André Pederneiras: O Arquitetar de Lendas do Jiu-Jitsu e MMA Mundial
Reconhecido como um dos maiores treinadores de desportos de combate do mundo, André Pederneiras, líder da Nova União, moldou uma geração de campeões que deixou marcas indeléveis no cenário global do Jiu-Jitsu e MMA. Nomes como José Aldo, Renan Barão, Leo Santos, Thales Leite, Vitor Shaolin e Dudu Dantas são apenas alguns exemplos do impacto que a sua visão estratégica e liderança tiveram na construção de carreiras lendárias. Nesta entrevista exclusiva, André reflete sobre os desafios, conquistas e projetos que moldaram a Nova União como uma das equipas mais respeitadas do Jiu Jitsu e MMA Mundial.
FightNews: Quais foram os momentos mais marcantes da sua carreira até hoje, tanto como treinador quanto como líder da Nova União?
André Pederneiras: O momento mais marcante como treinador foi quando o José Aldo se tornou campeão do UFC. Ele já tinha sido campeão do WEC e, na sua primeira luta pelo UFC, contra Mark Hominick, no Canadá, lutou para um público de 55 mil pessoas. Foi uma experiência inesquecível. Já como líder da Nova União, o momento mais especial foi em 1997, quando vencemos o primeiro campeonato mundial de Jiu-Jitsu. Ser a equipa campeã naquela edição inaugural marcou-me profundamente.
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FightNews: Qual foi o maior desafio na construção da Nova União e no desenvolvimento de tantos campeões?
André Pederneiras: O maior desafio foi conseguir que os atletas entendessem a importância de trabalhar como uma equipa. Enquanto falávamos apenas de medalhas, era mais fácil manter a união. Mas, quando o dinheiro começou a entrar em jogo, surgiu a competição interna, com alguns atletas questionando valores de bolsas ou benefícios. Foi preciso gerir muito bem essa dinâmica para que não afetasse os treinos. Além disso, desde o início, tivemos a visão de montar uma equipa estruturada, com treinadores especializados em wrestling, boxe, Muay Thai e preparação física. Trabalhámos com grandes médicos e sempre mentalizámos que estávamos a construir algo grande.
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FightNews: Existe alguma conquista inesquecível que simbolize o sucesso da Nova União?
André Pederneiras: A conquista de maior impacto foi, sem dúvida, o título do José Aldo no UFC. Esse momento trouxe os holofotes para a nossa equipa. Apesar de termos vários campeões em diferentes eventos, a Nova União não recebia a atenção merecida. Após a vitória do Aldo, a midia começou a reparar nos outros talentos que já treinavam connosco. Foi um ponto de viragem para a nossa visibilidade.
FightNews: O que ainda o motiva a continuar neste desporto?
André Pederneiras: O que me motiva é a oportunidade de ajudar pessoas. O Jiu-Jitsu deu-me tudo, mesmo quando comecei sem pagar por ele. Desde cedo decidi que, se um dia tivesse condições financeiras, retribuiria ao Jiu-Jitsu tudo o que ele me deu. Mais do que dinheiro, a luta ensinou-me disciplina, força e resiliência, competências que aplico até hoje na gestão da equipa e na minha vida pessoal.
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FightNews: Pode falar-nos mais sobre os seus projetos atuais, como o BJJ Clubes, o Shooto e outras iniciativas?
André Pederneiras: O projeto BJJ Clubes visa integrar o Jiu-Jitsu nos clubes desportivos, desde as categorias de base até ao profissionalismo, como acontece no futebol. O objetivo é criar equipas que ofereçam salários para atletas e treinadores, expandindo o alcance do Jiu-Jitsu globalmente. Também continuamos a promover o Shooto, um dos eventos que mais atletas exportou para o UFC. Além disso, estamos a trabalhar em novos modelos de equipas e competições, sempre com a missão de dar oportunidades a talentos emergentes.
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FightNews: Sabemos que ex-alunos seus, como Kleber Repolho e Marola, têm academias em Portugal. Como vê o crescimento do seu legado fora do Brasil?
André Pederneiras: É muito gratificante ver antigos alunos espalharem o Jiu-Jitsu pelo mundo. Marola, Kleber Repolho, Yan Cabral e muitos outros estão a fazer um trabalho incrível em Portugal e na Europa. É fantástico ver o impacto positivo que o Jiu-Jitsu tem na vida das pessoas, não só como luta, mas como ferramenta de construção de caráter e disciplina.
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FightNews: O que pensa do intercâmbio entre Brasil e Portugal no âmbito dos desportos de combate? Há planos para fortalecer essa conexão?
André Pederneiras: O intercâmbio entre Brasil e Portugal é essencial para o crescimento do Jiu-Jitsu e do MMA. Planeamos realizar mais seminários e parcerias para fortalecer essa ligação. A troca de experiências beneficia tanto os atletas quanto os treinadores de ambos os lados.
FightNews: Que conselhos daria para jovens treinadores que aspiram a construir equipas de sucesso?
André Pederneiras: Tenham paciência e estejam dispostos a aprender. Construir uma equipa sólida exige foco, dedicação e visão a longo prazo. Mais do que medalhas ou títulos, é preciso formar pessoas, ensinando-lhes valores que vão além do tatame.
O conselho que eu posso dar para jovens treinadores, cara, é que trabalhem muito.E quando achar que tá trabalhando muito, falta muito ainda. Nunca acredite que o que você tá dando dentro do seu trabalho é o máximo que você pode chegar. Se você quer chegar num lugar muito alto, você tem que trabalhar mais do que você acha que você tá trabalhando. Eu vi isso a minha vida inteira.E pra você ter uma ideia, eu completei, hoje eu tô viajando, completei 250 viagens internacionais, onde 95% dessas viagens foram através de competições, de luta, de trabalho com luta. E aoenas 5% foi em viagem de lazer, ou menos, pra te falar a verdade. Isso porque eu vou fazer 58 anos, né?
É um trabalho duro que se você gosta mesmo, se você aspira chegar a ser um grande treinador, tem que trabalhar muito e duro.
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André Pederneiras é, sem dúvida, uma das maiores referências no mundo das lutas, um mentor cujo legado continua a inspirar gerações de atletas e treinadores. A sua dedicação e paixão pelo Jiu-Jitsu e MMA são a base de uma carreira marcada por conquistas, superação e impacto global