.

A meta é que, em 2027 e 2028, consigamos a tão desejada qualificação para os Jogos Olímpicos. Por isso, 2025 marca o arranque deste novo ciclo de trabalho e dedicação total ao projeto.

FightNews: Algum dos seus atletas já tem competições importantes agendadas para os próximos meses?

Bruno Carvalho: No que diz respeito às competições, estamos agora focados em vários desafios importantes. Ainda este mês, viajaremos para a Boxam, um torneio internacional de seleções, que servirá como uma prova de preparação essencial para os nossos atletas.

O nosso principal objetivo para este primeiro semestre de 2025 será garantir uma preparação de alto nível para os Campeonatos do Mundo. Em março, teremos o Campeonato do Mundo Feminino, onde queremos marcar presença com uma equipa forte e bem preparada. Mais adiante, em maio e junho, será a vez do Campeonato do Mundo Masculino, outro momento crucial do nosso calendário competitivo.

O nosso foco este ano é proporcionar aos atletas portugueses, tanto masculinos como femininos, uma preparação o mais próxima possível da perfeição, para que possam competir ao mais alto nível nestas competições. Além do prestígio desportivo, uma boa qualificação nos Campeonatos do Mundo pode garantir bolsas de apoio essenciais, que permitirão aos nossos atletas manterem-se na modalidade e continuarem a evoluir.

Assim, para a Federação, os Campeonatos do Mundo Feminino e Masculino são as competições mais importantes do ano, e toda a nossa estrutura está focada em proporcionar as melhores condições possíveis para que os nossos atletas possam alcançar grandes resultados.

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FightNews: Como avalia o atual momento do boxe em Portugal? O que acha que poderia ser feito para melhorar e desenvolver ainda mais a modalidade no país?

Bruno Carvalho: Pergunta super importante, eu acho que, em toda a minha vida, enquanto atleta e treinador – e já vão cerca de 30 anos –, nunca vi o boxe a dar tantos passos como agora. Nós tivemos uma federação quase inexistente durante 12 anos. Antes disso, acho que o boxe funcionou melhor, mas nunca tivemos também grande pressão exterior.

Neste momento, acho que a federação está a fazer um esforço imenso para formar treinadores, formar árbitros, formar dirigentes, tanto nacionais como internacionais. Tem feito os campeonatos sempre, ou seja, nunca... nenhuma prova foi cancelada. Além disso, tem dado apoio para que os clubes possam fazer cada vez mais provas internacionais em Portugal. E nós, este ano, no nosso calendário, temos cerca de seis, sete, oito provas internacionais em Portugal, de três dias, o que é fabuloso.

Temos feito estágios de captação, estágios de preparação, temos ido a provas, fizemos training camp para os apuramentos olímpicos. Fomos aos apuramentos olímpicos e agora vamos a Boxam.

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Eu acho que a federação e o boxe em Portugal nunca viveram tempos assim de tanto trabalho e de tanto investimento. Agora, claro que estamos a investir do zero, e isto, para dar resultados, não é imediato. Temos que formar os nossos treinadores, temos que formar os nossos atletas, temos que fazer melhores competições, temos que ir a competições internacionais de grande dificuldade para nos afirmarmos lá. Ou seja, isto é um processo longo e nós estamos exatamente no início.

Mas nunca vi o boxe em Portugal tão bem como agora. Mas acho que é preciso mais. Acho que é preciso muito mais e acho também que a federação está atenta a isso. E, dentro das suas possibilidades, vão tentar fazer tudo para que realmente o boxe cresça e que nós... todos juntos consigamos um resultado de excelência. Porque, se tivermos um resultado de excelência no boxe em Portugal, acredito que aí será o tiro de partida para que o boxe possa ser uma modalidade de escolha e que desperte interesse nacional. Porque sabemos que, neste momento, o boxe não tem muito interesse a nível de desporto nacional.

FightNews: Como é para si, como treinador, trabalhar com atletas de alto nível como Rita Soares e David Pina?

Bruno Carvalho: Bem, para mim, trabalhar com atletas de alto nível é fácil porque o atleta de alto nível é um atleta que, por si, já quer treinar mais do que eu. Ou seja, é um atleta que tem uma ambição desmedida. Então, torna-se fácil porque não tenho que estar cá a chamá-los para o treino.

Em relação a treinar atletas de elite, foi como eu disse: eu tenho cinco atletas que trabalham comigo diariamente, duas vezes por dia, e são atletas de elite. São a Rita Soares, de 50kg, que é portuguesa; a Carolina Ferreira, que também competiu por Portugal; o Diogo Semedo, que também competiu por Portugal; o David Pino e a Marine. Foram os cinco atletas que fizeram o ciclo até 2024 comigo e são atletas espetaculares. Destacam-se pelo empenho que colocam e não é nada difícil treiná-los.

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Agora, o importante é acompanhá-los a nível de inteligência, de perceber, dentro da utilização do treino, o que cada um precisa, de não falhar nas estratégias para o treinador. Pelo menos para mim, que sou um treinador que liga muito à estratégia, um dos meus maiores medos ou receios é dar uma estratégia errada a um atleta e que ele não consiga vencer por minha causa. Isso é o que me deixa realmente mais fragilizado. Mas eu também acredito nas minhas capacidades e acredito sempre que lhes dou o plano certo. Além disso, falo com eles sobre o plano, porque não tenho a verdade absoluta e gosto que eles também possam dar a sua opinião. Porque isto é um conjunto, não é? Quando competem, eles são a cara do treinador, mas treinam connosco todos os dias e fazem muitas das coisas que nós pedimos no treino e mesmo no combate.

Somos uma equipa, na vitória e na derrota. A maior dificuldade, às vezes, é eu não conseguir ajudá-los, mas estou sempre a preparar-me ao máximo, de forma a que não lhes falte nada, a dar-lhes os feedbacks certos, a ajudá-los no seu jogo, para que fiquem melhores e consigam alcançar os seus objetivos. Para mim, se eles alcançam os objetivos deles, eu fico muito feliz, porque também alcancei os meus.

Agora é top. Nós trabalhamos com atletas que sabem quase tudo. Só temos que fazer a especialização no seu jogo para a competição. Para mim, não existe melhor. E, na verdade, neste momento, só trabalho com atletas que já têm estas capacidades, porque é o que realmente me dá mais prazer e me motiva.

Como é que posso dizer? Está-me a faltar a palavra agora... Mas para mim, o que me interessa, o que mais me cativa, o que me dá mais vontade de continuar no alto rendimento, é realmente conseguir ajudá-los neste jogo tão detalhado e tão difícil. E conseguirmos, muitas vezes, pela estratégia, vencer grandes potências.

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FightNews: Para finalizar, que mensagem gostaria de deixar para os seus atletas, alunos e para a comunidade do boxe em geral?

Para finalizar, eu gostava que o boxe em Portugal se unisse. Sei que é difícil. Estivemos muito tempo sem uma estrutura que realmente beneficiasse todos e, por isso, há muita divisão. E eu sei que as divisões fazem parte, não é? A democracia implica vontades diferentes, e isso até pode ser bom. Mas uma coisa é ter opiniões distintas, outra coisa é trazê-las para as redes sociais e transformar o boxe num clima de guerra fora do ringue.

Não é uma guerra minha, mas gostava que estivéssemos todos a remar para o mesmo lado, que todos pudéssemos contribuir, porque isto é cíclico. Hoje estou cá eu, amanhã estarão outros. Mas a verdade é que os atletas são os mais importantes nisto tudo. Podemos ser treinadores, dirigentes, árbitros, o que quisermos, mas se não houver atletas, nós simplesmente não existimos. Por isso, temos de os valorizar ao máximo e protegê-los.

Às vezes, estas guerras criam atritos entre dirigentes e treinadores, e isso não faz bem ao boxe. Já sabemos que a modalidade é facilmente atacável por quem está de fora. Se nós, cá dentro, também nos atacamos, acabamos por prejudicar aquilo que temos de mais valioso: a nossa paixão pelo boxe. No meu caso, é essa paixão que me mantém aqui.

E, no que depender de mim, estarei sempre aqui para somar, nunca para dividir. Gostava mesmo que todos pudéssemos evoluir juntos e alcançar resultados de excelência, tanto no desporto como na vida. O mais importante é que os nossos atletas e todos os envolvidos na modalidade tenham saúde e se divirtam a fazer aquilo que amam — que é exatamente o meu caso.

Quero terminar agradecendo muito esta entrevista. Não é todos os dias que temos a oportunidade de dar a nossa opinião num meio de comunicação dentro do nosso nicho, e acho que é fundamental falar para as pessoas perceberem que estamos aqui a trabalhar pela modalidade, não por interesse próprio.

Podem contar sempre comigo para elevar o nosso boxe. Fico muito grato pela oportunidade de falar sobre o clube, sobre o boxe e também um pouco sobre mim. Estou sempre disponível para mais conversas no futuro. Muito obrigado!

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