A atleta portuguesa de boxe Rita Soares encerra o ano de 2024 com uma avaliação detalhada da sua jornada pessoal e desportiva. Numa entrevista exclusiva, Rita partilha os momentos mais marcantes do ano, os desafios que enfrentou e as metas que traça para o futuro, incluindo um novo ciclo olímpico e ambições no boxe profissional.
FightNews: Como avalia o seu ano de 2024, tanto a nível pessoal como desportivo? Quais foram os momentos mais marcantes que tiveste nesta temporada?
Rita Soares: O ano de 2024 foi, sem dúvida, o ano mais exigente e mais importante da minha carreira desportiva até o momento. Isto porque tive a oportunidade de fazer duas qualificações mundiais, com o intuito de me qualificar para o grande objetivo da minha vida, que são os Jogos Olímpicos de Paris 2024. em ambas as qualificações, fiquei a dois combates de me conseguir qualificar. Difícil lidar com essa derrota, porque não é uma simples derrota, é adiar um sonho e acabei por ter que adiar este sonho por mais quatro anos. A nível profissional, também é muito difícil fazer esta gestão, porque por eu estar a topo e conseguir fazer a minha preparação para estar nestas qualificações mundiais, eu tive que deixar o meu trabalho para trás e tentar conciliar o trabalho dentro das horas que eram obrigatórias para eu conseguir treinar. Tive longas semanas fora de Portugal que tive que adiar o trabalho ou levar o trabalho comigo para os países onde estava. É muito desafiante. Isto porque, não havendo uma bolsa, não havendo patrocínios, acabamos por ter que pagar as nossas contas na mesma. Portanto, se eu não trabalhar, não tenho forma de pagar as minhas contas diárias. Aqui a única ajuda que temos, e é uma grande ajuda, é da Federação que nos paga, a Federação Portuguesa de Boxe, que nos paga as despesas.
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FightNews: Quais foram as maiores dificuldades que enfrentou em 2024, seja nos treinos, nas competições ou na sua preparação, e como as superou?
Rita Soares: Não me quero repetir, mas na pergunta anterior eu referi que uma das maiores dificuldades é conciliar o trabalho com os compromissos de despesas que temos que pagar. casa, despesas, alimentação, e não poder estar a trabalhar de igual forma quando não temos estas qualificações. Portanto, sem dúvida conciliar o trabalho com isso tudo é muito difícil, mas eu tenho de salientar que o cansaço mental que estava a sentir nesta reta final foi algo que tornou o meu ano muito desafiante. Porque estávamos muito cansados, falo por mim, estava muito cansada mentalmente. Era muito desgastante fazer esta gestão de treinos, corte de peso, competir ao mais alto nível com as melhores. Isto mentalmente foi muito, fisicamente também, mas essencialmente mentalmente foi muito, muito exigente
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FightNews: Houve algum desafio ou vitória específica que tenha sido decisiva para o seu crescimento como atleta neste ano?
Rita Soares: Sim, posso dizer que a participação nos dois apuramentos mundiais, o primeiro em Milão, em que tive a oportunidade de fazer dois combates contra adversárias de topo. Tive sucesso em alguns, tnem tanto em outros, mas acabei por ver isto tudo como, ok, isto está a me dar um alcance, sei que o caminho é este, tenho que limar arestas, mas o caminho é por aqui, E dentro das minhas características e alimentações, eu sei o que eu tenho que fazer para melhorar, para crescer e para eventualmente conseguir este objetivo. Por isso, posso dizer perfeitamente que qualquer dos combates que tenha realizado nesta fase, que foram cinco, todos eles foram marcantes, independentemente de serem derrotas ou vitórias, e que foram decisivos para o meu crescimento neste ano e para os anos futuros.
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FightNews: Quais são os seus principais objetivos e expectativas para 2025, tanto no boxe quanto na sua vida pessoal?
Rita Soares: 2025 vai ser um ano que vamos ter o Campeonato do Mundo Feminino, já em maio, e este é o meu principal objetivo para este ano, a nível desportivo, é estar a topo, uma boa prestação com o intuito de conseguir pelo menos um oitavo lugar na minha categoria. Este oitavo lugar já me permite a obtenção de uma bolsa através do Comitê Olímpico Português. Um atleta com bolsa acaba por conseguir, em vez de trabalhar 8, 10 horas por dia, já consegue fazer aqui uma gestão do trabalho de outra forma. E sem dúvida que aqui nós já emissionamos sempre uma medalha, mas acima de tudo a minha meta é conseguir chegar a um oitavo lugar para obter esta bolsa. Mas claro que a nível pessoal tenho outros objetivos. Gostava muito de aumentar também a projeção da minha marca. Ter umas instalações novas, diferentes, maiores. Mas a nível desportivo, confesso que ia ajudar muito se eu conseguisse ter uma bolsa e não estar tão dependente somente do meu trabalho.
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FightNews: Está a planear mais um ciclo olímpico ou pensa em novos desafios dentro do boxe?
Rita Soares: Sim, estou a planear um novo ciclo olímpico, com o objetivo de me qualificar para os Jogos Olímpicos de 2028, nos Estados Unidos. Contudo, também quero explorar combates profissionais como uma experiência paralela. O foco principal continuará a ser o boxe olímpico, mas acredito que esta nova experiência também me ajudará a evoluir como atleta.
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FightNews: Para finalizar, o que gostaria de dizer aos seus fãs e admiradores que a têm apoiado ao longo da sua carreira? Como o apoio deles tem impactado a sua jornada e motivação?
Rita Soares: Quero expressar a minha gratidão a todos que me têm apoiado ao longo da minha carreira. O carinho, as mensagens de força e o incentivo que recebo fazem toda a diferença. Quando estamos lá fora, a representar o nosso país ou clube, o apoio das pessoas é o que nos motiva e nos dá conforto nos momentos mais desafiantes. Continuem a apoiar os atletas portugueses, porque é graças a essa energia que conseguimos perseguir os nossos sonhos e superar os nossos limites.
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Com uma mentalidade determinada e objetivos claros, Rita Soares entra em 2025 com ambições renovadas e a vontade de continuar a deixar a sua marca no boxe, tanto a nível nacional como internacional.